sábado, 11 de março de 2023

" Esmifrando o povo" escreve hoje Manuel Carvalho da Silva

 


 «Quando, por má gestão ou por negociatas fraudulentas, os bancos entram em crise, os cidadãos pagam a fatura. Quando os cidadãos ficam prisioneiros de “crises” como acontece no presente, em que a guerra e a inflação “justificam” todos os sacrifícios, os bancos aproveitam para aumentar escandalosamente os seus lucros. Os dados publicados ontem, neste jornal, são elucidativos: “as seis maiores instituições financeiras a operar no país alcançaram um resultado líquido superior a 2,5 mil milhões de euros” em 2022. Um aumento nos lucros “de quase 70%”, obtido à custa de altas taxas de juros, de comissões diversas, da não remuneração de depósitos e através de despedimentos. No comércio a retalho, os portugueses são todos os dias roubados. Aos preços de produtos de primeira necessidade são impostas escandalosas margens de lucro. Segundo a ASAE “no retalho, registámos margens médias de lucro bruto, referentes ao ano de 2022, entre: 20% e 30% (açúcar branco, óleo alimentar, dourada); 30% e 40% (conservas de atum, azeite, couve-coração); 40% e 50% (ovos, laranja, cenoura, febras de porco); e mais de 50% (cebola)”. Este roubo prossegue em 2023. A denúncia, tardiamente assumida pelo Governo, vai ter consequências e serão adotadas medidas que travem este escândalo? O presidente da República, na entrevista que concedeu à RTP e “Público” na noite de quinta-feira, reconheceu haver, por parte de empresários de vários setores, “aproveitamento da conjuntura como oportunidade de negócio inaceitável”. Todavia, considerou que o combate à inflação apenas “depende da economia” e ele “espera” que “haja fatores que a façam descer”. Direi que se ficarmos à espera de solução por essa via, será melhor esperar sentados. Os parasitas vão sugar o povo até ao limite. ».

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