sábado, 22 de agosto de 2026

‘Protegida de Montenegro’ na ERC: Rita Rola recebe ‘avença’ mensal de 6.166 euros por uma deslocação semanal (de avião) a Lisboa

 Durante séculos, sinecura passou a designar um cargo ou benefício que assegurava prestígio e remuneração sem exigir presença regular, responsabilidade efectiva ou trabalho proporcional à retribuição. O termo nasceu da expressão latina sine cura — “sem cuidado” — e acabou por se transformar no símbolo dos lugares distribuídos por conveniência política, nos quais o estatuto prevalece sobre a função.

Esta é precisamente a imagem que, na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), se associa ao mandato de Rita Rola, advogada do Porto escolhida, no final de 2023, para integrar o Conselho Regulador como quinto elemento, eleito por cooptação. Sem experiência conhecida na área dos media, da regulação da comunicação social ou do jornalismo, Rita Rola, de 46 anos, ocupa um dos cargos mais bem remunerados da entidade, com um vencimento de 6.166 euros mensais, que inclui despesas de representação.


Rita Rola, membro cooptado para a ERC com ‘dedo’ do primeiro-ministro. Foto: ERC.

A sua presença pública e institucional é, porém, praticamente invisível. E existe uma razão que poderá ajudar a explicá-lo: mantém a sua vida pessoal e uma parte substancial da actividade profissional na região do Porto, onde reside e permanece associada a duas instituições privadas de ensino superior. Nas anteriores composições da ERC, procurava-se que o quinto elemento do Conselho Regulador — cooptado pelos quatro membros eleitos pela Assembleia da República — fosse uma personalidade de reconhecido mérito, frequentemente oriunda do jornalismo, do direito da comunicação, da academia, da magistratura ou de um percurso ligado à liberdade de imprensa e à regulação dos media. A escolha de Rita Rola, em Novembro de 2023, constituiu, por isso, uma surpresa no sector. Era praticamente desconhecida entre jornalistas e especialistas em comunicação social. Na política, porém, tinha ligações relevantes.

Licenciada em Direito e doutorada pela Faculdade de Ciências Jurídicas e do Trabalho da Universidade de Vigo, Rita Rola construiu a carreira sobretudo na advocacia, dedicando-se às áreas da violência doméstica e da violência contra a família. Exerceu ainda funções de juíza social no Tribunal de Família e Menores do Porto e de jurista na delegação da Cruz Vermelha da Póvoa de Varzim, no apoio a vítimas de violência doméstica. Em paralelo, desenvolveu actividade docente no Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo do Porto (ISCET) e na Universidade Fernando Pessoa.

Até chegar à ERC, era uma figura pouco conhecida mesmo no meio jurídico. Segundo o seu site, exercia num escritório no n.º 63 da Praça do Império, no Porto, na mesma morada onde funciona a PGA Advogados e onde trabalha Benedita Aguiar-Branco, sobrinha do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco. Segundo apurou o PÁGINA UM, porém, esta ligação familiar não terá estado na origem da sua escolha para o regulador dos media.

A principal ligação política conhecida de Rita Rola encontra-se num patamar superior. Embora não haja indicações de militância no PSD, esta advogada desempenhou durante vários anos as funções de secretária da Assembleia Municipal de Espinho — passagem que não consta do currículo público. Entre 2009 e 2013, assumiu em diversas ocasiões a presidência em exercício daquele órgão, substituindo Luís Montenegro, então presidente da Assembleia Municipal, que, desde 2011, acumulava o cargo com a liderança do grupo parlamentar social-democrata.

A composição do actual Conselho Regulador resultou de um delicado equilíbrio político. Helena Sousa e Carla Martins terão sido indicadas pela esfera do Partido Socialista, enquanto Telmo Gonçalves e Pedro Gonçalves surgiram associados à área social-democrata.

