sábado, 26 de maio de 2018

Engenheira Aliecha da Silva explica como funciona o motor a reacção de avião

A 3ª lei de Newton preside ao funcionamento deste tipo de motor

Deputado José Manuel Coelho perde mais um amigo

 Faleceu o sr. Alcino, natural de Gaula, amigo de José Manuel Coelho. Amigo Alcino era um homem muito vivido com larga experiência no ramo da hotelaria. Esteve emigrado largos anos na África do Sul e também na cidade de Londres onde foi chefe de recepção num dos mais famosos hotéis no reino de sua magestade.

 Falava melhor o inglês do que o Português era uma pessoa dinâmica com uma enorme capacidade de fazer amigos.Nos últimos anos da sua longa vida passou-os na sua terra Natal. Era um grande democrata e grande amigo de José Manuel Coelho. O deputado esteve esta tarde no cemitério de S. Martinho onde se despediu do seu amigo!


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Dossier de Imprensa fala na condenação de prisão domiciliária de José Manuel Coelho

O deputado trabalhista, José Manuel Coelho, volta a estar na ordem do dia por ter sido condenado pela segunda vez a uma pena de prisão efetiva. Já tinha sido anteriormente condenado a uma pena de prisão aos fins de semana. 

O inferno judicial que se abateu sobre José Manuel Coelho foi um dos tema abordados no dossiê de imprensa da RTP/Madeira, moderado pelo jornalista Gil Rosa.




Jorge Freitas de Sousa, jornalista do Dnoticias (detido pela família Blandy e pelo dono disto tudo Luís Miguel de Sousa) mencionou o caso de Coelho, vaticinando a sua prisão definitiva , visto este ainda ter pela sua frente cerca de 20 processos por difamação.

Disse ficar entristecido por tamanho desfecho, uma vez que já apreciou as lutas de Coelho no passado (a nossa redação nunca leu uma linha ou comentário nesse sentido talvez os nossos KGB possam enviar ao PravdaIlhéu esse reconhecimento para que possamos fazer-lhe justiça). Ainda considerou que o Coelho precisa de ajuda, vejam-me lá!!! No entanto, acha que deve pagar pelas ofensas que fez, o que mereceu o apoio dos outros 2 comentadores e do próprio apresentador Gil Rosa. Mas isso não é de admirar se fossem dizer bem do Coelho eram logo "despedidos".


Mário Gouveia lembrou o caso gritante da solicitadora Maria João Marques, que roubou milhares de madeirenses e que Coelho ao denunciá-la foi condenado a lhe pagar uma indemnização de 1000 euros por dia. Tendo questionado à atuação da justiça neste caso particular, até porque a dita senhora está fugida à justiça, em paradeiro incerto,  mas continua a penhorar dinheiro todos meses ao Coelho.

O jornalista da TVI Madeira tem feito bons trabalhos jornalísticos.


Miguel Silva, subdirector do JM, acha que "a liberdade de expressão e de imprensa tem limites", que a ofensa tem de ser penalizada e punida. Por esta ordem de ideias, a maior parte dos jornalistas do jornal que dirige já estavam presos e sem os seus bens, pois tiveram anos e anos a defender o regime jardinista e a ofender e denegrir a imagem de todos aqueles que lhe se oponham.

Também não se lembraram de pedir prisão pelas ofensas que Jaime Ramos fazia a tudo e todos no parlamento regional o mesmo em relação a Alberto João Jardim. Ou até mesmo, através do jornal do PSD, "o Madeira Livre", que também estava repleto de pérolas da "boa educação". Tem graça que nem Jaime Ramos, nem Jardim, nem os jornalistas do JM estão condenados a penas de prisão!! Porque será?!

Enfim, o Pravda Ilhéu, não leva a mal estes pequenos lapsos dos nossos caros amigos jornalistas, bem sabemos que a força das circunstâncias assim os obriga. Numa terra pobre como Madeira outra opção não têm senão beijar a mão daqueles que os alimentam. Dizer aquilo que se pensa não é para qualquer um, ser livre é um luxo de poucos. Vejamos o caso de José Manuel Coelho até o podem prender mas ainda assim é o homem mais livre entre nós!

PTP sempre ativo na luta pelos trabalhadores





PTP acusou o PS e o PSD de estarem do lado dos patrões

MADEIRA / 
25 MAI 2018 / 17:32 H.



