Imagens de satélite mostram mais destruição do que era esperado nas bases dos EUA no Médio OrienteMais de duas centenas de estruturas militares dos EUA no Médio Oriente terão sido atingidas por ataques iranianos.
Ainda o conflito entre EUA, Israel e o Irão não tinha chegado às duas semanas e as duas principais empresas de venda de imagens de satélite baseadas nos EUA começavam a restringir o serviço que prestavam aos clientes, no que diz respeito àquela região do Médio Oriente, alegadamente por vontade própria.
Segundo vários meios de comunicação norte-americanos, a decisão foi, na verdade, tomada por pressão do Pentágono, um dos principais clientes de empresas como a Vantor e Planet Labs. Com esta medida em vigor, tornou-se mais difícil perceber ao certo o que acontecia no terreno e chega a agora a informação, veiculada pelo "The Washington Post", que o nível de destruição em bases norte-americanas na região é muito maior do que era público até ao momento.
No total, terão sido atingidas 228 estruturas ou peças de equipamento em recintos militares dos EUA. Sete militares dos EUA morreram e mais de 400 ficaram feridos. As informações agora divulgadas corroboram as anteriormente veiculadas pela CNN internacional, que havia dado conta de um rasto de destruição não divulgado pelo Pentágono, que se recusou a comentar as descobertas.
Com recurso a análise de imagens de satélite divulgadas por meios de comunicação iranianos e comparadas com outras imagens para aferir da sua veracidade, a investigação do jornal norte-americano concluiu que mais de metade dos danos ocorreram no quartel-general da 5.ª Frota, no Bahrein, e em três bases no Kuweit. Estes pontos terão sido escolhidos porque permitiam ataques a partir do território iraniano, revelou uma fonte ao jornal norte-americano.
Imagens divulgadas por meios iranianos das instalaçóes da 5.ª Frota
Os bombardeamentos destruíram sistemas de defesa antimísseis Patriot no Bahrein e no Kuweit, uma antena parabólica na Base de Apoio Naval do Bahrein e sistemas de radar THAAD, na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Uma aeronave de comando e controlo E-3 Sentry foi destruída numa base, na Arábia Saudita, após ter sido estacionada de forma repetida, segundo o "Post", numa zona de circulação desprotegida. Um avião-tanque de reabastecimento também foi atingido.
Os danos na Base Naval de Apoio são "extensos", disse um responsável norte-americano, obrigando o quartel-general da 5.ª Frota a mudar-se para a Base Aérea de MacDill, na Florida, e dois outros responsáveis afirmaram que as forças podem nunca mais regressar às bases regionais nos mesmos moldes.
Analistas contactados pelo jornal afirmam que os EUA podem ainda não ter preparado as suas instalações e modo de operar, em caso, como o do Irão, em que pequenos drones de utilização única podem ser lançados contra um edifício. Mesmo com cargas explosivas de baixa intensidade, a capacidade de ultrapassar defesas tradicionais é grande.
Um dos exemplos é o centro de comando no Kuweit, onde seis militares morreram vítimas de um ataque, que parece ter pouca proteção para uma investida inimiga por via aérea. Foi colocada também a hipótese de os EUA terem subestimado a capacidade de resistência do Irão, as informações já recolhidas sobre os alvos na região e o desgaste dos sistemas de defesa área causado pela guerra de 12 dias do ano passado.
Ainda assim, o jornal coloca a hipótese de alguns dos edifícios destruídos terem sido abandonados previamente e deixados como alvos, para evitar ataques em estruturas mais importantes.
Avião ultrapassado causou estragos
Os aviões foram comprados aos EUA ainda antes da revolução islâmica de 1979 e durante a campanha militar atual conseguiram penetrar as defesas aéreas inimigas e realizar bombardeamentos. "Nos primeiros dias da guerra, um F-5 iraniano conseguiu bombardear Camp Buehring, no Kuweit, apesar de terem defesas aéreas", uma incursão rara contra uma base militar dos EUA, sublinha uma reportagem da NBC.
Segundo especialistas, a utilização de táticas "da velha escola", como voos em altitudes muito baixas, para escapar à deteção por radar, funcionou em alguns casos.

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