terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Coelho no Correio da Manhã (filmes e fotografias)

http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/jose-manuel-coelho-pede-asilo-ao-principado-da-pontinha?ref=HP_Grupo1

Ricardo Araújo Pereira cria ‘sketch’ humorístico dedicado a José Manuel Coelho

Ricardo Araújo Pereira cria ‘sketch’ humorístico dedicado a José Manuel Coelho

Veja o vídeo do episódio chamado ‘Asilo político semi-chalupa’, da ‘Mixórdia de Temáticas’, emitido esta terça-feira na Rádio ComercialV

eja o vídeo do episódio desta terça-feira de ‘Mixórdia de Temáticas’, na Rádio Comercial, que ironizou com o pedido de asilo ao principado do Ilhéu da Pontinha por parte do deputado da Madeira José Manuel Coelho (PTP).

Isto porque, recorde-se, José Manuel Coelho foi condenado a um ano de prisão efectiva pelo Tribunal da Relação de Lisboa, cumprível ao fim-de-semana, em 72 períodos com a duração mínima de 36 horas e máxima de 48 horas, cada um, num processo interposto pelo advogado António Garcia Pereira.

Veja o vídeo original protagonizado por José Manuel Coelho aqui.


(ver dnotícias.pt)

Intervenções de hoje na Assembleia Regional da Madeira, da deputada Raquel Coelho do PTP


Fotos de caras e casos na RTP/Madeira
 Jorge Moreira o "comissário" político do PSD no Liceu do Funchal.
 Nivalda  Gonçalves substitui Ricardo Nascimento na Ribeira Brava como candidato do PSD
Susana Prada amiga dos guardas florestais

Freitas da "bilheteira"empresário hoteleiro ligado ao PSD
Jovem madeirense paraplégico após acidente com moto, acabam sendo vítima da Justiça Portuguesa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Coelho no «Página Global»

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017


O ILHÉU COELHO, O PRÍNCIPE DA PONTINHA E O BAILINHO DA MADEIRA, DEIXEM PASSAR…
EIS A MOSTRA DO SISTEMA ABUNDANTEMENTE AVACALHADO ONDE QUEM SE LIXA É SEMPRE O MEXILHÃO


Mário Motta, Lisboa

O deputado da Assembleia Regional da Madeira, José Manuel Coelho, airoso e conflituoso mas divertido e tantas vezes original, foi condenado a prisão pelo tribunal. O “crime” foi a prática de mais uma das suas “barracadas”. Elas são tantas que já nem dá para memorizarmos. Prisão? José Coelho disse logo que “nem pensar”. Meu dito, meu feito. Já encontrou modo de se refugiar em “país” seguro e assim aplicar o “prisão nem pensar”. Pediu asilo ao Principado da Pontinha, um ilhéu na Madeira, a 70 metros do Funchal e isolado por mar. Território independente em que o Príncipe da Pontinha é quem pode e manda. Ora como ali manda quem pode, o príncipe já deu asilo a José Manuel Coelho com todos os requintes legais, cartão de cidadão do principado e o que mais seja necessário.

Está-se mesmo a ver que estamos todos a rir que nem hienas. Até os olhos ficam marejados por causa desta situação insólita. Dirão alguns que rimos por causa "daqueles marados". Não só o deputado Coelho mas também o príncipe, senhor e dono do calhau que é o ilhéu diminuto… Mas principado. Legalmente outro país. E esta?!

Para saber sobre a história do principado acesse aqui. Para saber sobre os tais “marados”, o príncipe e o deputado Coelho tem muito por onde pesquisar. E não os veja como “marados” mas sim dois homens que gozam com este sistema putrefacto e se divertem a mostrar comprovadamente que o rei vai nu – que é como quem diz ou canta: “deixem passar esta linda brincadeira, vamos cantar e bailar a modinha da madeira…”

Abençoados ilhéus, mestres de colorir de ridículo os emproados que - a não ser à força – têm de comer e calar. Se for à força… Lá conspurcam uma vez mais a democracia e a legalidade. O costume de um país onde prendem cidadãos sem fazerem prova da prática de crime, sem acusação. E ao fim de quase quatro anos tudo se mantém na mesma, na dita investigação… Quem? José Sócrates, dos que são da mó de cima. Muitos outros haverá, mas desses nem se fala. São plebeus. Zés Ninguém. Não são colunáveis. Não vendem. Não fazem manchetes… Democracia? Justiça? Liberdade? Pois.

