sábado, 16 de maio de 2026

Os juizes desembargadores fascistas da Relação de Lisboa: Rosa Maria Cardoso Saraiva, Diogo Coelho de Sousa Leitão e Ivo Nelson Caires Rosa condenaram Helena a pagar 7 mil e 500 Euros de Indemnização a um médico ruim que a operou sem necessidade

«Somos um país em  que o respeitinho reverencial pelos senhores doutores continua a ser  uma lei não escrita.»

Teixeira da Mota escreve no jornal Público:

 Sofrer, calar e pagar!

«A Helena pensava que vivia  num país europeu, mas, infelizmente, no passado dia 19 de Março, recebeu uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que a veio informar de que não é assim. Somos um país em que o respeitinho reverencial pelos senhores doutores continua a ser uma lei não escrita, com peso muito superior à Convenção Europeia dos Direitos Humanos. A história da Helena conta-se em não muitas palavras: tinha varizes no membro inferior esquerdo e dores no tornozelo esquerdo, e procurou um reputado cirurgião que, face aos exames efectuados, lhe comunicou que existia indicação operatória sustentada em dados clínicos e imagiológicos de instituições e pro ssionais diferentes — sendo a insu ciência da veia safena interna um dado objectivo e determinante para a indicação da cirurgia. E assim foi: Helena foi submetida a uma cirurgia às varizes, tendo assinado nesse mesmo dia, antes da operação, um documento designado de consentimento informado, de que constava, entre outras coisas, que compreendia que não havia “garantias de sucesso quanto aos objectivos visados”.  A cirurgia correu sem qualquer complicação, obtendo-se a oclusão da veia safena interna. E a história deveria acabar por aqui. Mas não acabou… Sucede que a Helena, numa consulta posterior à remoção dos pontos, comunicou que a dor no tornozelo se mantinha, e, para sua surpresa, foi informada de que a solução passaria agora por escleroterapia, mas só lhe tinham dito que não poderia apanhar sol nas duas semanas após a cirurgia. Para a Helena, a sua situação tinha-se agravado: passara a ter também dores na perna operada, na zona interior do joelho, com inchaço e um mal-estar geral permanente, sentindo-se “manifestamente pior do que antes da cirurgia”. E decidiu-se a apresentar uma reclamação junto do hospital, em que verteu toda a sua insatisfação… Dentro das diversas queixas que apresentava, afirmava, nomeadamente: “Fui operada sem qualquer necessidade, o que é grave. E este é o principal motivo por que estou a expor esta situação. Muito provavelmente, não fui a primeira paciente do dr. Abílio Lemos, nem terei sido a última a ser operada sem necessidade. Não considero ético o comportamento que Abílio Lemos teve comigo e recomendo que os actos médicos de Abílio Lemos sejam escrutinados, para evitar que outras pessoas sejam sujeitas a situações semelhantes.” Pensava Helena que podia contar livremente a sua insatisfação com os serviços que lhe tinham prestado, isto é, que podia dizer a sua opinião sobre o que se passara consigo, mas, no nosso país, os utentes não têm o direito de se queixar dos doutores, salvo, claro, se o zerem respeitosamente, pedindo desculpas por o fazer e com todo o cuidado para não pisarem uma qualquer invisível linha vermelha, sob pena de se tornarem criminosos. Foi o que aconteceu à Helena: reclamou e passou a ser uma criminosa. O hospital enviou a reclamação para a Entidade Reguladora da Saúde, que a comunicou à Ordem dos Médicos, que a passou ao cirurgião, que se queixou criminalmente, e, numa sentença confrangedora, Helena foi condenada, pelo tribunal de 1.ª instância, como autora de um crime de difamação agravada e em 2000 euros de multa.  O médico ficaria “curado” com 7500 euros de indemnização, que o tribunal fixou. Helena recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa, mas os juízes desembargadores Rosa Maria Cardoso Saraiva, Diogo Coelho de Sousa Leitão e Ivo Nelson Caires Rosa escreveram um acórdão em que, apesar de dedicarem várias páginas a recitar o artigo 10.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, bem como a doutrina do conselheiro Henriques Gaspar sobre a autoridade interpretativa do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), e ainda o princípio de que a liberdade de expressão vale também para o que “ofende, choca ou inquieta”, quando chegaram ao momento da decisão, zeram tábua rasa de tudo o que tinham escrito e voltaram ao antigamente... condenando, novamente, a Helena como uma criminosa, embora diminuindo-lhe a multa para 1000 euros. A indemnização ao médico, pelo seu lado, baixou para 3500 euros. Uma tristeza: este acórdão, com o seu efeito intimidatório, despreza a jurisprudência do TEDH sobre estas matérias, ignora a fulcral distinção entre a rmações de factos e juízos de valor, esquece que Helena não se queixara na praça pública, antes se tinha dirigido à entidade competente, e que se tratava de uma questão de interesse público. Além disso, não se pronuncia sobre a existência, ou não, de uma “necessidade social premente” da condenação de Helena, como o TEDH exige nas ingerências estatais na liberdade de expressão. Um acórdão que, inequivocamente, injustiçou Helena e diminuiu a qualidade de vida dos portugueses.»


