Daniel Júlio Chipenda
Nasceu em Lobito, província de Benguela, em 15 de maio de 1931.
Seu pai era o reverendo Jessé Chiúla Chipenda, pastor e primeiro líder nacional negro da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA).
E sua mãe era a costureira Teresa Laurinda Chipenda.
Seu irmão mais velho é o reverendo e militante dos direitos humanos José Belo Chipenda.
Casou-se com a escritora Eva de Carvalho Chipenda e teve dois filhos.
Conseguiu uma bolsa de estudos e rumou para estudar geologia na Universidade de Coimbra, passando a trabalhar como desportista para sustentar a família.
No período em Portugal, entre 1956 e 1961, foi futebolista na posição avançado do Sport Lisboa e Benfica e da Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol.
Chegou a ser campeão pelo Benfica da Primeira Divisão de 1956–57 do Campeonato Português de Futebol. Enquanto na Académica de Coimbra foi titular e um dos principais pontas-de-lança e goleadores da equipa. Sua carreira no futebol foi encerrada precocemente por suas atividades políticas que lhe fizeram ser preso em 21 de junho de 1961.
Articula em Lisboa a criação da Juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (JMPLA), e mesmo no exterior (a referida ala jovem foi fundada oficialmente em Kinshasa) é eleito seu primeiro presidente.
Foge de Portugal em setembro de 1962 com um passaporte concedido pelo Marrocos, seguindo com a família até chegar em Kinshasa, onde ainda localizava-se a sede em exílio do MPLA e da JMPLA.
No período de tensões entre o MPLA e o governo Congo-Kinshasa chega a ser preso.
Entre março e abril de 1964 participa como líder da JMPLA na reunião de estudantes em que Jonas Savimbi propõe unificar a União dos Estudantes Negros de Angola (UNEA) e a União Geral dos Estudantes da África Negra sob Dominação Colonial Portuguesa (UGEAN).
Segue, em abril de 1964, para a Assembleia Geral do Fórum Mundial da Juventude.
Em setembro de 1964 começa a fazer os preparativos para o que viria a ser a exitosa "Frente Leste" do Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), a ala armada do MPLA.
Segue para Lusaka, na Zâmbia, para instalar o novo escritório operacional do partido.
Acaba por ser supreendido por uma prisão inesperada por porte ilegal de armas e propaganda política com Ciel da Conceição e Costa.
Dois meses depois é libertado.
O partido passa a o destacar para atividades diplomáticas no Gana e na Tanzânia a partir de 1965.
Em maio de 1966 Chipenda passou a liderar a Frente Leste, aumentando enormemente a zona de influência do MPLA em Angola.
Quando esta frente foi reconquistada pelas tropas portuguesas, em 1972, Chipenda e Agostinho Neto, líder do MPLA, acusaram-se mutuamente pela derrota.
Em 1972, a União Soviética passou a apoiar a facção de Chipenda.
Em 1973, o governo soviético convidou Neto a deslocar-se a Moscovo e informou-o que Chipenda o pretendia assassinar.
A União Soviética reafirmou o seu apoio ao MPLA, com Neto na sua liderança, em 1974.
A seguir à Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974, Mário Pinto de Andrade, então presidente de honra do MPLA, organizou um congresso do movimento em Lusaka.
Neto e Chipenda tinham 165 delegados, cada um, e Gentil Ferreira Viana, da facção Revolta Activa, tinha 70.
Chipenda liderava a facção Revolta do Leste.
Chipenda liderava a corrida e há relatos que a maioria dos delegados preparavam-se para o eleger como presidente.
Após vários dias de negociação, a facção de Neto sai do congresso, mantendo-se o MPLA dividido em três facções.
Semanas depois, houve um encontro reunificador, entre alas do MPLA, em Brazzaville, sob proposta de Marien Ngouabi, em que o Neto foi indicado como presidente do MPLA, Chipenda 1° Vice-Presidente e Mário P. de Andrade 2° Vice-Presidente.
Chipenda visita Kinshasa onde foi recebido com honras de presidente "oficial" do MPLA.
Mobutu convoca Meeting no mítico estádio 20 de Maio (hoje Tata Raphaël), para apresentar Chipenda, Savimbi e naturalmente Holden, a populaçâo angolana refugiada no ex-Zaire, como verdadeiros combatentes na luta contra o regime colonial em Angola.
Enquanto Neto foi qualificado de "colaborador do colonialismo em Angola" e constituir, desde 1962, o obstáculo na reunificação de movimentos angolanos.
Dias depois do memorável comício, Chipenda encontra-se com jornalistas portugueses, em Kinshasa, rejeita os acordos de Brazzaville, tendo afirmado o seguinte:
" - É preciso que os militantes do MPLA que estão em Luanda, que estão no interior de Angola fiquem sabendo isto: o Dr. Agostinho Neto não foi investido no cargo de presidente do MPLA, em qualquer congresso, por qualquer assembleia; não foi eleito pelos nossos militantes, mas apenas por quatro chefes de estado que, muito desprotocolarmente, muito em família nos disseram: Neto, você fica a ser o presidente, o Chipenda fica como 1º vice-presidente e você, Pinto de Andrade será o 2º vice-presidente.
O que se passou em Brazzaville, não teve qualquer aspecto de eleição, de congresso.
-O Dr. Agostinho Neto não está nada interessado na unificação do MPLA e a cópia que temos em nosso poder sobre o acordo de Brazzaville não vale absolutamente nada!"
Chipenda deixa o MPLA, levando consigo cerca de 2000 militares de elite do MPLA.
Chipenda opunha-se à liderança do MPLA acusando-a de ser demasidado influenciada pela ideias europeias, e mantinha uma certa cautela face ao apoio da União Soviética.
Em setembro de 1974, Chipenda junta-se à FNLA, apenas regressando ao MPLA em 1989.[carece de fontes]
Chipenda foi designado por Holden Roberto a liderar as tropas da ala armada da FNLA, o Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), que lutariam pela tomada de Luanda.
Com suas tropas derrotadas na capital angolana pela aliança MPLA-Cuba, retira-se para o Cuando-Cubango, montando seis bases militares do ELNA/FNLA nos vales dos rios Cubango e Cuanavale.
Em março de 1976, no avanço das tropas ango-cubanas, e sem armamento e pessoal para enfrentá-los, o chamado "Esquadrão Chipenda" abandonou Angola e tornou-se a base principal de formação do 32º Batalhão de Elite da África do Sul, a legião estrangeira do regime do apartheid.
Em Portugal, na década de 1980, fundou a Convergência Nacional Angola (CNA), um movimento político que se opunha ao MPLA, com o apoio do médico angolano António Ferrão Pinto Leite Paiva.
Em 1989 é nomeado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Republica Popular de Angola na Republica Árabe do Egipto, cargo que ocupa até 1992, sendo exonerado para disputar a Presidência nacional como nome independente nas eleições gerais em Angola em 1992.
Morreu em sua residência em Cascais, Portugal, aos 28 de fevereiro de 1996.
Honra e glória aos filhos da Pátria Angola.
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