A José Sócrates ainda vão ter de indemniza-lo, e muito bem!

Quem se lixa é o mexilhão, sempre!

Segue-se a peça sobre Coelho, cidadão do Principado da Pontinha.

José Manuel Coelho pediu asilo político... ao ilhéu da Pontinha

O deputado madeirense não quer cumprir a pena a que foi condenado

O Tribunal da Relação de Lisboa condenou José Manuel Coelho a uma pena de prisão efetiva, com possibilidade de ser cumprida ao fim de semana, num processo interposto pelo advogado António Garcia Pereira. Agora, o deputado madeirense pediu asilo político ao autoproclamado ilhéu da Pontinha.

“Venho para aqui, refugio-me aqui, e a polícia da República portuguesa não me pode prender, o mandado de captura aqui não funciona porque isto não é território nacional, isto é um principado independente e reconhecido pelas várias instâncias internacionais e aqui estou a salvo”, explicou em declarações à TVI.

Já Renato Barros, autoproclamado príncipe do ilhéu, recebeu o deputado de braços abertos e prometeu defendê-lo. “Aqui a polícia portuguesa não entra, só se entrar à força, naturalmente, porque eles sabem que não podem entrar.

Recorde-se que José Manuel Coelho recorreu da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça. (Página-global)

O deputado José Manuel Coelho pede asilo político no Principado da Pontinha


Vídeo mostra como Coelho pediu asilo político ao principado da Pontinha para escapar à prisão

Existe um rochedo a cerca de 70 metros da cidade do Funchal, na Madeira, cujo proprietário autoproclamou independente em 2007. Chamou-lhe, ao terreno, principado do ilhéu da Pontinha e é lá que José Manuel Coelho procura asilo para escapar à pena de prisão a que foi condenado.O deputado madeirense foi condenado a um ano de prisão efectiva pelo Tribunal da Relação de Lisboa, cumprível ao fim de semana, em 72 períodos com a duração mínima de 36 horas e máxima de 48 horas, cada um, num processo interposto pelo advogado António Garcia Pereira. Em causa declarações proferidas em 2011 contra o advogado e antigo dirigente do PCTP/MRPP, a quem acusou de ser “agente da CIA” e de “fazer processos aos democratas da Madeira” a pedido de Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional.O acórdão da Relação tem a data de 26 de janeiro. Hoje, a TVI avança que José Manuel Coelho pediu asilo ao principado do Ilhéu da Pontinha. “Venho para aqui. Refugio-me aqui e a polícia da República portuguesa não me pode prender. O mandado de captura aqui não funciona porque isto não é território nacional”, defende o deputado do Partido Trabalhista Português (PTP) na reportagem da estação de televisão, dizendo que o território é independente e “reconhecido pelas mais altas instâncias internacionais” e mostrando o seu “cartão de cidadão” emitido pelo principado.O proprietário do ilhéu, Renato Barros, garante que os “países parceiros e amigos” do principado responderão a qualquer intervenção de força que venha a ocorrer no terreno, que, afirma, “é efetivamente um país, não importa o tamanho”.Renato Barros adquiriu o terreno em 2000 por nove contos, o que agora corresponderia a 45 euros, tendo declarado a sua independência em 2010. Três anos mais tarde, solicitou ao Estado Português o reconhecimento daquele território como “Estado soberano e independente”. (dnotícias.pt)


http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/jose-manuel-coelho-pede-asilo-ao-principado-da-pontinha?ref=HP_Grupo1