O PTP-Madeira reuniu hoje com a União dos Sindicatos da Madeira (USAM) para debater os problemas que se colocam actualmente no mundo do trabalho.


O líder dos trabalhistas, Quintino Costa, na conferência de imprensa que se seguiu à audiência com a USAM reconheceu a sua importância para a defesa dos trabalhadores, sobretudo, numa altura em que o Vice-Presidente do Governo Regional tem defendido “a flexibilização do horário de trabalho e o fim dos contratos colectivos”.


Quintino Costa acusou o PS e o PSD de estarem do lado dos patrões, deixando a pergunta no ar “se alguma vez o primeiro-ministro António Costa viria a Madeira para um evento dos sindicatos, como fez recentemente com os empresários”. (dnotícias)

Em 19 de maio de 1954, foi assassinada em Baleizão a ceifeira comunista Catarina Eufémia


Memórias: Catarina Eufémia

No dia 19 de maio de 1954, morreu Catarina Efigénia Sabino Eufémia, quando protestava contra a miséria, assassinada a tiro por um tenente da GNR. Catarina Eufémia é um ícone da resistência contra o salazarismo. Por António José André.

Filha de camponeses sem terra, Catarina Eufémia nasceu, no 13 de fevereiro de 1928, em Baleizão (aldeia do Alentejo). Os pais trabalhavam num latifúndio e Catarina trabalhava em casa. Nem sequer teve tempo para ir à escola.
Catarina Eufémia começou a trabalhar nos latifúndios, durante a adolescência, e aprendeu tudo sobre o trabalhos no campo, da sementeira à ceifa. Aos 17 anos, casou-se com António Joaquim (operário da CUF) e foi viver para o Barreiro.
Mais tarde, António Joaquim foi dispensado da CUF e o casal regressou a Baleizão. António Joaquim conseguiu emprego de cantoneiro, em Quintos. Mas o seu salário não chegava para sustentar a família e Catarina voltou a trabalhar nos latifúndios.
No dia 19 de maio de 1954, Catarina Eufémia liderou um grupo de 14 ceifeiras que exigiam o aumento de mais dois escudos por jorna diária. Na herdade do Olival, o grupo foi cercado por soldados da GNR e o tenente Carrajola matou Catarina.
Durante o funeral, a GNR dispersou à bastonada a multidão que protestava contra a sua morte. No tumulto, nove camponeses foram presos. Depois foram julgados e condenados a dois anos de prisão.
Para evitar romarias subversivas, por ordem da GNR, o corpo de Catarina não foi sepultado em Baleizão, mas em Quintos. Em 1974, depois da Revolução dos Cravos, os restos mortais de Catarina foram transladados de Quintos para Baleizão.
Nota: o tenente Carrajola não foi a tribunal, nem sequer foi castigado. Foi apenas transferido de Baleizão para Aljustrel, onde morreu, em 1964 (de morte natural).
Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, entre outros/as, dedicaram-lhe poemas. Em sua homenagem, o poeta Vicente Campinas escreveu "Cantar Alentejano", musicado e cantado por Zeca Afonso. (ver fonte)

O tenente Carrajola o assassino que foi condecorado pelo fascismo

Chega esta semana às bancas o livro que, pela primeira vez, revela o teor do acórdão do julgamento do tenente Carrajola, que andou desaparecido durante anos. Uma obra onde são igualmente tornadas públicas peças processuais inéditas que fazem um pouco mais de luz, ou talvez nem tanto, sobre a personalidade de Catarina Eufémia e sobre os acontecimentos que levaram à sua morte em 19 de maio de 1954, em Baleizão. Uma investigação do jornalista Pedro Prostes da Fonseca, sob o título O Assassino de Catarina Eufémia, que, antes de mais, acaba por ser um testemunho fatual sobre o clima político e judicial do Estado Novo.

