Atentismo é uma atitude passiva de "esperar para ver", em que alguém ou algum grupo adia a tomada de decisões ou ações, ficando à espera de um momento mais oportuno ou de que as circunstâncias se alterem por si próprias.
Albano Nunes grande ideólogo marxista do PCP
«A derrota do pacote laboral em Portugal, pondo em evidência o papel determinante da luta organizada dos trabalhadores no combate à agenda reaccionária do Governo PSD/CDS, tem um significado político e ideológico de valor universal. Quando no centro da ofensiva ideológica do imperialismo está precisamente a ideia de que a luta de classes é coisa do passado e que “não há alternativa” ao sistema de exploração e opressão capitalista; se incute a ideia de que os destinos do mundo se decidem no plano geopolítico, à margem dos interesses e da luta dos trabalhadores e dos povos procurando semear atentismo e passividade; e a classe dominante procura normalizar o fascismo e a guerra, mais importante se torna mostrar, a partir de exemplos concretos da luta quotidiana, onde realmente está o motor da transformação progressista e revolucionária da sociedade: na luta de classes, na organização e na intervenção dos trabalhadores e dos povos, no papel dos comunistas e de outras forças progressistas e revolucionárias. É certo que a luta nem sempre conduz aos resultados pretendidos, implica riscos e mesmo sacrifícios. A verdade, porém, é que se quem luta nem sempre ganha, quem não uta perde sempre. E a experiência mostra que num processo histórico irregular e acidentado, juncado de vitórias e derrotas, de períodos de luminoso avanço revolucionário e de tempos sombrios de reacção, o sentido da evolução mundial é o da liberdade, do progresso social e do socialismo e que na base dessa transformação está a resistência e a luta contra todas as formas de exploração e opressão. Resistência e luta com expressões de massas e dimensão social e política muito diversificada. Em geral, em torno de objectivos concretos limitados, mas que traduzem situações de generalizado descontentamento perante políticas antipopulares e que frequentemente evoluem para o plano abertamente político, pondo em causa o poder dominante. Não há repressão, por mais violenta que seja, nem situações de perversa instrumentalização, que consigam abafar as contradições entre exploradores e explorados e anular a luta de classes. É o que vemos nomeadamente na América Latina, onde sucessivas viragens à direita no plano institucional (El Salvador, Honduras, Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru) não conseguiram impedir importantes mobilizações populares que, mais cedo ou mais tarde, acabarão por encontrar o caminho que conduzirá à derrota da famigerada “Doutrina Monroe” norte-americana. Esta é a perspectiva que a ideologia e a comunicação social dominantes se esforçam por apagar. É sintomático que a generalidade dos comentadores encartados, apresentados como “especialistas” em questões militares ou de relações internacionais, só muito marginalmente levem em linha de conta nas suas análises as lutas populares que percorrem os cinco continentes, nomeadamente a generalização de manifestações de solidariedade internacionalista e contra o militarismo e a guerra. Valorizar essas lutas e manter bem vivo o superior objectivo de superação revolucionária do capitalismo é tarefa nossa. A luta é o caminho da vitória.»
(análise como estas são impossíveis de serem publicadas no Dn do padre das esmolinhas e no JM do nosso "meia-saca".)
1956 – fundado no Brasil o jornal “Portugal Democrático” Publicado no exílio, em São Paulo, entre 1956 e 1975, o jornal “Portugal Democrático” tornou-se uma importante voz da oposição democrática portuguesa no estrangeiro. O seu primeiro número foi lançado a 7 de julho de 1956. Por iniciativa de Vítor de Almeida Ramos e de Manuel Ferreira de Moura, ambos militantes do PCP, foi possível reunir naquele projeto republicanos, socialistas, comunistas, católicos progressistas e muitos outros democratas na luta contra a ditadura fascista. Nele participaram, entre outros, Jaime Cortesão, Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena, Joaquim Barradas de Carvalho, Miguel Urbano Rodrigues, Eduardo Lourenço, Fernando Lemos e Maria Archer. O “Portugal Democrático“ também correspondeu a um movimento político, sendo um instrumento de resistência política, de combate à censura e de defesa da democracia. Através da divulgação de informação livre, da denúncia das práticas repressivas do fascismo e da mobilização da oposição no exílio, contribuiu para enfraquecer a imagem internacional da ditadura e para manter viva a esperança de uma mudança democrática em Portugal. É hoje reconhecido como uma das publicações mais importantes da imprensa portuguesa no exílio e um símbolo da resistência ao fascismo de Salazar e Caetano.