José Manuel Coelho pede asilo ao Principado da Pontinha Deputado do PTP condenado a um ano de prisão efetiva.
«José Manuel Coelho, o deputado madeirense do PTP condenado a um ano de prisão efetiva pelo Tribunal da Relação de Lisboa, pediu asilo ao autoproclamado Principado da Pontinha para evitar a pena. Trata-se de um ilhéu localizado a 70 metros da cidade do Funchal, na ilha da Madeira, que tem no autodenominado príncipe D. Renato Barros I a sua figura máxima. Em março do ano passado, o deputado madeirense tinha sido absolvido do crime de difamação pelo qual estava acusado devido a declarações proferidas em 2011 contra o advogado e antigo dirigente do PCTP/MRPP Garcia Pereira, processo no qual o antigo político pediu um euro de indemnização. VIDEOCoelho pede asilo político ao principado da Pontinha Deputado madeirense foi condenado a um ano de prisão efetiva por difamação. José Manuel Coelho tinha classificado o advogado Garcia Pereira de ser um "agente da CIA" e de "fazer processos aos democratas da Madeira" a pedido de Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional. As declarações do deputado madeirense foram publicadas pelo Diário de Notícias da Madeira, a 01 de abril de 2011, no âmbito da campanha eleitoral para a Presidência da República, na qual José Manuel Coelho se apresentou como candidato. O Tribunal da Relação de Lisboa considerou agora que as acusações feitas pelo deputado madeirense se mostravam "completamente desajustadas e desenquadradas do tema político a que supostamente visavam responder, apresentando-se como mera vindicta política, mas também pessoal".»

José Manuel Coelho pediu asilo político (ao ilhéu da Pontinha)
O deputado madeirense não quer cumprir a pena de prisão efetiva a que foi condenado, em janeiro passado, por isso espera encontrar asilo político no ilhéu da Pontinha, rochedo situado a cerca de 70 metros da ilha da Madeira.
José Manuel Coelho foi, no final de janeiro, condenado a um ano de prisão efetiva pelo Tribunal da Relação de Lisboa, cumprível ao fim-de-semana, num processo interposto pelo advogado António Garcia Pereira.
Em causa estão declarações, proferidas em 2011, nas quais afirmou que o ex-dirigente do PCTP/MRPP, era um “agente da CIA” e que fazia “processos aos democratas da Madeira”, a pedido de Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional.
Agora, de acordo com a TVI, o deputado madeirense encontrou uma forma de contornar a justiça e a pena de prisão decretada pelo Tribunal da Relação de Lisboa.
José Manuel Coelho pediu asilo político ao principado do ilhéu da Pontinha, que é nada mais nada menos do que um rochedo situado a cerca de 70 metros da ilha da Madeira.
O seu proprietário ou “príncipe”, Renato Barros, ficou conhecido, em junho do ano passado, graças ao documentário “Um sonho soberano”.
A obra cinematográfica relata o “sonho” deste Príncipe Renato II, O Justo, conforme se auto-denomina, que comprou o ilhéu, em 2000, e que, em 2007, declarou a sua independência do nosso país.
“Venho para aqui. Refugio-me aqui e a polícia da República portuguesa não me pode prender.O mandado de captura aqui não funciona porque isto não é território nacional”, afirmou o deputado ao canal televisivo.
O auto-proclamado príncipe do ilhéu da Pontinha recebeu o deputado de braços abertos e já prometeu proteção total ao seu conterrâneo.
Aqui a polícia portuguesa não entra, só se entrar à força, naturalmente, porque eles sabem que não podem entrar”, declarou.
“Isto não é português. O principado do ilhéu da Pontinha, à luz do direito internacional, é efetivamente um país, não importa o tamanho”, acrescenta.
Recorde-se que o deputado madeirense também já recorreu da decisão ao Supremo Tribunal de Justiça.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Miguel Urbano Rodrigues: A consciência da finitude da vida

