«Você sabia que o Massacre da Chácara São Bento, ocorrido em janeiro de 1973 em Pernambuco, foi um dos episódios mais violentos da ditadura militar e contou com a traição direta de um agente infiltrado? O ex-cabo da Marinha, José Anselmo dos Santos, conhecido como Cabo Anselmo, atuou como peça-chave na emboscada que resultou na morte de seis militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Na época, Anselmo gozava de total confiança do grupo, mas já operava secretamente como informante do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
A participação de Cabo Anselmo foi determinante para atrair as vítimas até o local do crime, sob o pretexto de uma reunião da organização. Entre os mortos estava a paraguaia Soledad Barrett Viedma, que mantinha um relacionamento afetivo com Anselmo e estava grávida dele no momento em que foi executada. O agente infiltrado forneceu as coordenadas e as identidades dos militantes aos órgãos de repressão, permitindo que as forças de segurança realizassem o cerco e o extermínio sem que houvesse, segundo registros posteriores da Comissão da Verdade, um confronto real.
O caso foi oficialmente divulgado pelo regime militar como um tiroteio em que os militantes teriam resistido à prisão, mas investigações e laudos periciais realizados décadas depois contestaram essa versão. Os corpos apresentavam marcas de execução à queima-roupa e sinais de tortura severa, evidenciando que não houve chance de defesa. Cabo Anselmo sobreviveu ao episódio e permaneceu na clandestinidade por décadas com proteção estatal, tornando-se o símbolo mais notório da infiltração e da delação premiada informal durante os anos de chumbo.»
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