Diamantino Alturas no JM do "meia saca"
"Meia Saca" anuncia no JM que Alturas vai reformar-se e abandonar o Sindicato da construção civil sem providenciar alguém preparado para o substituir.
Também ele nunca fez por isso. A única vantagem que tinha era o empréstimo de algumas salas e andares do sindicato alugadas às delegações sindicais da CGTP/IN.
É preciso no entanto reconhecer que no passado Diamantino Alturas fez grandes lutas contra os fascistas da FLAMA e os retornados das ex-colónias, quando ocuparam a Emissora Nacional na rua dos Netos no Funchal em 1975, organizou nessa ocasião os trabalhadores da construção civil que nessa altura trabalhavam na ERG* a empresa continental que construia o edifício do Casino e os trabalhadores da Madeirasol e vieram por ali abaixo e correram com os flamistas todos a toque de caixa e libertaram o posto emissor nessa altura ocupado.
(De salientar que nessa altura havia muitos trabalhadores do continente a trabalhar na empresa e tinham grande consciência de classe e com eles era possível fazer lutas).
Na Madeira só tinham três activistas confiáveis. Um era o mestre Gama de Madeirasol, outro o Edmundo Castro e o Carlinhos da UDP, (entretanto já falecido) Eram ambos carpinteiros da ERG.
Depois disso, Diamantino Alturas ocupou o edíficio da antiga Legião Portuguesa, que nessa altura tinha sido extinta pelo MFA e ali instalou o seu sindicato e durante algumas décadas alugou o rés do chão à empresa de móveis "Moviflôr".
Depois mais tarde, afirmou que pagou tudo aos respectivos donos do prédio com as respectivas receitas provenientes dos alugueres dos andares do histórico edifício que entretanto o Sindicato da Construção Civil lá foi recebendo.
Também alugava nessa altura um andar ao sindicato das bordadeiras da senhora Guida Vieira.
O Sindicato da Construção Civil e Diamantino Alturas praticamente viviam de rendas.
As eleições no sindicato eram sempre feitas com os votos de uma dúzia de pessoas, todas elas ligadas ao PCP e da confiança do Diamantino Alturas. Eram eleições praticamente para inglês ver, mas que tinham que ser feitas para cumprimento dos estatutos.
As relações entre o PCP/Madeira e o sindicalista Diamantino Alturas nem sempre foram pacíficas. No início dos anos 80 a DORAM do PCP e o deputado Mário de Aguiar verificaram que Diamantino Alturas não cumpria a sua missão de apoiar a USAM nas comemorações do 1º de Maio. Ele nesse tempo tinha uma equipa de ciclismo e levava os seus atletas a fazerem uma corrida no 1º de Maio organizada pelo Brazão de Castro que era na altura o secretário da educação e desportos do governo do fascista Jardim. Enfraquecia e desvalorizava deste modo a luta do partido e dos sindicatos da USAM apoiados pelo PCP, além disso, a coisa ainda mais grave, era que ele, ameaçava ir com armas e bagagens para a UDP arqui-inimiga do partido da rua da Carreira. Daí o secretariado do partido ter decidido fazer eleições dentro do sindicato e afastar o Diamantino Alturas (Isto foi no tempo do João Bernardino coordenador Regional) para isso o secretariado contactou o Norberto Castro e seu irmão Edmundo ambos carpinteiros de cofragens na ERG para se abalançarem a essa tarefa e fazerem uma lista apoiada pelo partido para concorrer às eleições lá do sindicato.
Mas depois foi o próprio Edmundo Castro a roer acorda e contar tudo ao Diamantino Alturas e deitar por terra as pretensões do secretariado do PCP, que na altura era composto pelo João Bernardino, pelo Mário de Aguiar , pela Filomena Ornelas pelo João Lizardo, Rogério Correia (o médico) e pelo Rui Nepomuceno.
Com os planos do secretariado do partido descobertos pelo Edmundo, o partido não teve outra alernativa senão fazer marcha atrás e apoiar a lista única do Diamantino Alturas à direcção do Sindicato. Tiveram que fazer como o Judeu:"Não podes morder, beija a mão".
Mas voltando à realidade concreta, os vilões madeirenses que nessa tempo trabalhavam na construção civil não queriam saber do sindicato para nada, porque não tinham qualquer consciência de classe. Trabalhavam à hora e não queriam descontos para a Caixa (segurança Social). Ainda hoje são assim!
Na construção civil só trabalhavam os tipos mais burros e analfabetos das freguesias rurais, eram todos anticomunistas primários e quem lhes falasse em direitos e greves era logo apelidado de comunista e hostilizado pelos burros analfabrutos.
Foi neste caldo de cultura que Alturas se eternizou em presidente do sindicato, nestes anos todos : Não havia eleições participadas porque os vilões não ligavam patavina àquelas importantes lutas, nem se inscreviam no sindicato sequer. Falar em direitos dos trabalhadores para os vilões do campo era nesse tempo e ainda hoje é, uma marca de cigarros! Não dizia nada para eles.
Resumindo e concluindo:
Agora quando Diamantino Alturas sair do sindicato (porque ninguém é eterno e a lei da vida não perdoa) já não terá ninguém para prosseguir o seu trabalho sindical.
O Sindicato cresceu com ele e morre com ele! Triste realidade!
Por isso meus amigos, já era de esperar que também por arrastamento a queda do PCP na Região Autónoma da Madeira fosse inevitável e se tornasse uma triste realidade.
Pudera! Apoiado com "revolucionários"cheios de ego como o Diamantino Alturas, outra coisa não poderia acontecer.
Lá se foi o PCP e desapareceu o seu deputado Regional.
Edgar Silva, desanimado; há muito que está de malas aviadas e já não quer ser cabeça de lista em eleições nenhumas pelo partido.
Ele também já se cansou de aturar vilões que procuram o partido para reivindicar caminhos, transportes e habitação e depois vão dar os votos todos ao PSD.
Grande Diamantino Alturas o teu trabalho e "obra" falam por si!
O teu PCP , praticamente desapareceu depois de tantas lutas inglórias para os vilões votarem sempre no PSD e seus ladrões, todos eles protegidos claro está, pelas juizas fascistas do Tribunal da Comarca da Mamadeira.
Agora! Até já contam com mais um fascista de peso, o juiz desembargador Paulo Barreto em representante da República, para Sicilia do Atlântico.
As forças democráticas na Madeira ligadas as conquistas do 25 de Abril, estão realmente em desvantagem e em queda vertiginosa com o poder destes fascistas todos.
Só nos resta agora fazer nossas as palavras do nosso maior poeta, Luís Vaz de Camões:
"Ditosa Pátria que tais filhos tem."
*Sociedade de Construções ERG operou na Madeira. Entre as suas obras mais emblemáticas na região destaca-se o grande complexo do Casino da Madeira, que integrou o próprio edifício do casino, um hotel de 5 estrelas e o Cine-Teatro. [1]











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