Lá se foi…
Infelizmente, a capela da Nossa Senhora da Vida, na orla costeira do Arco da Calheta, desabou esta noite, apesar de mais de 10 anos de aflitivos apelos para salvá-la.
Isto é mais uma prova que os sucessivos governos do PSD nada fazem para preservar o nosso património edificado e o único interesse deles é proteger o “património edificado” do sr. Sousa, o dono da Madeira, o sr. Avelino, o construtor do regime, e o sr. Pestana, o protegido do Sr. Albuquerque, (aliás, para salvar os hotéis dele do avanço do mar na Praia Formosa, foram a correr fazer uma “promenade”, que no fundo é uma defesa costeira dos hotéis dele, e que como já referi nesta página, vem acelerar o desaparecimento desta mesma praia).
Dizia, o tal governo fandango e altamente corrupto do sr. Albuquerque que não havia dinheiro para proteger a capela (!) Mas, enquanto a faixa costeira de Ponta Delgada sofre neste momento o avanço destrutivo e avassalador do mar, os labregos cavalheiros despejaram rios de dinheiro pelo mar-dentro, numa construção alaranjada no Calhau de São Vicente.
Acreditem, se a Capela fosse o Lojão do sr. Sousa junto da Assembleia Regional, o sr. beato José Manuel Rodrigues e o sr. Albuquerque arranjavam malas de dinheiro para encher o bandulho ao dono da Madeira; se a Capela fosse o monopólio do Sousa, um campo de golfe, um estádio de futebol, um hotel falido no Arco, ou um hotel na zona velha, o regime arranjaria tapetes de dinheiro, filigrana fina em ouro, platina reluzente para empanturrar o insaciável e infinito estômago patrimonial destes artistas. Mas como é uma simples capela do início do sec. XIX, erigida por um grupo de náufragos que se salvara de uma tormenta em finais do séc. XVIII, e que não vota nem é património dos nossos habituais labregos, a sua condenação foi irrevogável, e lá finou na mesma senda desmazelada e velhaca que desapareceu a lindíssima capela de Nossa Senhora do Rosário (Capela da Fundoa) do séc. XVII.
Nota de interesses: tenho nesta Fajã terrenos, mas ficam a mais de 100 metros da linha costeira. Por isso a erosão costeira não põe em causa o meu património nem ando a aqui a escrevinhar para salvar coisa minha.
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