«Aqueles que no passado combateram o futuro» João Abel Manta

 A expressão reflete o humor gráfico sarcástico e a contundente oposição que marcaram a sua carreira. O artista, falecido em maio de 2026 aos 98 anos, notabilizou-se sobretudo pela sua capacidade cirúrgica de caricaturar o regime do Estado Novo e o período conturbado do PREC (Processo Revolucionário em Curso) em Portugal.

Morreu João Abel Manta, que desenhou os contornos da liberdade

Morreu João Abel Manta, que desenhou os contornos da liberdade em Portugal

Morreu João Abel Manta, que desenhou os contornos da liberdade em Portugal

O artista plástico, arquitecto e cartoonista tinha 98 anos. Criou, entre muitas outras obras emblemáticas, o cartaz “O Povo está com o MFA” ou as Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar.

Artista plástico, arquitecto e cartoonista tinha 98 anos. Criou, entre outras obras emblemáticas, o cartaz  “O Povo está com o MFA
 João Abel Manta morreu ontem em sua casa, em Lisboa, aos 98 anos. O artista plástico, arquitecto, ilustrador e cartoonista fez muito em muitas áreas, como o projecto do Conjunto Habitacional na Avenida Infante Santo, em Lisboa, os desenhos para as tapeçarias do Salão Nobre da sede da Fundação Calouste Gulbenkian ou as ilustrações para A Cartilha do Marialva, de José Cardoso Pires. Mas, o que talvez toque mais fundo o imaginário português, de nitivamente desenhou os contornos da Revolução do 25 de Abril em cartoon. Sempre activo mas já resguardado da vida pública, deixa um legado multidisciplinar que atravessa décadas da criação artística portuguesa e da defesa da democracia. Dizia o jornalista Baptista-Bastos no PÚBLICO a 24 de Abril de 1999 que Manta não gostava que lhe chamassem o “cartoonista da Revolução”. Mas é com essa linha, grossa ainda por cima, que se descreve inevitavelmente o trabalho deste artista plástico multipremiado, militante no MUD Juvenil, autor do ziguezaguear da calçada portuguesa da Praça dos Restauradores ou do mural de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian. A mesma linha negra que sublinhava, logo após o 25 de Abril, que “O Povo está com o MFA”, cartaz que celebrava a aliança entre os portugueses democratas e o Movimento das Forças Armadas, pivô do golpe que deitou abaixo o Estado Novo. João Abel Manta nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1928, lho de pintores — Abel Manta e Maria Clementina de Moura Manta, também professores do ensino técnico, amigos do escritor Aquilino Ribeiro e ávidos viajantes. Até ao início da Segunda Guerra Mundial, viajou com eles pela Europa e viu Benito Mussolini em pessoa numa dessas saídas, em Veneza, e a Guernica de Pablo Picasso na Exposição Mundial de Paris de 1936. Estudou Arquitectura na então Escola a Superior de Belas Artes de Lisboa, licenciando-se em 1951. Poucos anos depois, os seus cartoons começaram a surgir na imprensa. Soube do 25 de Abril na manhã desse dia de 1974 e quando chegou à redacção do extinto Diário de Lisboa con rmou que era “um golpe de esquerda. Fiquei tão entusiasmado que nunca mais parei — comecei, nesse mesmo dia, a fazer tantos bonecos contam, em modo voo de águia com o dom do olhar retrospectivo, como