quarta-feira, 10 de junho de 2026

Henrique Sampaio: "Madeira uma terra onde predomina a apatia, o acomodamento, o servilismo, o medo". ( Tem razão Henique Sampaio)

 


Henrique Sampaio tem vergonha de referir na sua crónica que foi também colunista do jornal Garajau, extinto derivado à perseguição movida pela juizada fascista existente nos tribunais da COMARCA da MADEIRA.

https://funchalnoticias.net/2026/06/10/dever-de-memoria/

Henrique «Quem me conhece, sabe que a minha grande paixão foi, sempre, o jornalismo. Um jornalismo entendido como exercício de cidadania, na perspectiva de quarto poder, independente, por conseguinte, dos demais poderes.

Uma paixão que começaria na juventude, na 2ª metade da década de 60, aquando da passagem, no Funchal, pela Juventude Operária Católica, escrevendo curtos textos numa folha policopiada em stencil e no órgão mensal da organização, “Juventude Operária”, e que se intensificaria com a aproximação estabelecida como semanário “Comércio do Funchal”. Uma ligação que prosseguiria no pós-25 de Abril quando em 1975, entre 15 de Janeiro e 25 de Novembro, fui redactor do Emissor Regional da Emissora Nacional e correspondente do vespertino “República”.

Foi esse gosto, esse prazer pela escrita que me levaram, em finais de 1987, a candidatar-me a um concurso destinado à admissão de jornalistas que a empresa D. N., Lda., propriedade do “Diário de Notícias” do Funchal, então promoveu.

“Diário de Notícias”, com quem, aliás, já colaborava, nomeadamente através do suplemento «Domingo», coordenado pelo jornalista Tolentino de Nóbrega, no qual, a partir da edição de 22 de Novembro de 1987, era responsável pela rubrica «A semana vista por …», em que comentava a actualidade, nas suas três dimensões: regional, nacional e internacional.

Tratou-se de um concurso, sujeito a provas de selecção e que culminou com uma entrevista com o psicólogo dr. Agostinho Trindade de Sousa, que, por sinal, na segunda metade da década de 60, sucedera ao dr. José Manuel Paquete de Oliveira, na chefia de redacção do “Jornal da Madeira”, que, no final, disse-me não ter dúvidas que reunia as condições para poder ser admitido como jornalista no «DN», mas que, naturalmente, a decisão competiria à respectiva Administração e Direcção.

Tinha sabido, entretanto, que fora dos melhores classificados do concurso, bem como que estavam a ser ouvidas pessoas para eventual admissão como jornalistas no «DN», sem que tivesse sido chamado.

Contactado o então Director-Geral da empresa D.N., Lda., dr. José Câmara foi-me dito que o meu nome “havia sido excluído por decisão do Director do «Diário de Notícias», Sílvio Silva e que o mesmo havia acontecido com, pelo menos, mais duas pessoas”.

Inconformado com a exclusão, expressaria o meu descontentamento e protesto através de carta dirigida a Richard Blandy, presidente do conselho de administração da citada empresa que, em resposta, invocando a “Lei da Imprensa”, referiu que “compete ao Director a orientação, superintendência e determinação do conteúdo do periódico” e que “não pretendia imiscuir-se nas tarefas que não lhe dizem respeito, como a escolha de pessoas para o exercício de funções de jornalista do Diário de Notícias”. Nessa missiva, datada de 3 de Junho de 1988; Richard Blandy fez ainda questão de acrescentar: “Esta empresa como privada que é, norteia-se por objectivos comerciais legítimos, não faz política, nem se deixa condicionar por pressões exteriores que possam alterar os seus propósitos”.

Aqui chegados, permitam-me um parenteses: esta história, contada na primeira pessoa, ao contrário do que o leitor possa estar a pensar ou a interpretar, não tem como objectivo contar um episódio da minha existência, mas, a partir dele, demonstrar como, ao longo de dezenas de anos, foi construída uma Região que, passados 50 anos, está muito distante de poder ser apresentada como modelo de virtudes.

