municipol de lisboa. uma"política cultural de direita"que promovesse aristas
ligados à direita", a EGEAC (a empresa municipal de cultura de Lisboa) decidiu, sem explicações, despachar o diretor do Teatro do Bairro Alto (Francisco Frazão), expressamente referido na intervenção da deputada. Margarida Bentes Penedo queixou-se do que chamou *esta espécie de cultura panfletária" e de umas *porcarias sem público".
A EGAC seguramente com ni conhecimento de Carlos Moedas, aproveitou para, a par de Frazão, afastar Rita Rato, que, vencedora de concurso a que se apresentaram 60 candidatos, desde 2020 dirigia o Museu do Aljube, aberto em 2015.
*Fui elogiada pelo meu trabalho, mas não me foram dados motivos objetivos para a não renovação (da comissão de serviço)", explicou Rita Rato (PÚBLICO, 13.3.2026).
Perante o elogio unânime que foi recebendo ao longo destes anos pelo trabalho de consolidação do Aljube como um dos museus municipais mais visitados de Lisboa, é revelador que a EGEAC tenha aproveitado para, de entre 30 dirigentes da empresa,
"Tivrar-se" também de Rita Rato, sem uma explicação, sem poder invocar falta de resultados. Durante mais de quatro anos, o executivo Moedas não apontou problema algum à sua gestão. E não se pense que há "mandatos" destes diretores; há quem esteja, e bem, mais de 20 anos à frente de equipamentos culturais de Lisboa.
Custou muito criar o Museu do Aljube.
Quarenta anos depois do 25 de Abril, continuava a não haver política pública de memória da resistência à ditadura e de construção da democracia semelhante à de todos os países em que esta resultou da derrota do fascismo e da condenação do colonialismo e do racismo. O Aljube foi o primeiro museu criado em Portugal para organizar e documentar práticas pedagógicas que permitissem *dar a
conhecer o silêncio em que todo um povo foi..mergulhado, resgatando-o para ensinamento de toda a comunidade em articulação com as escolas, a cidade, a investigação em História contemporânea. E teve de ser uma autarquia a fazê-lo; só dez anos depois, em 2024, é que o Governo concretizou a transformação da fortaleza de Peniche em Museu Nacional Resistência e Liberdade. É muito preocupante que se procedaà substituição injustificada de uma diretora especialmente bem-sucedida, nomeando-se, sem um processo público de recrutamento, uma pessoa de curriculo no mínimo insólito - deputada municipal da mesma autarquia que gere o museu, nenhum trabalho conhecido nas políticas de memória democrática.
Aida Tavares, também ela "despachada" do Centro Cultural de Belém pela atrabiliária Dalila Rodrigues em 2024, recorda que, também nesse caso, "em nenhum momento foram postos em causa a qualidade técnica, o pertil ou os resultados demonstrados" pelo que o "processo parece configurar uma purga ideológica* (PÚBLICO, 14.3.2026). E tem razão. Esta é a enésima prova da convergência política (e da mesma falta de ética) entre a direita PSD/CDS/Il. com a ultradireita do Chega, e onde ela é mais fácil de se fazer, comprando as "guerras culturais* desta nebulosa do novo fascismo do século XXI.
Quando a deputada Penedo tentou organizar um pouco o seu discurso, saiu-lhe esta pérola: "Quando os eleitores escolhem governos de direita, escolhem também uma determinada conceção de cultura", pelo que se "precisa de uma política cultural coerente com o mandato político (de quem] governa" (Observador, 29.1.2026). É o que achava o SPN salazarista de 1933, é o que acham Trump, Meloni, Milei ou Orbán, que têm aplicado esta tese no ataque as políticas da memória, à educação, à própria ciência, como se houvesse uma "ciência de direita" e outra "de esquerda" na investigação sobre a mudança climática ou vacinas!
Em Portugal, há muito que as direitas (e os intelectuais que lhes fazem a opinião) abriram uma guerra à História, num processo que se conhece como "revisionismo histórico" e que tem na escravatura, no fascismo, na Guerra Colonial e na Revolução um amplo terreiro para o disparate e a provocação anticientifica.
E agora comportam-se como se tivesse havido uma mudança de regime. Onde julgam elas que estamos?
Manuel LoffHistoriador. Escreve quinzenalmente à terça-feira


Guerra no Irão vale milhões no mercado das apostas online. Jornalista ameaçado de morte para mudar artigo
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A merda jornalística tem aquilo que merece
EliminarMaior porta-aviões do mundo perde batalha para o próprio esgoto
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