quinta-feira, 18 de junho de 2026

Assim vão fazendo eles vidas faustosas à custa dos impostos do Zé povinho madeirense. Mais meio milhão de euros gastos para nada!

 


Hoje ardemos mais de meio milhão de euros nos EUA ... durante o Mundial.

Em menos de 24 horas, Miguel Albuquerque, como sabemos, um grande fã das redes sociais e está sempre em scrolling com aquela pachorra que lhe é peculiar, apresentou o Bacalhau à Zé do Pipo e já está nos EUA, em dia de jogo de Portugal, para justificar arder mais de meio milhão de euros nossos num brinde. Diz-me ser um "investimento", veio mesmo a calhar a coincidência das datas, abarca muita coisa.

Mas o mais extraordinário é como tentam provar, como tantas outras vezes, as viagens que fazem mas nada concretizam. O cinismo político na Madeira atingiu um novo nível de sofisticação na propaganda, agora faz escala em Nova Iorque. Ver os governantes regionais anunciarem com pompa e circunstância uma reunião além-Atlântico para "abordar o reforço" das ligações da TAP é o exemplo perfeito do tradicional "encher chouriços" a que fomos habituados. Em vez de resolverem o estrangulamento crónico das nossas ligações aéreas onde as decisões são de facto tomadas, preferem vender fotografias em Manhattan e criar a ilusão de uma diplomacia aérea internacional que, na prática, tem zero poder executivo.
A falácia desmonta-se com uma verdade elementar, quem manda na TAP, quem define as rotas estratégicas e quem decide onde são alocados os aviões está na sede da companhia, em Lisboa, e na tutela financeira do Governo da República. Por agora. Ir a Nova Iorque "discutir conectividade" com delegações comerciais locais é o equivalente a ir falar com os santos quando a chave do milagre está com Deus. Trata-se de uma encenação cosmopolita para desviar as atenções do falhanço interno, fingindo que a TAP, uma empresa resgatada com dinheiros públicos e gerida a partir do Terreiro do Paço, decide o seu plano estratégico global numa mesa de café na América do Norte. Ainda por cima em vésperas da privatização.
Esta viagem não passa de um folhetim propagandístico para consumo interno, embrulhado numa retórica bacoca de "mercados estratégicos" e "afirmação internacional". Isto é parta "vilhão ver". Enquanto os madeirenses e a diáspora continuam a pagar passagens a preços proibitivos e a sofrer com a falta de alternativas reais, o poder regional entretém as mentes mais distraídas com promessas vazias a milhares de quilómetros de casa. No fundo, é mais um episódio da velha política do espetáculo, gasta-se o dinheiro dos contribuintes em viagens e reuniões de fachada, regressa-se com um post de Facebook bem ensaiado, e a eficácia prática para a Região continua, como sempre, a voar abaixo do radar.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Saturnino Sousa com excelente artigo sobre o Mundial. (pena ser um entachado do PPD; mas é boa pessoa)

 


O novo Representante da República "escolhido" pelo "Primeiro Damo" (Víctor Freitas) deu grande entrevista no JM do "Meia-Saca"

 O pardalão é amigo da "juíza dos sete maridos" que condenou o antigo jornal garajau e os seus activistas.








Mais um prevaricador do Regime protegido pela justiça dos "mamadeiras" é como a célebre agente de execução Maria João Marques

 O JM do «meia saca» até esconde o nome do transgressor dos deveres de funcionário público para proteger a sua honra... já viram?


Esta roubou 6 milhões de euros na Madeira(através do seu famoso escritório de agente de execução na rua da carreira nº125).
Foi nos anos 2015 a2017.
 Pirou-se para o Continente e nem um dia de cadeia apanhou.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Madeira emitiu mandato de captura a Barbosa e Machado em Agosto de 1996

 

José Quintal Barbosa em 1983 (cortesia do Jornal da Madeira!) O empresário José Barbosa viveu mais os pais na zona dos viveiros no Funchal. O pai dele era barbeiro e tinha várias irmãs. Os vizinhos dizem que eles eram boas pessoas e tinham trato afável com toda a vizinhança.