Mas, para completar esta história pessoal, há ainda factos adicionais:

A rubrica «A semana de …» terminaria a 3 de Abril de 1988. Uma semana antes (Suplemento «Domingo» de 27/3/88), analisando a actualidade regional, designadamente a posição do Governo Regional face à greve geral contra o pacote laboral do governo de Cavaco Silva tinha escrito (cito): “(…) tal como lá, o Governo Regional viu-se na necessidade de tentar desmobilizar os trabalhadores, chegando ao ponto de afirmar que aderir à greve «é atrair sobre si as atenções», o que convenhamos constitui uma forma de intimidação”. Em consequência, sou informado que deixaria de poder escrever sobre matérias de âmbito regional e nacional. E em sinal de gratidão, a criatura que se auto intitularia de «único importante», em entrevista publicada no «Jornal da Madeira» de 1 de Maio desse ano, afirmava: «o DN está muito bem entregue» (sic)!.

A 9 de Janeiro de 1989, Jorge Figueira Silva, advogado da empresa Blandy, militante do PPD, sucede a Sílvio Silva na direcção do matutino madeirense.

E o autor destas linhas que voltara a colaborar no aludido suplemento publicando dossiers vários e entrevistas com vultos de diferentes áreas da sociedade portuguesa, um dia dirige-se à redacção do «DN» e pede para falar com o novo director. A conversa decorre no último andar das instalações, à época situadas na Rua da Alfândega, 8. Tinha como intenção retomar a publicação de textos de opinião. O dr. Jorge Figueira da Silva diz-me que, para já, só se forem de análise internacional. E coloca ainda uma outra condição: arranje um pseudónimo. Questionado sobre o porquê, e apontando para as janelas do referido andar (onde ao longe se podia visualizar a zona onde se situa a denominada Quinta das Angústias, sede da Presidência do Governo), disse-me: «Você não imagina as pressões, os telefonemas que recebo aqui, todos os dias!».

O gosto, a paixão pelo jornalismo levou-me a aceitar escrever apenas sobre assuntos de carácter internacional, recusando, porém, fazê-lo através de pseudónimo. Recorri aos nomes do meio do meu próprio nome e assim, em Novembro e Dezembro desse ano de 1989, no diário que se reclama de «independente», lá estão alguns artigos da autoria de um tal de Henrique Fernandes (para quem não sabe, o meu nome completo é António Henrique Fernandes Sampaio).

A obsessão do ex-destacado colaborador do «Voz da Madeira» pelo controle da comunicação social começara desde cedo, ainda como líder parlamentar. Uma das primeiras medidas apresentadas, no início da 1ª sessão legislativa da Assembleia Regional, eleita na sequência das eleições de 27 de Junho de 1976, foi precisamente a de uma proposta de criação de uma denominada «CIRCE – Comisao dos Interesses Regionais na Comunicação Estatizada», cujo objectivo era o de, com base na representatividade eleitoral, interferir e condicionar o exercício na Região da actividade dos emissores regionais da rádio e televisão – a proposta não passaria no crivo da então Comissão Constitucional, mas, como é por demais evidente, a intenção de controlar, domesticar e manipular a generalidade da comunicação social nunca foi abandonada, constituindo um desiderato fundamental da futura governação.

A história da Madeira foi profundamente marcada pelo secular regime de colonia, assente num regime de subserviência, de servilismo, de completa dependência do caseiro relativamente ao senhorio.

O regime seria oficialmente extinto em 1977, pondo termo a essa sujeição.

A canga, contudo, não foi eliminada. Permaneceu com outras roupagens e protagonistas.

A autonomia conquistada foi capturada por um partido e em particular pela personagem que o bispo Francisco Santana catapultaria para o exercício do poder. E em lugar desses senhorios surgiu o grande senhorio que ao mesmo tempo que reclamava de Lisboa mais autonomia centralizava em si todo o poder. Ameaçando e ostracizando quem não se submetia à sua omnipotente vontade. Insultando e perseguindo adversários políticos e simples cidadãos. Aliciando pessoas e instituições. E criando, em simultâneo, um gigantesco polvo, cujos tentáculos cobriam (cobrem) todas as áreas e sectores da sociedade regional.

