sábado, 7 de fevereiro de 2026

José Júlio explica-nos o que era e para que servia a MP (Mocidade Portuguesa) no tempo do Salazar


 A MOCIDADE PORTUGUESA E A MILÍCIA, NO ESTADO NOVO

A Mocidade Portuguesa e a Milícia, foram duas organizações centrais do Estado Novo que muitas vezes são mencionadas juntas, mas tinham funções distintas dentro do regime.
A Mocidade Portuguesa (MP) inspirava-se claramente em modelos fascistas europeus, como a Hitlerjugend e a Opera Nazionale Balilla, embora o regime português procurasse apresentar-se como mais “moderado”.
Como todos os rapazes da minha geração (e anteriores) fui obrigado a pertencer à Mocidade Portuguesa. Na época, era eu muito jovem, nem questionava a situação. Era assim. Não havia alternativa. Até nem era muito mau. Tirando as paradas e os “exercícios militares”, tínhamos a hipótese de praticar desporto, ter equipamentos e locais para o fazer. Só me apercebi do significado, lá pelos meus 14/15 anos, quando uma “chamada à PIDE” me fez começar a ter consciência política. Posso dizer que foi a PIDE que iniciou a minha formação política. Ao ser questionado por um inspector da PIDE (Inspector São José Lopes) acerca de artigo que tinha escrito num simples jornal de turma (do 4.º ano C do Liceu), senti necessidade de perceber porquê.
A Mocidade Portuguesa nasceu num ecossistema europeu onde vários regimes autoritários estavam a criar organizações juvenis para moldar mentalidades desde cedo. Portugal adaptou esse modelo, mas com diferenças importantes que revelam tanto afinidades quanto limites ideológicos do Estado Novo.
A Mocidade Portuguesa (MP) foi criada em 1936, num momento em que: a Hitlerjugend (Juventude Hitlerista) já era obrigatória na Alemanha nazi; a Opera Nazionale Balilla (ONB) era um pilar do fascismo italiano; a Espanha franquista começava a estruturar a Frente de Juventudes
O Estado Novo observou estes modelos e incorporou vários elementos, sobretudo da ONB italiana.
A filosofia de base da MP era: disciplina, nacionalismo, obediência. A da ONB era criar “homens fascistas”. A da Hitlerjugend era a doutrinação total da juventude. A da Frente de Juventudes (Espanha) era o Nacional-catolicismo.
A MP (parcialmente obrigatória) preconizava o nacionalismo conservador e o catolicismo. A ONB (obrigatória), o fascismo, o culto do Estado e do Duce. A Hitlerjugend (obrigatório), o racismo, o militarismo e o culto do Führer. A da frente de Juventudes (parcialmente obrigatória), o nacionalismo, catolicismo e disciplina militar.
As semelhanças eram: uso de uniforme, realizar desfiles, marchas e ginástica colectiva, promover a disciplina e a hierarquia, preparar os jovens para ao serviço militar.
A MP, porém, tinha um tom menos agressivo do que a Hitlerjugend, aproximando-se mais do modelo italiano. A doutrinação política era mais suave, era menos centrada no culto da personalidade (Salazar rejeitava esse estilo), mas era fortemente marcada pelo catolicismo.
A ideia de que a juventude deveria ser “regenerada” pelo Estado era transversal aos regimes autoritários europeus.
Mocidade Portuguesa promovia o nacionalismo conservador, o catolicismo, a disciplina — mas sem racismo institucionalizado nem culto extremo ao líder.
A Hitlerjugend, por exemplo, tinha treino de armas e combate. A ONB tinha unidades pré-militares avançadas. A Frente de Juventudes tinha ligação directa às milícias falangistas.
Em Portugal havia, também, a Milícia. A Milícia (1940) aproxima a MP dos modelos fascistas, mas com limites claros. Embora promovesse o uso de uniforme, a instrução militar reforçada, a participação em cerimónias públicas e a selecção dos mais empenhados, não era uma força armada paralela, não tinha função repressiva, não substituía o Exército nem tinha ideologia racial ou imperialista como a Hitlerjugend.
A MP e as Milícia, embora fossem uma ponte para o serviço militar obrigatório, não atingiu o grau de radicalização das organizações fascistas centrais da Europa. Era uma organização autoritária e nacionalista, mas não totalitária.
O Estado Novo não era um regime totalitário; era autoritário, conservador e católico. A Igreja Católica era um dos pilares do regime, e isso moldou profundamente a Mocidade Portuguesa.
A Mocidade Portuguesa Feminina promovia a formação moral e religiosa, preparava para o papel de “mãe de família”, enfatizava as virtudes cristãs: a modéstia, a caridade e a domesticidade. Isso não tinha paralelo directo na Hitlerjugend, que era muito mais militarizada, nem na ONB, que tinha um braço feminino mais laico.»

José Júlio escreveu este texto

5 comentários:

  1. Um bandido do regime. Do pior esse José Júlio.

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    1. Esteve em tantas frentes e fez tantas coisas, que para serem todas verdade, teria de viver 200 anos...

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  2. A Madeira deu continuidade à Milîcia com a escumalha nova da FLAMA que covardemente colocava bombas à ordem dos mais velhos (Drummond, Machado e Papadas). E à Mocidade Portuguesa com a JSD, a Juventude Sem Destino. Que servia para colocar cartazes de borla, abanar bandeiras nos comícios e recrutar meninas tenras para os poderosos foderem. Foram todas recompensadas com emprego na função pública regional,apartamento na Nazaré, casamento com algum encalhado ou cambados e até placas de borla ás mais desdentadas e boas de broche. Isto o Tio Júlio não contou.

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  3. Olha se a flama acorda.....

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    1. Perderam todos as patas na pesca à bomba, depois de 1978. E foram os únicos a quem o PPD nada deu. Bem feito para não serem burros: os covardes, se dessem a cara a dizer o que fizeram e que queriam uma recompensa do Regime Alaranjado, ou iam presos, ou eram mortos, por ordens superiores. Embrulha tonto!

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