Nos bastidores parlamentares, numa fase em que o Governo de António Costa atravessava um período de crescente fragilidade, a informação recolhida pelo PÁGINA UM aponta para que Luís Montenegro tenha feito prevalecer o nome de Rita Rola para o lugar de quinto elemento cooptado. A sua entrada inclinou o equilíbrio interno para a esfera social-democrata — que, poucos meses depois, chegaria ao Governo — num regulador que se tem revelado permeável às influências do poder político.

Desde a tomada de posse, a actividade pública de Rita Rola relacionada com a ERC tem sido praticamente inexistente. Ao longo de cerca de dois anos e meio de mandato, são raríssimas as intervenções, entrevistas ou tomadas de posição que lhe são conhecidas. No próprio mural de Facebook do regulador encontra-se apenas uma intervenção sua no programa do Provedor do Telespectador da RTP, emitido em 19 de Julho de 2025, na qual surge a ler uma norma jurídica sobre a sinalização etária da programação.

Enquanto os restantes membros aparecem regularmente nas fotografias de encontros nacionais e internacionais — nos quais a presidente, Helena Sousa, participa habitualmente acompanhada por Carla Martins ou Pedro Gonçalves —, contam-se pelos dedos de uma mão as ocasiões em que Rita Rola surge em iniciativas públicas. E, nas poucas aparições identificadas pelo PÁGINA UM, repete-se uma particularidade: ocorreram à quinta-feira ou, com menor frequência, à quarta-feira. Ver Rita Rola em Lisboa às segundas, terças e sextas-feiras seria coisa de pasmar. Fim-de-semana nem pensar…

Desde o início do mandato são abundantes as fotos dos membros do Conselho Regulador da ERC em reuniões do sector (como esta com os membros da CCPJ em finais de 2023) sem a presença de Rita Rola. Foto: ERC.

Se for outro qualquer dia a semana, quase é garantido que Rita Rola não mete os pés no pequeno palacete de Santos, junto á Avenida 24 de Julho. Foi o caso da assinatura formal de um acordo de regulação com a RTP, SIC e TVI sobre os concursos telefónicos. Apesar do aparato — entre outros esteve Nicolau Santos, Ricardo Costa e Francisco Pedro Balsemão —, Rita Rola foi a única ausência do Conselho Regulador. a razão é simples. o dia 15 foi numa quarta-feira, incompatível com a sua agenda pessoal.

Segundo apurou o PÁGINA UM, Rita Rola desloca-se normalmente apenas uma vez por semana à sede da ERC, em Lisboa. Nessas viagens, terá optado habitualmente pelo avião entre Porto e Lisboa, regressando no próprio dia à região norte onde reside. O jornal verificou também que diversas deliberações do Conselho Regulador contêm a sua assinatura digital.

Este facto, por si só, não permite concluir que tenha participado remotamente nas respectivas reuniões, razão pela qual o PÁGINA UM lhe perguntou quantas vezes esteve fisicamente presente na sede da ERC e quantas participou à distância.

À semelhança dos restantes membros do Conselho Regulador, Rita Rola terá ainda uma viatura atribuída pela ERC. O PÁGINA UM não conseguiu, contudo, confirmar qual a utilização efectiva do veículo, se este permanece à sua disposição quotidiana ou se está reservado a deslocações em serviço. A conselheira não prestou, ao fim de mais de uma semana, qualquer esclarecimento sobre esta e muitas outras questões.

No passado dia 20, o PÁGINA UM dirigiu a Rita Rola um conjunto de 21 perguntas sobre as condições em que exerce, a tempo inteiro, o cargo de membro do Conselho Regulador da ERC. As questões incidiam, entre outros aspectos, sobre a sua residência habitual no Grande Porto, a frequência das deslocações às instalações da entidade, em Lisboa, o meio de transporte utilizado, a eventual atribuição de viatura, o número de reuniões em que participou presencialmente ou à distância e a compatibilidade entre uma alegada presença física limitada a um dia por semana e o regime de tempo inteiro inerente às funções.

Recorde-se que o Tribunal Administrativo de Lisboa intimou, por sentença do início deste mês, a ERC a mostrar os documentos associados aos registos dos veículos do Estado usados pelos membros do Conselho Regulador, que podem ainda recorrer da decisão até á próxima sexta-feira.