É, por isso, insultuoso que quem edificou esta gigantesca canga, tenha a suprema lata de perorar sobre «Bem Comum», «Liberdade», «Valores», «Primado da Pessoa Humana».

A democracia tem regras. Não é o reino do vale tudo. Não se define apenas pela realização de eleições livres. Implica separação de poderes (legislativo, executivo, judicial).

Uma alegada «democracia musculada» não passa de uma caricatura de democracia.

Quem acompanha de perto a política internacional conhece, por exemplo, os nefastos efeitos de uma governação como a de Victor Órban na Hungria ou da passagem pelo poder de Donald Trump nos EUA.

Ora, num território como o da Região ou numa população de 250, 260 mil habitantes, uma governação, exactamente com essas mesmas características, produz consequências incomensuravelmente bem mais gravosas, tanto mais que foram disseminadas ao longo de dezenas de anos.

E elas estão à vista, para quem queira ver. Uma sociedade onde predomina a apatia, o acomodamento, o servilismo, o medo.»

O que faltou dizer na sua carta. ("Víctor Colaço Santos" nome real ou pseudónimo de escriba das cartas do leitor do DN/mamdeiras)

 

  Ele fala e muito bem na ministra dos patrões e seu malfadado pacote laboral que retira direitos aos trabalhadores e nos malefícios que isso taz à Democracia. Mas esquece-se de dizer que são os pobres e os próprios trabalhadores que colocam lá no poder este tipo de governantes. O pobre vota neles e cada vez há mais pobres de direita neste país. 
 Quando há eleições as forças democráticas cada vez têm menos votos e o ultrafascista CHEGA já ultrapassa a fasquia de um milhão de votos. O que podemos fazer quando o povo assim quer?
O povo português quer o fascismo de volta caros amigos!

PSU, a quanto obrigas...


A ministra do Trabalho e dos patrões gastou quase um ano a defender o pacote patronal, que abusivamente denominou: ''pacote laboral''. Negligenciou a imposição da UE, sobre a Prestação Social Única (PSU) e, agora correu para aglutinar mais de uma dezena de prestações sociais. Caso o desgoverno não o fizesse com urgência - o País desbaratava 500 milhões de euros vindos da UE.

A PSU está associada ao estigma da pobreza, que é fiscalizada como delito(!), e perdem-na, caso os paupérrimos beneficiários da prestação não façam trabalho, dito, social... De borla para patrões!

Mas, este incapaz, relapso e representante de classe, do desgoverno é incompetente na fiscalização: do colarinho branco da ladroagem; da fraude; da corrupção e por aí fora.... Vigia quem tem um 'chaço', migalhas ou uns euros amealhados por uma vida de trabalho!

Esta gente vive bem numa bolha e alheados da realidade social e, se executarem uma mera medida favorável à pirâmide social da base, lançaremos um prolongado foguetório.... Dizia, e bem, o saudoso José Afonso: 'Isto [a riqueza] bem repartido dá para todos e sobeja!'
. Eterna gratidão ao Zeca.Victor Colaço Santos 10 de junho de 2026

Pobre de direita! 
Cada vez há mais burros a votar contra si próprios



segunda-feira, 8 de junho de 2026

O dr. "papadas" Maria Ofélia depois destes anos todos ainda ataca o Coelho no seu blogue "RENOVADINHOS"

 Dr. "Papadas" não esquece as famosas inaugurações com a presença do Coelho e do partido PND

 Dr. Papadas quando andava no liceu do Funchal, estudando, tinha as pernas muito  fininhas e a pele da clara muito fina e branquinha. 

  Como tinha portes efeminados, os colegas faziam-lhe  bullying e chamavam-lhe  "Maria Ofélia". Claro que   ele ficava muito  furioso.

Como ele ontem não tomou os comprimidos para a sua velhice;  isso levou-o a escrever barbaridades contra o Coelho.