o autor produziu febrilmente nos últimos estertores da ditadura e nos cio Anjos, em Algés, fez uma ampla resenha do seu legado. A partir do arquivo pessoal do artista, mostrou pela primeira vez em público os desenhos feitos na prisão de Caxias (1948) como preso político pela sua ligação ao MUD, e contou também com contributos de coleccionadores como os herdeiros do capitão de Abril Vasco Gonçalves. Pedro Piedade Marques, historiador de arte, editor e designer grá co, autor do livro dedicado a Manta na colecção Designers Portugueses, considerava em 2018 que João Abel Manque até sobravam para o dia seguinte!”, disse a Baptista-Bastos em 1999. “Desenhava freneticamente. Fazia aqueles cartazes todos para as campanhas de dinamização cultural.” Editou Cartoons 1969-1975 logo em 1975, as famosas Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar em 1978 e a Câmara Municipal de Lisboa lançou João Abel Manta, Pintura, 1991-2009 em 2009. Estes três livros Não gostava que lhe chamassem “o cartoonista da Revolução”, mas as suas linhas xaram essa época anos do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e da reinstalação do Portugal democrático, mas também o seu corte pessoal com esse momento e a sua dedicação à pintura nas décadas do país integrado na União Europeia. Pintara também, antes, nos anos da revolução, com as suas cercaduras e personagens bem delimitadas, que o realizador Abi Feijó até animou numa curta-metragem. Foi um dos alvos da censura durante o Estado Novo, em 1972, quando publicou no suplemento A Mosca, do Diário de Lisboa, um cartoon em que o escudo da bandeira portuguesa era a boca de uma cançonetista, lançando farpas ao Festival da Canção. Foi absolvido. A propósito do caso, o seu advogado (e jornalista) José Eduardo Vasconcelos disse que dele caria “a memória de um grande artista que desceu à liça e pôs a sua arte ao serviço da luta pela inteligência crítica e pela liberdade”. No ano passado, a exposição João Abel Manta Livre, instalada no Paláta é o “mais importante artista grá co do último meio século” português, mas que permanecia mal servido, às vezes devido à sua própria resistência à celebração, pela escassa bibliogra a sobre o seu trabalho. A vastidão das suas áreas de acção também para tal contribuiu. Na cidade onde nasceu, viveu e morreu, deixa como obra, desenhada com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, os prédios da Infante Santo. E as cores ladinas em azulejo que acompanham quem sobe da Ponte 25 de Abril, passando sob o Aqueduto das Águas Livres, rumo à Praça de Espanha.



Morreu João Abel Manta, o ilustrador e cartoonista que imortalizou o 25 de Abril. Tinha 98 anos

 Morreu, aos 98 anos, João Abel Manta. Mais conhecido pelos cartoons com que retratou a revolução do 25 de Abril, afirmou-se também como arquiteto e artista plástico, responsável por marcos de Lisboa.

Morreu João Abel Manta na tarde desta sexta-feira. O arquiteto, ilustrador e cartoonista, cujo legado artístico ficou ligado intrinsecamente aos cartoons com que retratou a revolução do 25 de Abril de 1974, tinha 98 anos. A notícia foi avançada pelo Público e confirmada pelo Observador junto de fontes familiares.

