A MOCIDADE PORTUGUESA E A MILÍCIA, NO ESTADO NOVO
A Mocidade Portuguesa e a Milícia, foram duas organizações centrais do Estado Novo que muitas vezes são mencionadas juntas, mas tinham funções distintas dentro do regime.
A Mocidade Portuguesa (MP) inspirava-se claramente em modelos fascistas europeus, como a Hitlerjugend e a Opera Nazionale Balilla, embora o regime português procurasse apresentar-se como mais “moderado”.
Como todos os rapazes da minha geração (e anteriores) fui obrigado a pertencer à Mocidade Portuguesa. Na época, era eu muito jovem, nem questionava a situação. Era assim. Não havia alternativa. Até nem era muito mau. Tirando as paradas e os “exercícios militares”, tínhamos a hipótese de praticar desporto, ter equipamentos e locais para o fazer. Só me apercebi do significado, lá pelos meus 14/15 anos, quando uma “chamada à PIDE” me fez começar a ter consciência política. Posso dizer que foi a PIDE que iniciou a minha formação política. Ao ser questionado por um inspector da PIDE (Inspector São José Lopes) acerca de artigo que tinha escrito num simples jornal de turma (do 4.º ano C do Liceu), senti necessidade de perceber porquê.
A Mocidade Portuguesa nasceu num ecossistema europeu onde vários regimes autoritários estavam a criar organizações juvenis para moldar mentalidades desde cedo. Portugal adaptou esse modelo, mas com diferenças importantes que revelam tanto afinidades quanto limites ideológicos do Estado Novo.
A Mocidade Portuguesa (MP) foi criada em 1936, num momento em que: a Hitlerjugend (Juventude Hitlerista) já era obrigatória na Alemanha nazi; a Opera Nazionale Balilla (ONB) era um pilar do fascismo italiano; a Espanha franquista começava a estruturar a Frente de Juventudes
O Estado Novo observou estes modelos e incorporou vários elementos, sobretudo da ONB italiana.
A filosofia de base da MP era: disciplina, nacionalismo, obediência. A da ONB era criar “homens fascistas”. A da Hitlerjugend era a doutrinação total da juventude. A da Frente de Juventudes (Espanha) era o Nacional-catolicismo.
A MP (parcialmente obrigatória) preconizava o nacionalismo conservador e o catolicismo. A ONB (obrigatória), o fascismo, o culto do Estado e do Duce. A Hitlerjugend (obrigatório), o racismo, o militarismo e o culto do Führer. A da frente de Juventudes (parcialmente obrigatória), o nacionalismo, catolicismo e disciplina militar.
As semelhanças eram: uso de uniforme, realizar desfiles, marchas e ginástica colectiva, promover a disciplina e a hierarquia, preparar os jovens para ao serviço militar.
A MP, porém, tinha um tom menos agressivo do que a Hitlerjugend, aproximando-se mais do modelo italiano. A doutrinação política era mais suave, era menos centrada no culto da personalidade (Salazar rejeitava esse estilo), mas era fortemente marcada pelo catolicismo.
A ideia de que a juventude deveria ser “regenerada” pelo Estado era transversal aos regimes autoritários europeus.
Mocidade Portuguesa promovia o nacionalismo conservador, o catolicismo, a disciplina — mas sem racismo institucionalizado nem culto extremo ao líder.
A Hitlerjugend, por exemplo, tinha treino de armas e combate. A ONB tinha unidades pré-militares avançadas. A Frente de Juventudes tinha ligação directa às milícias falangistas.
Em Portugal havia, também, a Milícia. A Milícia (1940) aproxima a MP dos modelos fascistas, mas com limites claros. Embora promovesse o uso de uniforme, a instrução militar reforçada, a participação em cerimónias públicas e a selecção dos mais empenhados, não era uma força armada paralela, não tinha função repressiva, não substituía o Exército nem tinha ideologia racial ou imperialista como a Hitlerjugend.
A MP e as Milícia, embora fossem uma ponte para o serviço militar obrigatório, não atingiu o grau de radicalização das organizações fascistas centrais da Europa. Era uma organização autoritária e nacionalista, mas não totalitária.
O Estado Novo não era um regime totalitário; era autoritário, conservador e católico. A Igreja Católica era um dos pilares do regime, e isso moldou profundamente a Mocidade Portuguesa.
A Mocidade Portuguesa Feminina promovia a formação moral e religiosa, preparava para o papel de “mãe de família”, enfatizava as virtudes cristãs: a modéstia, a caridade e a domesticidade. Isso não tinha paralelo directo na Hitlerjugend, que era muito mais militarizada, nem na ONB, que tinha um braço feminino mais laico.»
José Júlio escreveu este texto
Um bandido do regime. Do pior esse José Júlio.
ResponderEliminarEsteve em tantas frentes e fez tantas coisas, que para serem todas verdade, teria de viver 200 anos...
EliminarA Madeira deu continuidade à Milîcia com a escumalha nova da FLAMA que covardemente colocava bombas à ordem dos mais velhos (Drummond, Machado e Papadas). E à Mocidade Portuguesa com a JSD, a Juventude Sem Destino. Que servia para colocar cartazes de borla, abanar bandeiras nos comícios e recrutar meninas tenras para os poderosos foderem. Foram todas recompensadas com emprego na função pública regional,apartamento na Nazaré, casamento com algum encalhado ou cambados e até placas de borla ás mais desdentadas e boas de broche. Isto o Tio Júlio não contou.
ResponderEliminarOlha se a flama acorda.....
ResponderEliminarPerderam todos as patas na pesca à bomba, depois de 1978. E foram os únicos a quem o PPD nada deu. Bem feito para não serem burros: os covardes, se dessem a cara a dizer o que fizeram e que queriam uma recompensa do Regime Alaranjado, ou iam presos, ou eram mortos, por ordens superiores. Embrulha tonto!
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