Vejam só os disparates:

«Anda por aí um Nunes que não sabe de onde veio que dá sinais de querer assumir o estilo rasca de um conhecido pintor doente (anda desaparecido) 

Ninguém entende a disponibilidade dos panfletos locais para dar palco à pobre filhota do dito cujo, um ser cuja representatividade se esgota no seio familiar ainda controlado pelo doido. Pai e filha quando passaram pelo nosso parlamento abusavam das portas abertas pela democracia para difamar toda a gente. 

 Para sermos suaves na crítica diremos que são pessoas sem qualquer credibilidade. Há muitas razões para questionar a abertura dos “ donos disto tudo” à propaganda destes esquerdistas reacionários. »

https://renovadinhos.blogspot.com/2026/06/anda-por-ai-um-nunes-que-nao-sabe-de.html#comment-form

O advogado Ricardo Vieira explica com clareza o motivo por que o Alojamento Local não prejudica o mercado de aluguer das habitações

 


"Há muitas casas devolutas na Madeira que poderiam entrar no mercado se existisse um regime de arrendamento mais atractivo", diz Ricardo 
Vieira.»

Entre as vozes críticas está o advogado Ricardo Vieira, que considera que o debate em torno da habitação corre o risco de assentar num diagnóstico errado. Para o jurista, a ideia de que a limitação do alojamento local permitirá resolver os problemas habitacionais do concelho não encontra sustentação na realidade dos últimos meses e ignora problemas muito mais profundos que afectam o mercado de arrendamento.

"Eu gostava de saber qual toi o contributo que a suspensão do alojamento local deu para a habitação durante estes seis meses", questio-na, numa referência ao período em que a emissão de novos registos esteve suspensa no Funchal.

Na sua opinião, essa é uma questão que deveria estar no centro do debate público antes da aprovação de novas restrições.

«Era um número útil para trazer para a praça pública. Estar a condenar o alojamento local por causa das carências habitacionais e uma perfeita ilusão." Para Ricardo Vieira, a principal razão pela qual muitos proprietários continuam a evitar o arrendamento habitacional não está relacionada com a actividade turística, mas sim com o próprio enquadramento legal do arrendamento urbano."Quando se definem áreas de contenção

"As pessoas hoje não arrendam para habitação porque têm receio do que acontece se houver incumprimento. Não é por causa do alojamento local. É por causa da lei do arrendamento", aponta.

Segundo o advogado, enquanto persistirem dificuldades na recuperação dos imóveis em situações de incumprimento e enquanto os processos de despejo continuarem condicionados pela escassez de respostas habitacionais públicas, muitos proprietários continuarão a considerar o arrendamento uma opção excessivamente arriscada.

"O problema não é apenas fiscal.

O problema é a segurança jurídica.


Muitas vezes o senhorio fica meses 
ou anos à espera que um despejo 
 possa ser executado. Isso desincentiva qualquer pessoa a colocar um apartamento no mercado de arrendamento."

Na sua perspectiva, a crise habiição apenas com base nos limites administração habitacional não pode ser analisada isoladamente da realidade do mercado de arrendamento. "É ilusório pensar que vamos resolver o problema da habitação apenas através do alojamento local."

Concelho inteiro em contenção 

Outra das críticas mais contundentes dirige-se à forma como o regulamento municipal divide o cerritório do Funchal. Embora a proposta estabeleça duas zonas de contenção distintas, Ricardo Vieira considera que, na prática, ambas conduzem a um resultado semelhante: a aplicação de fortes limitações ao desenvolvimento futuro da actividade em praticamente todo o concelho. "É uma solução que me parece profundamente desajustada da realidade territorial do Funchal."

O advogado considera que não existe fundamento evidente para nistrativos das freguesias, alguma coisa est a tratar todas as freguesias segundo a mesma lógica regulatória, independentemente das diferenças existentes entre elas. "O problema


da Sé não é o mesmo de São Roque.

São Martinho não tem a mesma realidade de outras freguesias. O território não é homogéneo."


Na sua opinião, uma política

 pública desta natureza deveria

 partir de uma análise muito mais detalhada das características


concretas de cada zona, identificando onde existem efectivamente problemas de pressão turística, estacionamento, convivência ou disponibilidade habitacional.