Nascido em Lisboa a 28 de janeiro de 1928, seguiu um trajeto profissional no caminho dos pais, Abel Manta e Maria Clementina de Moura, pintores e professores, com quem viajou pela Europa até ao deflagrar da II Guerra Mundial. O crescimento num ambiente artístico privilegiado e que lhe permitiu, por exemplo, conviver com judeus alemães refugiados e saber o que se passava na Alemanha nazi, e desde cedo ter-lhe-á sido incutida a importância da liberdade e da resistência.Estudou arquitetura na então Escola Superior de Belas Artes e os seus cartoons pintaram a imprensa portuguesa ainda durante o Estado Novo. Em fevereiro de 1948, poucos dias depois de completar 20 anos, João Abel Manta foi detido pela PIDE e esteve duas semanas na prisão de Caxias, partilhando a cela com o artista Ernesto de Sousa, e onde não deixou de desenhar.

Alguns desses desenhos feitos na prisão foram mostrados pela primeira vez em 2024, numa ampla exposição realizada em Algés (Oeiras), onde também foi exposta a ficha de prisioneiro, na qual se lê que João Abel Manta foi preso a 1 de fevereiro de 1948 “por ser elemento do MUD [Movimento de Unidade Democrática] Juvenil” e “por receção e distribuição de material subversivo”.

Exposição “João Abel Manta: A Máquina de Imagens”, em Cascais, 2021

Enquanto arquiteto, desenhou escolas, cinco blocos de habitação em Lisboa, coassinou o projeto do complexo da Associação Académica de Coimbra, mas foi abandonando progressivamente esta atividade a favor das artes gráficas, face artística em que se afirmou a partir do final dos anos 60.

Ao tomar a decisão de desenhar para a imprensa, João Abel Manta “assumiu um ato de raro compromisso com um projeto revolucionário, não só esteticamente, como politicamente”, lê-se no catálogo da exposição de 2024. Diário de Lisboa e Diário de Notícias foram dois dos títulos com os quais João Abel Manta trabalhou, desenhando com feroz crítica sobre Salazar e a ditadura, praticando uma ginástica de subtilezas visuais para contornar a censura, da qual foi um alvo constante.

“Como cidadão achava que tinha obrigação de utilizar aquilo que eu sabia para defender as minhas opiniões ou auxiliar em certas coisas. […] Não sou capaz de escrever, mas faço bonecos”, disse João Abel Manta numa entrevista a José Jorge Letria, em 2010, com excertos recuperados para um documentário de Laurent Filipe, exibido em abril de 2024 na RTP.

Em 1972, ainda antes da revolução de 25 de Abril, João Abel Manta desenhou um cartoon, intitulado “Festival”, publicado na forma de um cartaz no suplemento “A Mosca”, do Diário de Lisboa, que lhe valeria um processo em tribunal por ofensas à bandeira nacional, e do qual seria ilibado. Também em 1972 sai o livro “Dinossauro Excelentíssimo”, de José Cardoso Pires, com cerca de duas dezenas de ilustrações do amigo de longa data, João Abel Manta, e que satirizava Salazar e a “primavera marcelista”.

Nas artes gráficas, João Abel Manta era considerado um mestre, tinha uma assinatura visual distinta, com o célebre e espesso contorno a negro como uma cápsula à volta das personagens, carregadas de simbolismo, sobre ricos e pobres, sobre política, costumes, trabalho e a condição das mulheres. Também foi um exímio retratista, de Eça de Queirós a Maria Helena Vieira da Silva.

Manifestante com cartoon de João Abel Manta numa manifestação do 25 de Abril

Acabou por ser o 25 de Abril a tornar o seu traço inconfundível. “Fiquei tão entusiasmado que nunca mais parei – comecei, nesse mesmo dia, a fazer tantos bonecos que até sobravam para o dia seguinte!”, disse, numa entrevista ao jornal Público, em 1999, em que admitiu que não gostava de ser o “cartoonista da Revolução”. Mas, até hoje, as campanhas de dinamização do Movimento das Forças Armadas  e o lema “O Povo está com o MFA” ocupam a memória coletiva — e as páginas dos manuais de História.