Em Paris pela última vez




Miguel Urbano Rodrigues     01.Feb.17     
Quando alguém tem uma profunda consciência histórica – como é o caso de Miguel Urbano – mesmo as reflexões mais íntimas e pessoais têm o cunho não apenas de um ser humano individual, mas o de um tempo comum. A sua história pessoal nunca foi e nunca é apenas pessoal.
Mais de uma vez ao longo da minha extensa vida, na despedida de uma cidade pensei, por motivos diferentes, que não voltaria ali, que seria a ultima visita. Isso aconteceu-me em Kabul no Afeganistão, em Caracas na Venezuela, em Nicósia no Chipre, em Conakry na Guiné, em Deli na India, em Samarcanda no Uzbequistão, em Manágua na Nicarágua, em Trípoli na Líbia, e noutras cidades. Recordo que em São Paulo, ao tomar o avião para Lisboa em 2015, disse à minha companheira: esta será a minha última travessia do Atlântico, o oceano que cruzara dezenas de vezes. Era uma decisão e uma certeza.
Há dias, ao dizer adeus a Paris, estava consciente de que não voltaria ali.
Desta vez a certeza de que aquela fora a última viagem a França nascia da consciência de um envelhecimento galopante que inviabiliza deslocações ao estrangeiro.
Foram múltiplas, entrelaçadas e com frequência nebulosas as minhas meditações neste fim de ano em Paris.
Recordei a primeira visita há 66 anos, um reencontro com o imaginado através da história e da literatura. Ao descer do avião conheci uma jovem funcionária do turismo francês que me impressionou pela beleza: a minha futura mulher, mãe dos meus três filhos.
Viajamos juntos pelas praias da Normandia; ao largo avistavam-se ainda, encalhadas, as carcaças dos navios britânicos e americanos destruídos durante o desembarque de junho de 1944.
Foram semanas inesquecíveis de descobrimento da França real que curava as feridas abertas pela guerra e pela ocupação.
Voltei dezenas de vezes a França. Reencontrei sempre uma Paris que, transformando-se, permanecia fiel à sua grande história.
Agora, senti- me desambientado.
Fisicamente pouco mudou nos últimos anos. Mas a intimidade com a urbe rompeu-se. Dei-me conta de que não podia acompanhar o ritmo das mudanças resultantes da revolução tecnológica, sobretudo da revolução informática.
O pulsar da cidade é outro. Dizer que Paris se americanizou seria uma afirmação simplista. A questão é muito mais complexa.
NO LOUVRE.
Voltei obviamente ao Louvre.
Mas sofri. Naquela manhã filas intermináveis faziam do acesso à Pirâmide e depois às bilheteiras um suplicio.
Pela primeira vez não visitei a pinacoteca.
Dediquei as horas disponíveis às salas das civilizações do Eufrates e do Tigre, e ao Irão aqueménida e sassânida.
Meditei, como antes, frente ao bloco de mármore negro do prodigioso Código de Hamurabi, contemplei com vagar os touros alados de Korsabad, registei como em anteriores visitas a minha incapacidade para compreender o desaparecimento súbito da cultura de um império que no seu apogeu ia da Asia Menor ao Egito. Recordei que no final do seculo XX encontrei em Havana, surpreso, num seminário internacional, representantes da minúscula minoria assíria que me ofereceram jornais impressos em caracteres cuneiformes da Historia esquecida de civilizações mortas.
Estranhei a escassa atenção prestada a Persépolis. Não notara essa omissão em anteriores visitas porque na época ainda não conhecia as ruinas de Persépolis e Pasárgada. De interessante somente encontrei ali o fragmento de uma coluna truncada da Apadana. Cruzei-me permanentemente com densas hordas turísticas. Quase todos os estrangeiros, velhos e moços, mulheres e homens, empunhavam camaras de filmar e máquinas fotográficas que disparavam a cada momento.
Que conhecimento – interroguei-me - terá a esmagadora maioria daquela fauna turística da História das culturas da antiga Mesopotâmia e da Pérsia aqueménida? Creio que mínimo.
NOS INVÁLIDOS
Passei quase uma tarde nos Inválidos, um dos museus que mais aprecio em Paris, por transmitir lições fascinantes sobre a Historia da França e do Mundo.
Hoje é o Musée de l ‘Armée, mas, independentemente do nome, transmite uma mensagem transparente: as raízes do militarismo francês são profundas. O Museu é um hino à grandeza da França e do seu Exército. Uma ideia de Grandeur, que remonta a Carlos Magno e da qual o general de Gaulle terá sido talvez o ultimo porta-voz.
