quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Os pobres de direita atacam o trabalho da grande Renata Cambra

 

E a ironia torna-se ainda maior quando vemos quem participa nestes ataques.
O trabalhador que ganha mil euros, conduz um Fiat Punto com vinte anos, vive de salário em salário e está a um aumento de renda de ficar sem casa aparece, orgulhosamente, a defender os interesses de quem tem dez Lamborghinis.
E ainda se considera um rebelde contra as elites!
É o explorado a fazer de guarda-costas do privilegiado, enquanto ataca quem questiona os privilégios.
Não significa que todas as pessoas com dificuldades económicas pensem assim.
Felizmente, a maioria das pessoas não precisa de ser rica para ter dignidade, nem de ser pobre para ter consciência social.
E é precisamente aqui que quero chegar.
Eu posso não concordar com tudo o que Renata Cambra defende.
Posso até discordar profundamente do destino final que imagina para a sociedade.
Mas uma coisa é a direção.
Outra, muito diferente, é o destino.
Se passarmos a vida a discutir qual deve ser o destino final, talvez nunca saiamos do mesmo lugar.
Mas se concordarmos que devemos caminhar para uma sociedade com menos desigualdade, melhores salários, habitação acessível, mais oportunidades e maior dignidade para quem trabalha, então já temos uma direção comum.
E não tenho qualquer problema em acompanhar alguém nesse caminho, mesmo sabendo que, mais à frente, poderemos discordar sobre onde parar ou que estrada seguir.
Porque a política também deveria ser a capacidade de reconhecer aquilo que nos une, sem exigir que todos pensemos exatamente da mesma maneira.
Não precisamos de concordar sobre o destino para caminharmos juntos na direção certa.
E muito menos precisamos de nos ajoelhar perante quem nos quer impedir de caminhar.
O problema não é alguém nascer com privilégios e querer uma sociedade mais justa.
O problema é haver quem esteja no fundo da escada e passe a vida a dar pontapés em quem lhe tenta estender a mão, enquanto segura a escada para quem está no topo.
E talvez seja essa a maior vitória de qualquer máquina de propaganda... convencer pessoas de que estão a lutar pela própria liberdade quando, na realidade, estão apenas a defender os interesses de outros.
Não é preciso concordar com Renata Cambra para perceber a diferença entre discutir ideias e participar numa matilha.

É preciso apenas ter a independência de pensamento necessária para não confundir uma coisa com a outra.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Toma lá e embrulha!

 




Quem é Tomás Frazer, o "maestro" que dirigiu a música da Acampada: “Não estava ali para liderar as massas”

 


Tomás Frazer juntou-se a uma orquestra sem ensaios ou maestro formal e encontrou na Acampada do Rossio uma resposta ao fatalismo da sua geração: “A música deu-me esperança.”

“Vejam bem / que não há só gaivotas em terra”, ecoa o coro no Rossio. À frente de dezenas de músicos, Tomás Frazer levanta os braços e procura impedir que as vozes, as cordas e os sopros se desencontrem. A canção de José Afonso serve a banda sonora do protesto pela habitação, mas aquilo que se forma no centro da praça conta também outra história: a de uma orquestra que apareceu sem audições, hierarquia, sala de ensaios e estrutura rígida, criada pela violinista Maria João Matos, José Conde, Leonor Palha, Carlota Ferreira e Catarina Valadas, todos músicos.

No domingo, 1 de novembro, poucas horas depois de uma intervenção policial no Rossio, milhares de pessoas regressaram à praça. Terminada a assembleia popular, parte da multidão permaneceu para ouvir a Orquestra da Acampada, acompanhada pela Primavera de Coros. O concerto começou por volta das 19h30 e terminou com Grândola, Vila Morena. Depois, as palavras de ordem regressaram e Bella Ciao continuou a ouvir-se entre os manifestantes.

Frazer, de 32 anos, músico, maestro e compositor luso-britânico que dirige informalmente a Orquestra Académica Portuguesa (OAP), não esteve no começo da orquestra. “Genuinamente, a organização não passou tanto por mim. Juntei-me a meio e acabei por dirigir”, explica. Alguns músicos começaram por contactar a Acampada de Lisboa; seguiram-se chamadas nas redes sociais e as pessoas foram aparecendo. Umas escreveram arranjos, outras escolheram as peças ou carregaram cadeiras. “Foi uma coisa profundamente orgânica. Eu vim, quis ajudar e juntei-me ao grupo.”

Não houve um primeiro ensaio porque não houve ensaio algum. Acertaram-se o dia e a hora com a organização da acampada; o repertório foi ganhando forma através do consenso possível. Depois, “foi chegar e tocar”. A instabilidade fazia parte do dispositivo; músicos que não se conheciam, níveis de experiência diferentes e uma praça aberta, na qual o público também podia transformar-se em coro.


Por isso, Frazer resiste quando lhe atribuem a propriedade musical do projeto. “Eu não sou o maestro da orquestra”, corrige. Voluntariou-se porque tinha experiência, confiança para dirigir e uma ligação à  – movimento que utiliza o canto coletivo e a música de intervenção no espaço público como forma pacífica de protesto, celebração e resistência comunitária.

A sua função não era impor uma leitura, mas manter o conjunto unido. “Um bom maestro tem de refletir, acima de tudo, a vontade e as necessidades do grupo. Não estava ali a liderar as massas. Agitei os braços para que não nos perdêssemos e pudéssemos cantar mais alto e com mais confiança.”

Formado como barítono clássico, Frazer fundou este ano a , uma formação profissional de música de câmara. Trabalha tanto com profissionais como com amadores e procura frequentemente associar os concertos a causas concretas — meses antes, organizara uma atuação de apoio aos bombeiros voluntários de Samora Correia. “Vivo a música a acreditar que que ela tem sempre um propósito.”

 A orquestra reuniu pessoas que nem sempre tinham participado nas noites da acampada, mas também músicos atingidos diretamente pelo que acontecera na praça. Frazer recorda Catarina, uma flautista que, segundo conta, foi atingida na nuca durante uma das intervenções policiais. "Apareceu para tocar com uma almofada de pescoço, daquelas usadas em viagens de avião, para conseguir segurar a flauta de pé", partilha. “Havia pessoas no meio que levaram pancada. Eu não. Só estive nos protestos diurnos.” (Sábado)

Na ilha da Madeira político que não vai à igreja não tem votos para ser eleito

Se  puder desfilar em procissões com imagens de barro às costas ainda melhor

 
Representante indicado por Víctor Freitas ao actual presidente da República por serem amigos na JS

Liliana Rodrigues publica novo Livro depois de ter conseguido a vitória em tribunal contra os seus colegas maldizentes

 


Líder da acampada de Lisboa fala à imprensa após a comunicação do 1º Ministro

 

Amigo maior que o pensamento !