terça-feira, 5 de maio de 2026

“Da pedra da dor ergue-se a memória — e na memória, a única estrada possível: a da paz entre os povos.”Fotografia captada a 6 de maio de 1945, retratando prisioneiros do campo de concentração de Mauthausen-Gusen no momento da sua libertação pelas forças aliadas.(Foto obtida no dia 6 de Maio de 1945)

 Fotografia captada a 6 de maio de 1945, retratando prisioneiros do campo de concentração de Mauthausen-Gusen no momento da sua libertação pelas forças aliadas. 
“Da pedra da dor ergue-se a memória — e na memória, a única estrada possível: a da paz entre os povos.”

Há memórias que não pertencem apenas ao passado — são avisos deixados à humanidade, como marcas gravadas na pedra, difíceis de apagar e impossíveis de ignorar. A libertação do campo de concentração de Mauthausen-Gusen, a 5 de maio de 1945, não foi apenas o fim de um pesadelo para milhares de prisioneiros; foi também um grito silencioso que atravessa o tempo, lembrando-nos até onde pode descer o ser humano quando a guerra, o ódio e a desumanização se tornam norma.
Ali, onde homens foram reduzidos a números, onde a dignidade foi esmagada sob o peso de blocos de pedra e onde a vida valia menos do que o esforço de um dia de trabalho forçado, assistiu-se ao colapso moral de uma ideologia que fez da diferença um crime e da crueldade um método. E, no entanto, foi também ali que, no momento da libertação, se revelou o contrário: a capacidade humana de resistir, de sobreviver, de voltar a erguer-se.
Hoje, quando olhamos para o mundo, vemos que os ecos dessas tragédias ainda não se dissiparam completamente. Conflitos armados persistem, povos continuam a ser deslocados, e discursos de divisão voltam a ganhar espaço onde deveria existir memória e consciência. A história de Mauthausen-Gusen não é apenas um capítulo encerrado — é um espelho inquietante do que pode voltar a acontecer se a humanidade esquecer as suas próprias feridas.
A concórdia entre os povos não é uma utopia ingénua; é uma necessidade urgente. Cada guerra começa sempre com palavras — com a construção do “outro” como inimigo, com a erosão da empatia, com a normalização da indiferença. E foi exatamente esse caminho que levou aos campos de concentração, às câmaras de gás, às escadas da morte. Por isso, cada gesto de diálogo, cada esforço de compreensão entre culturas, cada ponte construída entre diferenças é, em si, um ato de resistência contra a repetição da barbárie.
A libertação de Mauthausen-Gusen deve ser lembrada não apenas como um momento de vitória militar, mas como um apelo moral. Um apelo para que os povos escolham a cooperação em vez do confronto, a dignidade em vez da opressão, a memória em vez do esquecimento. Porque a paz não é apenas a ausência de guerra — é a presença ativa de justiça, respeito e humanidade.
Se há algo que aqueles homens libertados em 1945 nos ensinaram, é que mesmo no mais profundo abismo, a esperança pode sobreviver. Cabe-nos, hoje, honrar essa esperança, recusando o caminho da guerra e escolhendo, com coragem e lucidez, o da concórdia entre os povos.
Texto de Luís M Cunha,colaborador  do blog Pravda


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