«O Vicente e eu fizemos o Comércio do Funchal. Multiplicámos jornalistas com os nossos pseudónimos. O Vicente era uma força da natureza! Explosivo, temperamental e criativo. Um trabalhador nato. É um nome muito grande do jornalismo no pós 25 de Abril.
Com o CF refizemos, antes do 25 Abril, as forças democráticas na Madeira. Ele foi um dos impulsionadores da candidatura de oposição, nas eleições de 1969, da qual fui candidato.
E mais não digo.»
Morreu(me) o Vicente Jorge Silva
1.
Um dia, numa madrugada nascida em sua casa, acabámos a noite a falar da vida. E ele disse-me uma coisa que nunca mais esqueci: “Sabes, Luís… já tive os meus divórcios de mulheres, de projetos, de amigos. E sei que se não cuidarmos de amar (em todas as suas formas), se não tentarmos ter com a vida uma relação de avassaladora paixão, de curiosidade, de vontade de ser mais, haverá sempre alguém capaz de amar melhor as coisas que achamos nos pertencem por direito”.
2.
O Vicente Jorge Silva morreu fez agora seis anos.
E não foi apenas um jornalista.
Ou um grande jornalista.
Ele era o jornalista.
A sua criatividade distinguiu-o num tempo de cinzentismo.
A sua coragem provocou muitos incómodos e garantiu-lhe muitos inimigos.
A sua megalomania levou-o a conseguir ir mais longe do que todos os jornalistas da sua geração.
A sua heterodoxia permitiu-lhe ser o que em cada momento lhe apeteceu ser – no jornalismo, como realizador de documentários ou filmes, como crítico de cinema, como político.
3.
Vicente foi único.
No Comércio do Funchal enfrentou na juventude os anos finais do Estado Novo.
No Expresso inventou a revista que revolucionou no jornalismo português a maneira de contar histórias.
No Público fundou um jornal diário que durante toda sua direção foi o projeto que mais se aproximou em qualidade e ambição aos grandes jornais internacionais.
4.
Como madeirense afrontou sempre que pôde o poder de Alberto João Jardim.
Como deputado, o que dizer? O Vicente era tudo demasiado. Demasiadamente livre, demasiadamente malcomportado, demasiadamente surdo para ouvir as verdades que chocavam com as suas.
5.
Vicente morreu-me numa madrugada de setembro de 2020..
E alguns jornais não lhe deram a primeira página.
A maioria dos jornais publicados naquele dia decidiram nem sequer lhe dar chamada de capa.
Mesmo o Público não ofereceu ao seu criador o que verdadeiramente se impunha e que (aliás) é prática no jornal quando editorialmente se impõe: dedicar a Vicente a totalidade da sua primeira página.
Teria sido justo.
Teria sido bonito.
Mas não.
O jornalismo realmente já não me interessa muito.
E eu também já não interesso muito ao jornalismo que existe hoje.
Não tem mal, não é uma crítica ou um lamento. É apenas o que é.
6.
Vicente Jorge Silva foi um dos poucos génios que conheci.
Falava alto.
Dizia coisas desagradáveis, coisas que muitos não gostavam de ouvir.
Mas era terno. Um amigo. E um espírito livre e absolutamente radical na sua capacidade de inventar flores onde a maioria apenas via pedras.
Ele nada é comparado com os grandes senhores doutores MEIA SACA e PADRE Das ESMOLINHAS
ResponderEliminarGrandes pardalões! O que seria esta terreola sem estes dois cavadores de enxada (e os monstrosinhos que eles criaram)?
EliminarEsse vicente era uma anedota e manias o tal q escondia um vicio.......
ResponderEliminarDia da República: o que levou à queda da monarquia há 116 anos?
ResponderEliminarhttps://sapo.pt/artigo/dia-da-republica-o-que-levou-a-queda-da-monarquia-ha-116-anos-6ac344409406c429be38b2b0
A Ofélia não gostava do Vicente! Porque seria?
ResponderEliminarPorque essa abécula era rabeta
EliminarTocava flauta à "variações"
EliminarA Ofélia também tem uns jeitos e uns trejeitos!
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