Única vez, nos ‘arquivos’ da ERC no Facebook em que Rita Rola surge em Lisboa sem ser na quinta-feira. Neste caso, como apresentadora de um orador num conferência organizada pela ERC. Também não se regista qualquer presença da jurista a representar o regulador em reuniões nacionais ou internacionais. Foto: ERC.

Um dos aspectos mais polémicos tem sido o uso aparentemente generalizado de vários dos membro do Conselho Regulador em usarem de forma discricionária os veículos do Estado na sua vida privada, incluindo quando vão dar aulas para complementar os seus ordenados no regulador.

Foram ainda solicitados esclarecimentos sobre a manutenção de actividades docentes, formativas e profissionais, o processo que conduziu à sua cooptação, as relações institucionais ou políticas com Luís Montenegro e com partidos, a passagem pela Assembleia Municipal de Espinho, uma eventual militância partidária, a situação do seu escritório de advocacia e quaisquer circunstâncias susceptíveis de suscitar dúvidas sobre a sua independência ou imparcialidade. Rita Rola não respondeu a nenhuma das perguntas enviadas pelo PÁGINA UM. Saliente-se que o regulador tem sido muito crítico sobre a exigência do contraditório quando se escreve sobre alguém. No caso em apreço, um membro do Conselho Regulador opta pelo silêncio.

Não se pode, contudo, dizer que não tenha reagido. de facto, depois de receber as perguntas do PÁGINA UM, a conselheira da ERC eliminou do seu site as referências ao escritório n.º 9 do n.º 63 da Praça do Império, no Porto, bem como os contactos telefónicos que partilhava com Benedita Aguiar Branco, sobrinha do presidente da Assembleia da República.Contudo, já prevendo que a informação pudesse ser alterada ou removida, o PÁGINA UM preservara previamente a versão original da página num arquivo digital, uma hora antes de enviar as questões a Rita Rola (não respondidas). Porque aquilo que se publica na Internet pode desaparecer de um site, mas nem sempre desaparece da Internet.

Ficou, assim, registada a tentativa de apagar as ‘impressões digitais’ de quem procura manter-se discreta por detrás da cortina, enquanto recebe cerca de seis mil euros mensais e beneficia das regalias associadas a uma sinecura com cheiro a Espinho. PÁGINA UM

O pato Bravo Paulo Nóbrega é dono do "Cristo Rei" e precisa de construir à volta da estátua apartamentos de luxo de um milhão de euros cada um

Paulo Nóbrega e Élia Ascenção são contra a adoração de imagens de escultura na freguesia do Caniço.
 Entretanto não há problema nenhum. Numa terra onde se veneram e adoram santos do barro e pedra esculpida. Há muitos mais bonecos de barro para adorar por toda a ilha do que o mamarracho de pedra existente no chamado Cristo Rei. Paulo Nobrega entendeu isso muito bem e proibiu o culto às imagens de escultura nos seus terrenos.


O JM do
meia saca escreveu a propósito:

«A sociedade que é dona de todos os espaços envolventes já comunicou à Câmara de Santa Cruz que se responsabiliza pelas obras decorrentes do temporal de 27 de março. A Autarquia elogia e agradece.

Celeridade

A sociedade Great Potencial Lda, que se diz proprietária das piscinas, ‘courts’ de ténis, miradouros, estradas, veredas de acesso, vigia das baleias e ainda do monumento ao Sagrado Coração de Jesus (conhecido por Estátua do Cristo Rei), já informou a Câmara Municipal de Santa Cruz, da intenção de recuperar o monumento que foi atingido pelos relâmpagos do temporal do último 27 de março. Comunicou também da intenção de solicitar, previamente, ao Laboratório Regional de Engenharia Civil, um parecer técnico, que aponte os danos ocorridos bem como quaisquer outras patologias que possam existir e que recomende quais as melhores técnicas e materiais para proceder à referida intervenção. Isto mesmo foi garantido ontem ao Jornal, por Paulo Nóbrega, diretor comercial da sociedade proprietária do espaço em questão.

