quinta-feira, 7 de maio de 2026

JPPês para serem bonzinhos e democratas dão tiros nos pés e o ouro ao bandido

 

Esta abordagem do Juntos Pelo Povo (JPP), ao convidar figuras históricas e de relevo ligadas ao PSD para os seus fóruns de debate "Pensar o Território", é um movimento político sofisticado que pode ser interpretado sob várias perspetivas, algumas das quais confirmam os meus receios, enquanto outras sugerem uma estratégia de afirmação de poder.

A pergunta instantânea é como interpretam os votantes do JPP estas iniciativas? E se vão em consonância com aquilo que o partido lhes atraiu para acabarem votando no JPP. Por outro lado, sem dúvida que se bebe experiência, mas a população que outras políticas, outro modelo económico, outras abordagens em benefício dos madeirenses, para procriar com condições de vida antes que desapareçam e para garantir um futuro para os estudos dos mais novos fora deste modelo esclerosado e perante os desafios da Inteligência Artificial. O que ideias do passado vão contribuir para o futuro, mais do mesmo, um modelo hibrido, o JPP está a colecionar informação para contrapor ou está a destacar o regime e o sistema?

O JPP com esta sucessão de eventos confirma uma tendência, porque ainda não trouxe outra, como convidar gente da oposição limpa de relações e dependências com o PSD. Não sei se é para parecer plural ou recolher toda a informação, mas o simples facto de projetar figuras dos outros e inibir ou omitir as suas, quando chegar na hora das eleições, não tem pessoas reconhecidas e credíveis para justificar o voto e ser mais do que oposição, com um projeto diferente e alternativo. É que parece que o JPP depois de um antagonismo feroz às políticas do PSD, parece estar a serenar e a querer ser credível aos votantes do PSD. Mas, algum dia o PSD vai partilhar poder com quem quer que seja? Algum dia o PSD vai convidar gente do JPP para dar opinião num evento seu? Algum dia os votantes que salivam contra o JPP vão votar JPP. Há uma expressão dentro do PSD que não sei se o JPP conhece, "antes nós do que eles". 

Mas também há momentos com piada dentro do PSD, aqueles que criticaram Jardim, agora, depois de explicado no Madeira Opina, também querem estar presentes a mentalizar os militantes e simpatizantes do JPP. Vejo nisto uma oportunidade para o PS crescer, mas saberá aproveitar a brecha?

Estou a tentar ser racional e explorar tudo isto. O JPP parece estar a tentar descolar da imagem de "partido de protesto" ou de "oposição feroz de base municipal" para se projetar como uma alternativa de governo. Ao colocar oradores, desta feita como Miguel de Sousa ou João Carlos Abreu, nomes com peso institucional e histórico, o partido está a enviar uma mensagem ao eleitorado moderado: "Nós conseguimos sentar à mesa quem conhece o sistema por dentro". É uma tentativa de ganhar respeitabilidade institucional junto de um eleitorado que teme o vazio de poder. Mas a pergunta é esta, o JPP vai perder o seu eleitorado com aventuras ou apostas em eleitores que não mudam presos a interesses com o PSD? Não creio que votem num sucedâneo preterindo o original, portanto, só podemos ficar com a vitória clara em eleições do JPP ou uma coligação.

Assim sendo, quem fica a defender os madeirense do sistema que os esquece e está cada vez mais claro. Ao debater temas técnicos (como o investimento público no golfe e a taxa de utilização das infraestruturas) com especialistas e ex-governantes, o JPP tenta esvaziar o argumento do PSD de que a oposição não tem propostas ou não percebe de gestão. O perigo é a invisibilidade dos quadros próprios. Onde andam os quadros do JPP e para que servem escondidos? O JPP apresenta os mesmos convidados de sempre da comunicação social e, dá-lhes razão. Se o partido não apresenta rostos novos e credíveis ao lado destes "dinossauros" da política regional, corre o risco de parecer apenas um anfitrião de luxo para vozes críticas internas do próprio PSD.