O mal de uns contribui nalgumas vezes para o lucro e o comércio de outros.Eis a contradição

 Memórias!



A tragédia de 15 de junho de 1904 e o Mercado da Dor que Alimenta o Mundo.

Há uma estranha ironia na condição humana. Choramos os mortos, erguemos monumentos à memória das vítimas e proclamamos solenemente que jamais esqueceremos as tragédias do passado. Contudo, ao mesmo tempo, construímos indústrias inteiras sobre essas mesmas tragédias, transformando o sofrimento em narrativa, a narrativa em espetáculo e o espetáculo em lucro.

O incêndio do General Slocum, ocorrido a 15 de junho de 1904, constitui um exemplo particularmente revelador desse fenómeno.

Naquela manhã de verão, mais de mil pessoas perderam a vida nas águas do rio East. Mulheres e crianças, que apenas procuravam um dia de convívio e alegria, encontraram a morte entre chamas, fumo e águas escuras. O horror daquela tragédia não se limitou ao instante do desastre; prolongou-se nos gritos das mães que viram os filhos afundarem-se com coletes salva-vidas defeituosos, nos sobreviventes que carregaram para sempre a culpa de terem escapado e nas famílias que jamais voltaram a ser as mesmas.

Mas a história não terminou naquele dia.

Com o passar dos anos, os relatos do desastre foram transformados em livros, reportagens, documentários e produções cinematográficas. Escritores encontraram ali matéria-prima para as suas obras. Realizadores descobriram uma narrativa capaz de prender audiências. Editores venderam milhares de exemplares. Produtores arrecadaram receitas significativas. A tragédia converteu-se em património cultural, mas também em ativo económico.

Tal fenómeno não é exclusivo do General Slocum. Parece existir uma espécie de alquimia social que transforma lágrimas em ouro. Quanto maior o sofrimento, maior tende a ser o interesse público. Quanto mais devastadora a tragédia, mais páginas se escrevem, mais bilhetes se vendem, mais audiências se registam.

É como se a dor humana fosse uma matéria-prima inesgotável. O mineiro extrai carvão das profundezas da terra; a indústria cultural extrai emoções das profundezas da condição humana. Uns exploram montanhas, outros exploram memórias.

Não significa isto que a literatura, o jornalismo ou o cinema sejam atividades moralmente condenáveis. Pelo contrário. Muitas vezes, são precisamente estas formas de expressão que impedem que as vítimas sejam esquecidas. Graças a elas, os nomes dos mortos sobrevivem ao tempo e os erros que causaram determinadas tragédias permanecem como advertência para as gerações futuras.

No entanto, permanece uma questão incómoda: onde termina a homenagem e onde começa a exploração?

A resposta talvez nunca seja totalmente clara. Existe uma linha ténue entre recordar e comercializar, entre informar e lucrar, entre homenagear e transformar a desgraça alheia em mercadoria. Essa linha é frequentemente invisível e, por vezes, atravessada sem que disso nos apercebamos.

O desastre do General Slocum recorda-nos precisamente essa contradição. Enquanto os corpos afundavam nas águas do rio East, ninguém poderia imaginar que, décadas mais tarde, aquela tragédia geraria receitas, audiências e notoriedade para inúmeros autores e empresas. O sofrimento de uns acabaria por sustentar o trabalho, a criatividade e até a prosperidade de outros.

Talvez seja esta uma das mais desconcertantes características da humanidade: a capacidade de transformar as suas maiores feridas em histórias. Histórias que educam, emocionam e preservam a memória, mas que também alimentam mercados, criam carreiras e geram riqueza.

No fundo, a dor humana assemelha-se a uma chama. Quando surge, destrói tudo o que encontra pela frente. Mas, depois de extinta, há sempre quem recolha as cinzas para delas fazer livros, filmes, notícias e negócios. E assim, geração após geração, a tragédia continua a produzir frutos muito depois das lágrimas terem secado.

Texto de Luís M Cunha.


Fotografia do Navio “General Slocum, palco de uma das maiores tragédias da história dos Estados Unidos da América, quando, a 15 de junho de 1904, um incêndio a bordo provocou a morte de mais de mil pessoas nas águas do rio East, junto à cidade de Nova York.