Paulo Nóbrega adiantou que assim que a sociedade esteja na posse do relatório do LREC, contactará as várias empresas existentes, especializadas em restauros de obras de arte e monumentos em betão, de modo a obter cotações, procedendo, de seguida, à sua adjudicação, de modo a que, o mais breve possível se iniciem os trabalhos.

Entretanto, a Proteção Civil procedeu à sinalização e interdição do local, de modo a evitar qualquer ocorrência face aos danos que o monumento apresenta e que poderiam colocar em perigo, a integridade física dos visitantes. Paulo Nóbrega diz que assim que a Câmara Municipal de Santa Cruz autorize as obras, a sociedade Great Potencial Lda irá proceder à montagem de uma estrutura que salvaguarde a integridade do monumento e permita que os técnicos possam aceder, de maneira segura, à estátua.

Paulo Nóbrega aproveitou a oportunidade para recordar que, na altura da queda de parte do manto, os trabalhos foram feitos pelos serviços da Câmara Municipal mas com a autorização e supervisão da anterior proprietária do espaço: a sociedade InterMarina SA. No entanto, face à extensão dos danos agora ocorridos, torna-se premente, segundo Paulo Nóbrega, proceder a um estudo aprofundado de modo a ser devidamente estudada e ponderada, qual a melhor forma de recuperar e preservar o monumento.

Contactada pelo JM, a Autarquia de Santa Cruz confirmou o interesse da sociedade em intervir na recuperação da Estátua e regozijou-se com tal situação [logo, após o temporal, a Autarquia ponderou pedir apoio ao Governo Regional], tendo em conta que o espaço é um local de interesse para todos os madeirenses e turistas. Quer de inverno, quer verão, aquela zona é muito visitada não só por locais, como por turistas e há, inclusive, peregrinações.» (JM)


Saturnino e a enfermeira Bruna Gouveia além de viverem toda a vida à sombra dos tachos do Regime; querem perpectuar o culto às imagens de escultura na freguesia do Caniço.
 Apoiam o obscurantismo religioso que lhes dá muitos votos.
Bruna Gouveia apoia a veneração das imagens religiosas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Porque existe o silêncio de DEUS? Reflexões de José Sarmago no evangelho segundo Jesus Cristo

 ,



«O mundo jamais será tranquilo enquanto não se extinguir o patriotismo da raça humana»---Bernard Shaw

 


Dr.João Bosco presidente da Assembleia Municipal de Machico no dia da cidade do Funchal

 

Aqui temos o dr João Bosco e sua esposa aqui ao lado do direitolas de S. Vicente eleito pelo partido CHEGA
O poeta Emanuel Bento aparece nesta foto com novo visual, foi obrigado a trair os lutadores do Jornal Garajau grupo do qual fazia parte para obter um empregozinho afim de garantir a sua sobrevivência.

O padre José Luís Rodrigues critica o desvirtuamento do culto à virgem Maria praticado pela maioria dos seus colegas de sacerdócio

 