O enorme legado de Abel Manta serviu de inspiração para a capa da revista especial do 12.º aniversário do Observador, que vai para as bancas na próxima semana. Na capa, Henrique Monteiro retrata os líderes da direita portuguesa inspirando-se num cartoon de Abel Manta de 11 de julho de 1975, publicado n’O Jornal. Nesse desenho, vários nomes — vivos e mortos — da esquerda internacional contemplam, num quadro negro, “Um problema difícil“: o Portugal do Verão Quente de 75.

Em 1978, na sequência de uma temporada a viver em Londres, João Abel Manta publicou aquela que é considerada a mais relevante obra editorial do artista, o livro “Caricaturas portuguesas dos anos de Salazar”.

Anos depois, em particular a seguir à morte do pai, em 1982, João Abel Manta acabaria por se afastar do cartoon e dedicar-se sobretudo à pintura. Só revisitaria as artes gráficas em 1992, quando foi feita uma exposição retrospetiva no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa.

Apesar de, em todos estes anos, a obra ter sido cingida publicamente ao cartoon e às artes gráficas, João Abel Manta trabalhou com tapeçaria, gravura, azulejo, fez colagens, arte pública e cenografia para teatro; trabalhou da pequena à grande escala, do formato de um selo dos correios a um mural numa avenida. Assinou o projeto para as habitações da Avenida Infante Santo, em Lisboa, parte do desenho da calçada portuguesa na Praça dos Restauradores, e o mural de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian.

Exposição “João Abel Manta: A Máquina de Imagens” em 2021

Em abril de 2024, quando da inauguração da exposição em Algés, a neta do artista, Mariana Manta Aires, contou à agência Lusa que é ela que tem estado a conduzir este processo de inventariação e descoberta do que está guardado em caixas, gavetas e armários da família. Mariana Manta Aires revelou que na produção desta exposição ainda contou com a ajuda do avô, apesar de debilitado por razões de saúde.

Questionada pela Lusa, Mariana Manta Aires admitiu que a inventariação e a exposição em Algés eram o começo de um trabalho para dar a conhecer a obra de João Abel Manta e, no futuro, equacionar um espaço museológico próprio.

“O objetivo é que o trabalho do meu avô seja visto e admirado. […] Os cartoons, os desenhos de imprensa [que ele fez nos anos 1960 e 1970] não eram feitos para si, mas com um cariz social para que estivesse disponível e o povo os pudesse apreciar”, lembrou.

Seguro lembra “um dos artistas mais populares” e um “historiador em movimento”

O Presidente da República, António José Seguro, lamentou a morte de João Abel Manta, “um dos artistas mais populares” do país e um “historiador em movimento” que participou ativamente na luta contra a ditadura como cartoonista político.

“Foi com tristeza que o Presidente da República tomou conhecimento da morte de João Abel Manta (1928-2026). Com o seu desaparecimento, Portugal despede-se de um dos seus grandes artistas, um retratista que marcou a vida portuguesa nos anos imediatamente anteriores e posteriores à revolução do 25 de Abril de 1974, uma das referências mais importantes do cartoon político desde os anos 40 até à atualidade”, pode ler-se numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República.

Recordando a formação em arquitetura e a atividade noutras áreas, o chefe de Estado enalteceu que João Abel Manta se dedicou “mais intensamente, e desde bem cedo, à área do desenho e das artes gráficas, onde podia participar mais ativamente na luta contra o regime político da época”.

“Agraciado com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e com a Ordem da Liberdade, João Abel Manta retratou-nos a todos, incluiu-nos a todos nas suas preciosas caricaturas. Na verdade, ele foi um historiador em movimento e nada lhe escapou do que estava a mudar ou prestes a mudar-nos”, elogiou.

De acordo com Seguro, o artista “retratou os anos finais do salazarismo e da ‘primavera marcelista’ e, com renovada alegria e um sentido de humor muito original, acompanhou os primeiros anos da revolução de Abril e foi o caricaturista mais influente e mais conhecido dessa época”.

“Os seus retratos e caricaturas ou a sua capacidade de captar pormenores e de os transformar em grandes emblemas de um momento histórico, fazem de João Abel Manta um dos artistas mais populares do nosso país até hoje”, enfatizou.

