O caso da agente de execução Maria João Marques, que é acusada de desviar 352 mil euros de 15 processos de cobrança de dívidas, um dos maiores, mais complexos e antigos processos penais que aguardavam julgamento na Comarca da Madeira, sofreu um novo percal-ço. Isto porque a principal arguida alegou que o tribunal que tem competência para julgar a acção é o de Cascais. A juíza do tribunal do Funchal aceitou esta perspectiva e ordenou a remessa dos autos para o continente. É mais um atraso num processo que já leva mais de 12 anos. Os crimes correm agora risco de prescrição.
Foi há precisamente um ano que a juíza de instrução do tribunal do Funchal confirmou a acusação do Ministério Público deste gigantes-o processo, constituido por 2‹ volumes, com quase 10 mil pági-nas, além de 98 volumes apensos.
A agente de execução Maria João
Marques, o seu marido Rui Marques e a funcionária madeirense Ana Cristina, bem como a empresa 'Oceanflowers SFPS', controlada pelos três arguidos, deveriam responder pela prática dos crimes de peculato, branqueamento de capitais e falsidade informática. A ex-agente de execução era ainda pronunciada pelo crime de falsificação de documento.
O processo, que foi alvo de denúncias públicas, segue agora para Cascais, por ordem do tribunal do Funchal.O processo foi remetido para julgamento no tribunal do Funchal (Edifício 2000). Acontece que Maria João Marques e o marido contestaram essa pronúncia.
Além de manifestarem o seu "re-púdio (...) por terem sido alvo de investigação criminal de forma persecutória (...) durante mais de 9 anos", alegaram que o tribunal com competência para julgar o processo era o de Cascais e não o do Funchal, por ser aquele que abrange a área na Parede onde ¿ agente de execução tinha o seu escritório profissional. O procurador do Ministério Público foi chamado a se pronunciar sobre a questão e concordou que os argui-dos tinham razão na invocação da incompetência territorial.
Após análise do problema, a 13 de Janeiro passado, a juíza Teresa de Sousa, que presidia ao colectivo do Funchal a quem foi distribuído o processo, assinou um despacho para remessa do processo para o Juízo Central Criminal de Cascais.