O género da Igreja Católica
Tem dois géneros. No discurso é «mãe e mestra» (até se pode aludir a uma Encíclica do Papa João XXIII com este título «Mater et Magistra»).
Para o discurso do clero a igreja é feminina, é mãe, mesmo que em tantas vezes nas ações clericalista exceda sobremaneira as ações de uma reles madrasta.
Na sua forma, a Igreja Católica, não passa além da masculinidade, porque só o macho tem direito a ser «eleito ou escolhido por Deus» para receber o Sacramento da Ordem e integrar a hierarquia.
Tudo é masculino, desde Deus pai e Jesus filho até o Papa, ao bispo e ao padre. No pensamento geral, umas vezes velado e outras concretizado, o melhor que se pode desejar na organização das sociedades é o «pater famílias», o senhorio feudal, que tem poder sobre a vida e a morte dos seus familiares.
A Igreja Católica tal como a conhecemos resulta, não apenas da vontade divina, mas também da diabolização humana de Eva, a impertinente e indisciplinada mulher que as origens apresentaram.
Por isso, Eva foi substituída pela submissa Maria, virgem e mãe, convertida numa idealização da figura de Nossa Senhora, moldada pelo olhar totalmente masculino, que não passa de uma poderosa manifestação da misoginia reinante.
A única mulher que ainda escapa a alguma tolerância são as mães do clero, embora muitos deles já tenham tirado de si mesmos o lugar da mãe humana e colocado em seu lugar a idealizada Nossa Senhora das imagens e do discurso das palavras vazias sem qualquer possibilidade de existência concreta nesta vida.
Desde o momento em que Maria deixou de ser a Maria de Nazaré, a mulher sábia e ativa do Magnificat no Evangelho, para ser a mediocridade das imagens com a sua profusão infinita de títulos (muitos deles soando tão esquisitos que até Maria de Nazaré deve rir-se deles), veio não um exemplo de mulher, mas uma semideusa que aquece emoções e alimenta o pretexto para desprezar as outras mulheres, que são desvalorizadas e consideradas inferiores ou incapazes.

A par disto tudo vamos vendo como tolera e se submete a tudo isto a própria mulher, que tantas vezes encabeça movimentações sociais para defender absurdos anticristãos, antidivinos e desumanos que nos apareciam arrumados no fundo dos baús da história. JLR
Padre José Luís Rodrigues

Padre António Magalhães de Sousa

O DEUS MAMOM NO TRONO DO ALTAR:
A PROFANAÇÃO DAS “FESTAS RELIGIOSAS”


 «As festividades que anualmente são organizadas em honra dos santos e da Virgem Maria são momentos, para muitos, marcantes na vida das comunidades. No entanto, quem olha com atenção e serenidade para a forma como muitas destas celebrações se desenrolam não pode deixar de sentir uma profunda inquietação. O que deveria ser um ato de fé e de louvor transformou-se, em muitos casos, num arraial profano onde o sagrado serve apenas de pretexto para o excesso.

É doloroso constatar que aquilo que se promove em nome do Evangelho é, tantas vezes, o oposto dos seus ensinamentos. Gastam-se quantias exorbitantes de dinheiro em conjuntos musicais e fogos-de-artifício, alimentando uma vaidade patética e um bairrismo sem sentido, cujo único objetivo é mostrar que uma terra faz "mais e melhor" do que a vizinha. Esquece-se, assim, o princípio cristão de que a mão esquerda não deve saber o que faz a direita, trocando-se a discrição e a caridade pela ostentação pública.

Esta incoerência torna-se ainda mais evidente na conduta de quem assume a organização destas festas. Assiste-se ao desplante de ver pessoas que desprezam a Eucaristia dominical (o centro e o Santo dos Santos da vida cristã) a aparecerem nos dias do arraial a pavonearem-se como devotos exemplares. Carregam as imagens sagradas aos ombros com uma desfaçatez de que parecem nem ter consciência, transformando um ato de veneração num desfile de orgulho pessoal.

O cúmulo desta profanação vislumbra-se numa tradição particularmente ofensiva que teima em persistir em algumas zonas da diocese: a colocação de fitas nas imagens dos santos para que os fiéis ali prendam notas de dinheiro durante a procissão. Este ato, camuflado sob a capa de uma suposta promessa ou devoção popular, esconde uma distorção grave do sentido do sagrado. À medida que o cortejo avança pelas ruas, assiste-se a um espetáculo degradante onde a figura do santo vai sendo progressivamente sepultada sob camadas de papel-moeda. No final da procissão, a imagem que deveria inspirar recolhimento, oração e imitação das virtudes evangélicas desaparece por completo. O que fica exposto aos olhos de todos já não é o rosto de um servo de Deus ou da Virgem Maria, mas sim a exibição ostensiva e triunfal do deus Mamom, o ídolo do dinheiro e da riqueza material.