Sobre os acontecimentos que antecederam a morte de Catarina Eufémia e sobre o crime propriamente dito, muito pouco há a acrescentar. Após o 25 de Abril de 1974 multiplicaram-se os trabalhos jornalísticos sobre o assunto, as investigações, a recolha de depoimentos coevos, os livros, os documentários. No entanto, sempre existiu uma ponta do novelo que até hoje nunca tinha sido repuxada para a malha de um dos mais sangrentos e marcantes acontecimentos das lutas rurais em Portugal, durante o Estado Novo: como é que a “justiça” da época lidou com o autor dos disparos que vitimaram a ceifeira de Baleizão? Foi a julgamento? Sofreu condenação? O seu ato foi reprovado pelo regime?
Durante muitos anos se julgou que o tenente João Tomaz Carrajola nunca se tinha sentado no banco dos réus em consequência dos “acontecimentos” de Baleizão. Mais recentemente, alguns historiadores começaram a levantar a hipótese de ter existido julgamento, embora nunca tenham sido revelados os termos do respetivo acórdão e muito menos o teor da sentença. E são precisamente esses dois elementos fulcrais para a compreensão, não dos factos em si, mas do próprio ambiente político-judicial do salazarismo que agora foram revelados pelo jornalista Pedro Prostes da Fonseca no livro O Assassino de Catarina Eufémia, que na próxima segunda-feira, 22, pelas 19 horas, é apresentado na FNAC-Chiado, em Lisboa.

