sábado, 10 de outubro de 2026

Cartaz do "expresso" é ofensivo para o nosso Ronaldo assim como o artigo de Rodrigo Guedes de Carvalho

 

«Ronaldo perdeu cedo a magia do drible e engoliu números e mais números a quem passou a prestar uma  medíocre vassalagem que me desiludiu. Os números das cansativas estatísticas comparativas com Messi, os números da estratosférica conta bancária e ultimamente, em linha com os novos e tristes tempos, os irritantes números de seguidores no Instagram. Mais os possíveis mil golos para os quais já não há paciência. É inevitável que o tamanho da sua projecção alimente conversas e teorias e discussões, até porque a história que temos diante de nós é inédita. E isto não é sobre futebol. É sobre carácter ou falta dele, mentiras e traições. E nem o futebol é só futebol, na Europa e na América Latina. Não compreender isto é perceber pouco de povos. Mas é também claro que o folhetim Ronaldo não é vital para a vida de cada um de nós. Já chega, no entanto, da iluminada e pedante posição de “há questões muito mais importantes para a vida das pessoas”. Claro que há. Mas então vejam notícias. Não falem como se os temas importantes não estivessem nos telejornais todos os dias de todas as semanas dos últimos meses, os combustíveis, os exames, o cabaz das compras, as taxas de juro, mais a Ucrânia e Gaza. Que Ronaldo seja feliz na torre de marfim e ouro e diamantes. Nesta recta final foi só desse lugar que nos encarou.»

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