Desfilei pelas salas repletas de armaduras medievais, de armas antigas, desde bestas a arcabuzes, espadas, lanças, bombardas, colubrinas e canhões de bronze.
Revivi as guerras de Itália de Francisco I e Henrique II, as campanhas da época de Luis XIII e Luis XIV, que guindaram a França a primeira potencia militar da Europa, pondo termo à hegemonia espanhola.
DA REVOLUÇAO A BONAPARTE E NAPOLEÃO
Caminhei pelas extensas galerias onde através de imagens, textos, e peças de vestuário o visitante pode acompanhar as guerras defensivas da Revolução e as campanhas de Bonaparte e Napoleão.
Imaginei o imperador no exilio amargo de Santa Helena para onde levou o seu cavalo preferido, exposto embalsamado no Museu.
Ao longo da vida escrevi muitas páginas sobre o general e o político. Ambos imprevisíveis e incompreensíveis.
A maioria dos historiadores ou o glorifica ou identifica nele um flagelo da humanidade. Discordo dos juízos maximalistas sobre o homem, o soldado e o estadista. No seu maravilhoso romance Guerra e Paz, Tolstoi, que o detestava, nega-lhe inclusive talento militar, comparando-o a um sargento bisonho.
Mas, transcorridos quase dois seculos da sua morte, os biógrafos mais isentos reconhecem hoje que Napoleão, além do estratego que revolucionou a «arte da guerra», foi como homem de estado o patrono do Código que conserva o seu nome e o reformador da Administração e da Economia que modernizou a França.
Encostado ao muro que domina o seu túmulo, tentei imaginar como a Europa e o Mundo seriam hoje diferentes se Napoleão, após a sua esmagadora vitória de Austerlitz sobre os exércitos da Áustria e da Rússia, tivesse assinado em Viena uma paz duradoura que pusesse termo às suas conquistas e guerras. A Inglaterra estava aberta a uma solução pacífica desse tipo.
Napoleão teria evitado a ocupação da Alemanha e as derrotas e humilhações infligidas à Prússia em conflitos que semearam ódios que desembocaram em guerras mundiais.
Mesmo apos a desastrosa invasão da Rússia onde a Grande Armée se dissolveu, o príncipe austríaco Metternich, o ideólogo da Santa Aliança, ainda ofereceu ao imperador francês uma paz que lhe garantia os territórios alemães da margem esquerda do Reno.
Ele recusou e avançou para a batalha de Leipzig, prólogo da abdicação que o atirou para a Ilha de Elba.
A maioria dos seus marechais já o tinha abandonado, aderindo aos Bourbons, no breve intermezzo dos Cem Dias que teve o epílogo na planície belga de Waterloo.
Durante quase duas décadas venceu sucessivas batalhas, destruiu estados, colocou familiares em tronos efémeros, mas foi incapaz de controlar uma ambição ilimitada.
Ao contrário do macedónio Alexandre, que morreu jovem sem conhecer uma só derrota, ele viveu a angústia do desmoronar do seu sonho de dominação ecuménica.
ENVELHECIMENTO GALOPANTE
Nesta despedida de Paris, na viragem de 2016, fui tocado por um sentimento de saudade de uma cidade que, permanecendo imutável e esplendida na sua fisionomia física, me surgiu como quase desconhecida pelo estilo e ritmo de vida das novas gerações.
Paris confrontou-me comigo nestes dias. Eu também não me reencontro no homem que visitou a cidade dezenas de vezes.
Apoiado numa bengala, seria hoje incapaz, sem a minha companheira, de me movimentar na rede do metro que antes me era familiar, de caminhar sozinho pelos grandes boulevards, de me orientar num trânsito febricitante. A surdez agrava-se progressivamente; a visão enfraquece, a memória cai a cada dia.
Atravessei a ponte para o Novo Ano em reencontro com a minha filha e netos, mas marcado pela certeza da aceleração do envelhecimento,
Saí de Paris uma única vez para rever em Versailles Jean Salem e Marie Pierre, a companheira que o tornou feliz. O filho de Henri Alleg, eminente filósofo marxista, é hoje o mais íntimo dos amigos que me estimam no vasto mundo que percorri. Nevava nesse dia e, ao atravessar os subúrbios brancos no RER, senti com força a dor e a consciência do fim da vida útil.
Vila Nova de Gaia, Janeiro de 2017 (diário-info)