«Ronaldo perdeu cedo a magia do
drible e engoliu números e mais números a quem passou a prestar uma medíocre vassalagem que me desiludiu. Os números das cansativas
estatísticas comparativas com Messi,
os números da estratosférica conta
bancária e ultimamente, em linha
com os novos e tristes tempos, os
irritantes números de seguidores no
Instagram. Mais os possíveis mil golos para os quais já não há paciência.
É inevitável que o tamanho da sua
projecção alimente conversas e teorias e discussões, até porque a história que temos diante de nós é inédita.
E isto não é sobre futebol. É sobre
carácter ou falta dele, mentiras e
traições. E nem o futebol é só futebol, na Europa e na América Latina.
Não compreender isto é perceber
pouco de povos.
Mas é também claro que o folhetim
Ronaldo não é vital para a vida de
cada um de nós. Já chega, no entanto, da iluminada e pedante posição
de “há questões muito mais importantes para a vida das pessoas”. Claro que há. Mas então vejam notícias.
Não falem como se os temas importantes não estivessem nos telejornais
todos os dias de todas as semanas
dos últimos meses, os combustíveis,
os exames, o cabaz das compras, as
taxas de juro, mais a Ucrânia e Gaza.
Que Ronaldo seja feliz na torre de
marfim e ouro e diamantes. Nesta
recta final foi só desse lugar que nos
encarou.»


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