Há um verdadeiro enigma. Dizem que muita gente que foi do PSD votou no JPP, por não concordar com o partido (o PSD), não era suposto dar a palavra aos que tentaram mudar isso no interior do PSD, que foram destratados e banidos, e até forneceram um ou outro quadro ao JPP? A simpatia e pluralidade é com o poder e interesses duros do modelo? Convidar figuras que foram influentes no passado (e que hoje podem estar mais distantes ou não da atual liderança do PSD) é uma forma de expor as divisões no partido do governo? O JPP utiliza estas figuras como "validadores" das suas críticas? Se um antigo Vice-Presidente do Governo Regional critica uma política atual num evento do JPP, essa crítica tem, para o eleitorado, um peso muito maior do que se fosse dita por um deputado da oposição. Mas a incongruência é o tema ser golfe! Pelo tema e pelo interessado. O Golfe ocupa espaço de debate no JPP? Qual o interesse dos madeirenses? É aqui que o JPP deveria ser oposto, antagónico, destacar onde investir os milhões do golfe para chegar à alternância.

O JPP está a perder a clareza da mensagem depois de lhe sabotarem a comunicação. Não é bom caminho. Depois de lhes terem decidido um candidato autárquico, começa a haver influência a mais no pensamento partidário.

Esta estratégia é um fio da navalha, se o JPP serenar demais para atrair o voto do PSD, pode perder o eleitorado que gosta do antagonismo direto e da combatividade que os caracteriza na autarquia e parlamento, abre um flanco. Se o JPP se foca em converter eleitores do PSD através da moderação, o PS pode tentar recuperar o espaço da oposição ideológica mais clara. No entanto, o PS da Madeira tem tido dificuldade em encontrar esse tom sem parecer estar apenas a reagir aos acontecimentos. Mas o PS pode ganhar votos imediatos porque neste JPP o votante não quer estar. Basta a suspeita, se o PSD não se aproxima do PS então...

O PSD alguma vez convidaria alguém do JPP é a chave para entender a assimetria. O PSD não precisa de convidar a oposição para legitimar os seus eventos, porque detém a máquina do poder. O JPP, ao fazer o contrário, admite implicitamente que a "chancela de credibilidade" ainda reside, na mente de muitos madeirenses, em figuras ligadas à história do regime autonómico.

Quando o PSD-M está a fragilizar com casos de justiça, com dívidas, com falta de quadros e know how porque só premeia seguidistas cegos por uma benesse, parece que o JPP quer ser o plano B da velha guarda do PSD-M, que ainda não conseguiu recentrar o PSD-M, e que sabe muito bem que da maneira como vamos há divisão entre os madeirenses por conta do modelo económico que os esqueceu... por onde quer navegar o JPP nesta realidade?

O JPP está a jogar o "jogo longo". Estão a tentar demonstrar que não são o "papão" que vai destruir a autonomia, mas sim os seus novos curadores. Quer moderar o ódio visceral que se vê nalguns fanáticos do PSD ao JPP e retirar o medo dos funcionários públicos em votar JPP porque herdaria a máquina. O perigo reside em saber se estão a construir uma alternativa própria ou se estão apenas a servir de palco para um PSD descontente que, no dia das eleições, acabará sempre por votar no "original" e não na "cópia moderada". O que foi que aconteceu nas últimas regionais com o candidato com a pior imagem de sempre do PSD? Ganhou!

A malta não vai com sucedâneos, o caminho são novas políticas antes que novos "eleitores importados" voltem a fortalecer o PSD. Vai a bom ritmo.

Não poderia deixar de lançar esta farpa, qualquer dia, o DN Madeira tem que tratar o JPP não como adversário mas como concorrência, que algum dia pode ter mão no Mediaram, mas a atitude vai dar na mesma, como na hora da verdade do PSD, eleições, puro e duro para a vitória.

(Emanuel Bento)

1 comentário:

  1. Foi bom eles se mostrarem com o piorio do PPD. Eu votava no Jpp, mas a partir do momento que convidaram o ditador Bokassa para as suas palestras não agarram mais nenhum voto meu e da minha família. O JPP não tem respeito pelas pessoas que foram perseguidas por esta máfia. Nem pelos empresários que foram alvo de concorrência desleal por parte dos oligarcas corruptos que compram o poder. A partir de agora nem mais um voto. Eu quero partidos que combatam esta máfia e não que se juntem a eles.

    ResponderEliminar