"Há locais onde poderá fazer sentido limitar ou condicionar novos a alojamentos locais. Mas isso exige um trabalho prévio de levantamento, de diagnóstico e de fundamentação."

Ricardo Vieira admite que possam existir áreas onde a contenção  é justificável. "Em determinadas zonas com dificuldades de estacionamento, edifícios mais antigos ou limitações físicas específicas, compreendo que possam existir restrições. O que me custa compreender é uma lógica de proibição praticamente generalizada."

Para o jurista, existe o risco de se adoptar uma solução administrativa simples para um problema que é muito mais complexo. "Às vezes as proibições gerais são mais fáceis para os serviços. Não obrigam a um acompanhamento caso a caso. Mas nem sempre são a melhor solução."

Caminhos diferentes

* Entre os aspectos que mais preocupam Ricardo Vieira está a relação entre o regulamento do alojamento local e os instrumentos de ordenamento do território já existentes.

... ... ...


domingo, 7 de junho de 2026

"História escrita pelos vencedores" (bom artigo de opinião de Egar Silva no Diário do padre das esmolinhas)

 

História escrita pelos vencedores

A História chega-nos normalmente contada a partir dos lugares onde o poder se sentou e deixou registos. Foram esses lugares que produziram arquivos, decretos, relatórios, atas e documentos.

 Foram esses lugares que tiveram condições para preservar a sua memória.

Mas a vida nunca aconteceu apenas aí.

 Enquanto os governantes decidiam, milhões de pessoas trabalhavam, migravam, resistiam, sobreviviam. Camponeses, operários, colonizados, mulheres excluídas dos espaços de decisão, habitantes das ultraperiferias. Gente silenciada pela História, mas que a viveu todos os dias.Talvez por isso uma das tarefas mais fascinantes dos historiadores contemporâneos tenha sido a tentativa de ouvir essas vozes quase apagadas pelo tempo. Não porque fossem moralmente superiores, mas porque a sociedade vista a partir de baixo revela coisas que os centros de poder não captam.

 Foi essa inquietação que levou historiadores como E. P. Thompson a recuperar a experiência dos trabalhadores esquecidos e pensadores como Frantz Fanon a dar centralidade aos chamados «condenados da terra». A grande novidade não estava apenas em estudar os excluídos - esses, já apareciam como gente governada, explorada, administrada, evangelizada, civilizada ou mobilizada por outros -, estava em reconhecer que eles também tinham algo a dizer sobre a forma como as sociedades se organizam. Porque uma comunidade não revela a sua história apenas através das vozes dos poderosos, pelos monumentos que ergue aos vencedores, pelos nomes atribuídos às ruas, às escolas e hospitais.

 A grande lição de E. P. Thompson continua atual. Ao dignificar a história dos trabalhadores ingleses, mostrou que não eram figuras secundárias nem multidões passivas. Eram sujeitos que pensavam, resistiam, organizavam-se. Em suma, faziam história. Significava reconhecer que eles não sofriam a História, mas a faziam. Os sujeitos populares não eram meros recetores passivos das forças económicas ou políticas. Construíam redes de solidariedade, negociavam, adaptavam-se e, por vezes, transformavam as estruturas que os oprimiam.

 Talvez seja essa a principal questão do nosso tempo. Não basta incluir as ultraperiferias nas narrativas históricas como quem acrescenta uma nota de rodapé. É necessário reconhecer que a compreensão dos acontecimentos fica mutilada quando não interpretada a partir daqueles que suportaram o peso das desigualdades.

É por isso que a Galeria Anjos Teixeira programou para os “50 Anos da Autonomia” dar voz a formas de memória social, a rastros e vozes interrompidas, lendas e lutas, costumes e vestígios dispersos, a práticas culturais, que sobrevivem, nos territórios ultraperiféricos.

Edgar Silva07 jun 2026 

https://www.dnoticias.pt/2026/6/6/494573-historia-escrita-pelos-vencedores/