sábado, 7 de novembro de 2026

O Madeira Opina retrata bem o modus operandi do monopolista Sousa


Monopolista dos portos, prémio em causa própria, bajulação no seu jornal.

Imagina que há uma corrida na escola. Só que, quando o apito toca, só uma criança está na pista. Ela corre, chega à meta, levanta os braços e grita: “Sou a mais rápida! Ganhei a todos!” Todos olham para ela e perguntam: “Ganhaste a quem?” E ela responde, muito orgulhosa: “A ninguém. Mas ganhei na mesma.”

É mais ou menos isto que acontece quando uma empresa diz que é “a melhor” num sítio onde quase não há outras empresas para comparar. Ser o melhor exige, no mínimo, alguém ao lado para perder. É como ser o melhor futebolista do mundo jogando sozinho contra uma parede: a parede até pode ser muito respeitável, mas não conta para o ranking.

Para ser “a melhor”, normalmente é preciso:

  • Ter concorrentes.
  • Ter clientes com escolha.
  • Ter preços, prazos e qualidade comparáveis.
  • Ter alguém que possa dizer: “Eu prefiro a outra.”

Sem isso, não é excelência. É só estar lá.

Se houver apenas uma padaria na ilha, essa padaria pode fazer pão bom, pão mau ou pão com passas e azeitonas — e as pessoas continuam a comprar lá, porque não há outra padaria. Isso não transforma o padeiro num génio da pastelaria. Transforma-o, no máximo, no único padeiro disponível.

A palavra “concorrência” parece complicada, mas para uma criança de cinco anos é fácil: são os outros meninos que também querem o mesmo brinquedo. Se só tu queres o brinquedo, não há disputa. Se só tu podes vendê-lo, não há escolha. E se não há escolha, chamar-se “o melhor” é um pouco como dizer “sou o mais alto da minha casa” quando moras sozinho.

O Grupo Sousa é descrito como um grupo madeirense com atividades em transporte marítimo, portos, camionagem, agentes de navegação, transitários, logística, armazéns, energia e turismo. A Autoridade da Concorrência analisou operações recentes envolvendo o grupo e concluiu, nos casos publicados, que não criariam entraves significativos à concorrência nos mercados relevantes identificados. Portanto, a piada não é uma acusação jurídica: é uma observação sobre como “liderança” e “qualidade” só ganham sentido quando existe alternativa.

Há uma receita infalível para nunca perder:

  1. Escolhe um mercado pequeno.
  2. Garante que há poucas alternativas.
  3. Diz que és líder.
  4. Espera aplausos.

Se ninguém pode escolher outra empresa, a empresa ganha todos os dias. Não porque fez um serviço extraordinário, mas porque a alternativa é… não ter alternativa.

E assim se constrói uma carreira brilhante: imbatível e permanentemente campeã — de uma competição em que, convenientemente, quase ninguém foi convidado a participar. Não prestas para nada Luís Miguel de Sousa.



una "famiglia" felice

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