A morte de João Abel Manta foi também assinalada pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto. “Morreu João Abel Manta, um talentoso artista da liberdade com vários ofícios. Deixa uma marca inquestionável na nossa história e imaginário, especialmente como cartoonista e ilustrador antes e depois do 25 de abril. Sentidas condolências à família e amigos”, escreveu Margarida Balseiro Lopes numa publicação no X (antigo Twitter).

https://observador.pt/2026/05/15/morreu-joao-abel-manta-o-ilustrador-e-cartoonista-que-imortalizou-o-25-de-abril-tinha-98-anos/

Não esquecer o massacre de Odessa

 Não esquecer o massacre de Odessa

 Assinalou-se no dia 2, sábado, 12 anos do massacre da Casa dos Sindicatos de Odessa, na Ucrânia. Nesse dia, em 2014, neonazis ucranianos atacaram, com a cumplicidade das autoridades golpistas, activistas que recolhiam assinaturas em defesa de um referendo sobre a federalização da Ucrânia e o reconhecimento do russo como língua oficial. Os activistas atacados procuraram abrigo na Casa dos Sindicatos, mas o prédio foi cercado e incendiado pelos bandos neonazis, cujos elementos seriam mais tarde integrados nas forças militares e policiais ucranianas. Foram confirmados oficialmente 48 mortos e mais de 240 feridos, mas o número de vítimas poderá ser superior. O massacre de Odessa é um dos simbolos da violência política dos grupos neonazis ucranianos que perpetraram o golpe de Fevereiro, que derrubou o presidente eleito Viktor Ianokovitch e colocou no poder forças xenófobas e fascistas, responsáveis directos pelo desencadear da guerra na Ucrânia em 2014. O golpe foi preparado, instigado e apoiado pelos EUA e pela União Europeia. Entre as primeiras medidas do novo poder golpista contam-se a ofensiva antidemocrática contra partidos políticos, sobretudo o Partido Comunista da Ucrânia e o Partido das Regiões, e os ataques aos direitos dos ucranianos de língua e cultura russa, maioritários e com forte presença em várias regiões do país. Os autores do massacre nunca foram julgados e condenados.


Os crimes de Israel continuam em Gaza

 

Israel, o designado povo de "um deus", no seu "melhor", a crueldade...
O embaixador de Israel na Dinamarca está a protestar contra a divulgação deste vídeo. Vamos fazer com que se torne viral para que chegue a todo o mundo.
https://www.facebook.com/reel/1594688174961174


sexta-feira, 15 de maio de 2026

José Nascimento o advogado Sul africano de origem madeirense é um homem de causas humanitárias é muito respeitado e escutado em vários países da CPLP e de todo o continente africano e nas Nações Unidas (ONU)

  Perfil do advogado de origem madeirense  José Nascimento (aqui na foto ao lado do jornalista Rui Marote):


 Exerce advocacia na República da África do Sul há quase 40 anos,

  Foi o líder do movimento de solidariedade com Timor Leste, quando Timor  ainda não estava na moda.

  Foi o líder do movimento de solidariedade pela auto-determinação do povo Saharui.

  Foi a pedido da Ministra de Saúde provincial, Presidente não executivo do Conselho de Administração dum hospital público, o South Rand Hospital com 200 camas durante 7 anos.

 Hospital esse que recebeu prémios da UNICEF durante a vigência da sua Presidência.
 Pelo seu trabalho e desempenho foi louvado pelas Autoridades Sul-africanas, no fim do seu primeiro mandato.

 Foi patrono duma escola secundária no Soweto que se tornou escola para projetos pilotos do governo e aonde se ensinou a lingua portuguesa, após a sua incentiva.

 Agraciado e condecorado internacionalmente com vários prémios e atribuições.


  Recebeu uma condecoração de Portugal pelo seu papel na promoção da lusofonia.

José Nascimento deu importante entrevista ao jornal moçambicano "Notícias"