Ao contrário do que hoje em dia poderia muito bem acontecer, a justiça foi rápida a atuar no caso do tenente Carrajola. Passados pouco mais de seis meses sobre a morte de Catarina Eufémia, o oficial da Guarda Nacional Republicana foi ouvido no 2.º Tribunal Militar Territorial de Lisboa, então instalado no Campo de Santa Clara. A sessão de julgamento, presidida pelo coronel João Arruda Pereira, teve início às 14 horas e ao final da tarde já estava publicada a sentença. Isto porque o coletivo de juízes prescindiu das testemunhas e limitou-se a identificar o réu e a ler as poucas peças processuais e alguns depoimentos resultantes dos interrogatórios feitos no terreno pelo capitão João Camilo Delgado. O curioso é que estes levantamentos de campo, que ocorreram logo após 19 de maio de 1954, revelam uma Catarina Eufémia “excessivamente politizada, instigadora, truculenta e extremamente perigosa. Não há dúvida que é uma imagem altamente deturpada e que foi montada para passar a ideia que o ato do tenente Carrajola até era justificável”, sustenta Pedro Prostes da Fonseca.Há uma teoria do jornalismo que diz: “queres chegar ao ladrão? Então segue o dinheiro”. Neste caso, Pedro Prostes da Fonseca não seguiu o dinheiro, mas antes o documento. Mesmo depois de se saber da realização, a 9 de novembro de 1954, de uma sessão de audiência ao tenente Carrajola onde foi proferida sentença sobre os disparos mortais no monte do Olival, nunca tal escritura veio a público. Antes do 25 de Abril, por razões óbvias. Depois da Revolução, porque se perdeu nas catacumbas dos arquivos militares. Até que há uns meses a esta parte, depois de muita persistência por parte de Prostes da Fonseca, no meio de quilómetros de papelada avulsa e não catalogada, reapareceu um pequeno volume de 13 páginas manuscritas em papel de 25 linhas. “Para lá da surpresa, fiquei exaltado com a descoberta”, revela o investigador.
Não será de estranhar que, num processo tão breve e sumário quanto este, o coletivo de juízes tenha absolvido o réu que, no entender dos magistrados, agiu “com a maior cautela, segurando a referida arma nas mãos, sempre com o fim de impedir que essa mulher continuasse a avançar naquela atitude provocante e ameaçadora, bateu levemente com o cano da pistola nas costas dessa mulher, sempre segurando a arma com as duas mãos e com grande cuidado e atenção, tendo porém sido disparados três tiros que atingiram a infeliz nas costas”, produzindo as lesões que a levaram à morte.
Mais concluíram os juízes que o “disparo prematuro e a consequente rajada” não se ficou a dever à conduta do tenente Carrajola, mas a “uma circunstância meramente acidental”. O que, “em tais condições, não se verificando assim que o réu haja praticado os factos puníveis que lhe eram imputados, o Tribunal, por voto unânime, julga a acusação improcedente e absolve o réu a quem manda em paz”. Pedro Prostes da Fonseca, após esbulhar em pormenor o acórdão, assume que se tratou de “criar uma nova narrativa sobre os factos, como agora se diz, alimentando farsa sobre farsa” e que o militar se livrou da prisão “graças a falsidades tiradas da cartola por um juiz subordinado ao regime”. E não se julgue que este livro, ou o seu autor, seja marcadamente militante. Antes pelo contrário.
O interesse primeiro de Prostes da Fonseca, para além de sistematizar num único volume toda a informação dispersa existente sobre o atentado de Baleizão, foi “dar a conhecer informações inéditas” sobre o desfecho de um processo que, da “forma pouco ortodoxa como foi conduzido”, acaba por espelhar o Portugal de então. No caso de tenente Carrajola, não apenas caiu a acusação de homicídio involuntário, como o próprio, quatro anos mais tarde, ainda viria a ser imposto cavaleiro da Ordem Militar de Avis, por proposta do ministro do Exército.
Só para ter uma noção da desproporção dos factos, Filipe Larotes, um dos soldados da GNR que acompanhou o tenente Carrajola na “diligência” ao monte do Olival, foi nesse mesmo ano, em outubro, detido por cinco dias porque “estando de sentinela, em Beja, abriu o portão e não só prestou incorretamente a continência”, como pela “forma embaraçada como se apresentou” deixou adivinhar “que não exercia uma vigilância perfeita como lhe competia o posto de serviço em que se encontrava”.
O regime de Salazar nunca fez publicidade a este julgamento e muito menos à sentença, “uma vez que, se calhar, teve medo que os populares se revoltassem contra esta inacreditável absolvição”, sustenta Pedro Prostes Pereira. Depois do 25 de Abril o processo “foi dado como desaparecido” e julgava-se mesmo que pudesse ter sido destruído durante a transição de regimes. O livro O Assassino de Catarina Eufémia, estampado pela Matéria-Prima Edições, tem prefácio do advogado Ricardo Sá Fernandes e chega esta semana aos escaparates.
Uma das mulheres erguia ao alto uma criança e gritava: “Mate a criança, mate a criança”. Destacando-se um passo ou dois mais da turba, completamente desvairada, pousou a criança que levava ao colo e depois de se erguer levou um sopapo do senhor tenente Carrajola. Com o sopapo, a mulher torceu o corpo, foi empurrada pelo senhor tenente e caiu, não se tomando a levantar.
Interrogatório a Fernando Nunes Ribeiro,  21 de maio de 1954
Sabendo agora que a tresloucada Catarina Eufémia era mulher de temperamento rebelde e turbulento e que fora de Quintos para Baleizão três ou quatro dias antes da tragédia, por conseguinte quando a sublevação deve ter sido começada a combinar, é sua convicção que a referida mulher se deslocara para Baleizão por iniciativa própria ou por instigação, para agitar e possivelmente dirigir o movimento.Interrogatório ao tenente Carrajola, 2 de junho de 1954
Centenas de mulheres ameaçavam todo o pessoal que se encontrava presente, chegando mesmo a apertarem-me o pescoço. Muitas mulheres agitavam foices e proferiam as maiores obscenidades, como “não queremos cá aquelas putas”; “cortamos as goelas àquelas putas que não hão de trabalhar aqui porque isto é nosso.
Interrogatório a José Vedor,  21 de maio de 1954
O povo tornou a invadir a propriedade gritando de tal maneira e fazendo gestos que pareciam pretos selvagens, tal como vi na fita do Gungunhana. O povo dirigia-se para o local onde as mulheres trabalhavam e onde se encontrava o senhor tenente, que começou a deslocar-se em direção à multidão, intimando-os bem alto a parar e a sair imediatamente da propriedade. O povo não obedecia e cada vez gritava e avançava mais e vi o senhor tenente apontar a arma para o ar e fazer muitos disparos. Apesar disso, continuaram a avançar mais, gritando e chamando o resto da população que, mais atrás, junto à estrada, estava concentrada, dizendo: “Venham dai’, venham dai’”. O senhor tenente continuava a avançar em direção à multidão e esta em direção a ele, até ao ponto de chegar junto da mulher que vinha na frente, dando-lhe nessa altura uma bofetada na cara.
Interrogatório a Artur Bagulho, 25 de maio de 1954 (ver fonte)

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Mais uma pérola da justiça portuguesa da qual Luaty Beirão acusa de promover a impunilândia.





mais uma vez a justiça portuguesa verga-se aos todo poderosos


Ministério Público não vai recorrer de decisão sobre 

Manuel Vicente

Tribunal da Relação de Lisboa remete para Luanda processo em que ex-vice-presidente angolano é suspeito de corrupção. Restantes arguidos da Operação Fizz continuam a ser julgados em Lisboa.





