Calado exigiu Bentley em ida a Londres. Funchal gastou um milhão em viagens em dois anos
Calado exigiu deslocar-se num Bentley na sua visita a Londres no âmbito das comemorações do 10 de Junho no ano passado.O ex-presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, foi o centro das atenções durante a celebração do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no ano passado, a convite da comunidade madeirense de Londres.
A deslocação do então autarca à capital britânica, acompanhado pela esposa e uma comitiva, ficou marcada pela escolha de um luxuoso Bentley como o meio de transporte, um detalhe que não passou despercebido e está agora a levantar questões sobre os seus custos.Segundo uma fonte não identificada que participou na organização das comemorações, Calado “é um vaidoso” que fez logo saber “que não se deslocaria num carro qualquer”.
“Pensamos num Mercedes ou num Audi, mas rapidamente percebemos que tinha de ser algo muito mais elevado”, revela a fonte citada pelo Correio da Manhã.
A viagem e a estadia de toda a comitiva foram pagas pela autarquia, mas ainda não se sabe se os custos associados ao aluguer do Bentley foram suportados pelo município do Funchal ou pela comunidade madeirense em Londres.
Esta escolha está agora a provocar ondas de crítica entre os partidos da oposição na Câmara Municipal, que acusam o ex-autarca do PSD de ter despendido mais de um milhão de euros em viagens nos últimos dois anos.A investigação revela que foram firmados quatro contratos com empresas de viagens e turismo, num total de 1 033 200 euros, para cobrir as despesas com deslocações aéreas, marítimas e alojamento da comitiva.
A utilização do Bentley e os gastos em viagens estão a ser criticados em diversos blogs da Madeira, com comentários alguns títulos humorísticos, como “De Bentley para o cárcere”.
Este caso vem juntar-se às revelações do Ministério Público sobre uma alegada teia de corrupção na contratação para obras públicas na Madeira. As suspeitas centram-se em favorecimentos indevidos à Socicorreia e ao grupo AFA na atribuição dos contratos.
O ambicioso projeto imobiliário ‘Dubai Madeira’, avaliado em 300 milhões de euros e situado no Funchal, Madeira, está no epicentro do escândalo de corrupção que rebentou nos últimos dias.
Três indivíduos, incluindo importantes empresários e um ex-presidente da autarquia, encontram-se detidos, suspeitos de envolvimento em práticas corruptas relacionadas com este megaempreendimento.
Os sócios da Varino, Avelino Farinha e Custódio Correia, juntamente com Pedro Calado, ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal, estão sob custódia da Polícia Judiciária (PJ) em Lisboa.
O projeto, que inclui a construção de nove edifícios e 400 apartamentos, está a ser investigado minuciosamente pelas autoridades, dada a sua aprovação controversa e os laços suspeitos entre os empresários e a autarquia. O empreendimento, localizado na freguesia de São Martinho, tem vista para o mar.
O ‘Dubai Madeira’ promete apartamentos de luxo, desde T1 a T4, com estacionamento incluído, estando a sua conclusão prevista para 2028. Este empreendimento, que já está em fase de construção, foi aprovado por Pedro Calado durante a sua presidência da Câmara Municipal do Funchal.
A Socicorreia, com laços estreitos com Calado inclusive através de patrocínios em eventos de rali, faturou quase 18 milhões de euros em contratos públicos desde junho de 2011 e é uma das empresas investigadas.
https://zap.aeiou.pt/empreendimento-luxo-teia-corrupcao-580649
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