Esta inversão de valores assume contornos ainda mais graves pela indiferença generalizada que a rodeia. Ninguém parece incomodar-se com esta indecência pública, que ocorre em plena via solene e sob o olhar cúmplice ou passivo da comunidade. A anestesia espiritual é tamanha que a profanação foi normalizada, porque a verdadeira prioridade das comissões de festa já não é o louvor divino, mas sim a garantia de um lucro avultado. O dinheiro arrecadado serve objetivos bem mundanos: assegurar o pagamento generoso ao clero (garantindo o silêncio ou a complacência de quem deveria zelar pela pureza da fé) e acumular fundos para continuar a estourar em vaidades, como palcos cada vez maiores e pirotecnia ruidosa.

Os santos são, assim, instrumentalizados e trazidos à rua com o único propósito de servirem como agentes de angariação de fundos. A procissão deixa de ser um ato comunitário de caminhada na fé e passa a ser uma mera transação comercial ambulante, onde o sucesso é medido exclusivamente pelo saldo financeiro positivo. Ao cobrir as imagens sagradas com notas e ao focar a atenção do público na quantia ali exposta, adota-se uma postura de exibicionismo e mercantilização que atenta contra o pudor cristão. É uma dinâmica de espetáculo e apelo visual que, pela sua falta de respeito e pela mercantilização do corpo e da imagem, lembra tragicamente os modos e os critérios usados nos cabarés, rebaixando o que é santo ao nível do entretenimento profano mais rasteiro.

Aqueles que beneficiam com este sistema, os chamados moderados que muitas vezes comem à custa dos santos, apressam-se a defender estas tradições com o argumento de que as festas aproximam as pessoas, promovem o convívio e ajudam a descomprimir o dia a dia. O convívio e a confraternização são, sem dúvida, importantes e necessários na vida de qualquer comunidade. Contudo, impõe-se a pergunta: precisamos realmente de usar e profanar os santos para nos juntarmos? Não seríamos capazes de promover esses momentos de alegria e partilha sem fazer dos santos um mero pretexto ao ponto de os desrespeitar?

Criticar estes hábitos é, frequentemente, expor-se à incompreensão imediata e à revolta cega daqueles que não aceitam que se aponte o dedo às tradições vazias. Quem ousa questionar o sistema estabelecido é rapidamente rotulado como inimigo da festa ou da própria terra, pois a crítica mexe com o orgulho ferido e com interesses instalados. No entanto, o silêncio e a passividade perante a mercantilização e a profanação explícita do sagrado não são sinais de moderação ou respeito; são uma cumplicidade cobarde que desfigura e esvazia a nossa fé por dentro. Calar diante deste cenário é aceitar que a Igreja se transforme num mercado e os santos em mercadoria. É tempo de rasgar esta capa de hipocrisia e iniciar uma purificação corajosa das nossas festas, devolvendo-lhes de forma urgente a dignidade perdida, a sobriedade cristã e a verdadeira essência do Evangelho.»


(P. António Magalhães Sousa)

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Albuquerque vai ficar milionário à custa da construção do novo Hospital. Alerta o grande deputado Francisco Gomes

 

Francisco Gomes alerta para a roubalheira milionária que aí vem!
 Francisco Gomes, alerta para a roubalheira que aí vem.
 Albuquerque ainda vai ficar mais milionário do que o José Sócrates

📢 FISCALIZEM O NOVO HOSPITAL!


💰 Uma obra que devia custar 350 milhões vai custar MAIS DE 700 MILHÕES!

⚖️ O TRIBUNAL DE CONTAS já disse que a obra está CHEIA de situações que levantam suspeitas de fraude e de desvios de dinheiro público!

🚨 É muito claro que estamos perante um POÇO DE COMPADRIO E CORRUPÇÃO para meter dinheiro no bolso de certas empresas e de certos governantes!

🔎 Que se investigue!
📣 Que se exponha!
⛓️ Que os culpados RESPONDAM à Justiça!

Os corruptos atacam que denuncia os seus negócios à custa dos impostos dos contribuintes