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O Ministério Público não vai recorrer da decisão tomada nesta quinta-feira pelo Tribunal da Relação de Lisboa de remeter para Luanda o processo em que o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente é suspeito de corrupção.
Questionada pelo PÚBLICO sobre o assunto, a Procuradoria-Geral da República respondeu ser seu entendimento que o acórdão dos juízes Cláudio Ximenes e Almeida Cabral não é passível de recurso.
O Ministério Público recusou-se por várias vezes a remeter o processo para Angola, como lhe pediram as autoridades de Luanda, por entender que aquele país não dava garantias de boa administração da justiça neste caso, uma vez que punha a hipótese de amnistiar o antigo governante, que hoje é deputado. Uma posição que havia de ser seguida também pelos juízes que estão a julgar, desde Janeiro, no Campus da Justiça, em Lisboa, os restantes arguidos do caso.
Manuel Vicente nunca se sentou no mesmo banco dos réus por as autoridades angolanas se recusarem a notificá-lo da acusação e da sua condição de arguido, uma vez que o ex-governante gozará de imunidade durante cinco anos contados a partir do momento em que deixou de ser vice-presidente. Ou seja, só poderá vir eventualmente a ser responsabilizado em Setembro de 2022.



Homenagem a Júlio Pomar

Artista plástico, militante activo contra a ditadura, democrata e cidadão íntegro, Júlio Pomar morreu hoje em Lisboa aos 92 anos.

Júlio Pomar nasceu a 10 de Janeiro de 1926, em Lisboa, cidade onde frequentou a Escola António Arroio e depois a Escola de Belas Artes de Lisboa e do Porto, que abandonou em 1944 na sequência de um processo disciplinar. Expôs pela primeira vez, em grupo, em 1942, em Lisboa, e individualmente, em 1947, no Porto, onde apresentou desenhos.

No período pós II Guerra Mundial, Júlio Pomar foi influenciado por escritores neo-realistas como Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes e por artistas plásticos como o pintor brasileiro Portinari ou os muralistas mexicanos Diego Rivera, Orozco e Siqueiros, usando a arte como forma de intervenção sócio-política.

Integrou o Movimento de Unidade Democrática (MUD) e participou nas lutas estudantis, o que lhe custou a expulsão da ESBAP e, em 1945, filiou-se na Juventudes Comunistas. Foi preso pela PIDE durante quatro meses na década de 40 por pertencer à direcção do MUD- Juvenil e viu a apreensão de um dos seus quadros pela polícia política e a ocultação dos frescos de mais de 100m2 realizados para o Cinema Batalha no Porto. Permaneceu em Portugal até 1963, ano em que fixou residência em Paris, num exílio que durou 20 anos.

Em 1945 dirige a página semanal de arte do diário A Tarde (Porto), onde divulga o trabalho dos muralistas mexicanos. Nos anos que se seguem colabora com críticas e textos de intervenção estética em revistas como Mundo Literário (1946-1948), Seara Nova, Vértice e Horizonte.

Em 1949 é afastado do lugar de professor de desenho no ensino técnico devido à sua participação na candidatura presidencial de Norton de Matos.
Além da vastíssima obra de pintura, desenho, escultura, cerâmica e gravura, Júlio Pomar escreveu "Catch Thème et Variation", "Discours sur la Cécité du Peintre", "...Et la Peinture?", os dois últimos traduzidos por Pedro Tamen com os títulos "Da Cegueira dos Pintores" e "Então e a Pintura", e duas colectâneas de poesias "Alguns Eventos" e "TRATAdoDITOeFEITO".

Júlio Pomar instituiu em 2004 uma Fundação com o seu nome. Em Abril de 2013 foi inaugurado o Atelier-Museu Júlio Pomar, criado pela Câmara Municipal de Lisboa, em edifício que adquiriu em Lisboa, reabilitado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira.
(URAP)
Os 92 anos do artista que pintou de todas as maneiras from Público on Vimeo.