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A revolta subjacente ao vandalismo das máquinas da Socicorreia no golfe do Porto Santo reflete o profundo choque entre as prioridades do investimento público e as necessidades básicas da população. Enquanto se canalizam cerca de 10 milhões de euros para a ampliação de um campo de golfe em nome do turismo para o negócio imobiliário, infraestrutura para gerar negócios a privados, outras infraestruturas essenciais como o centro de saúde da ilha continuam por concluir, deixando os cidadãos desamparados no que toca aos seus direitos mais fundamentais. Depois dos transportes, a saúde.
Esta disparidade gera um sentimento crescente de injustiça social e marginalização, o Porto Santo é mais do que a cobertura jornalística do Presidente da CMPS. Para a população local, a mensagem transmitida pelas decisões políticas é clara, o conforto, o lazer e os interesses económicos das elites e dos visitantes sobrepõem-se à dignidade e à saúde de quem ali vive e trabalha diariamente.
A passagem a atos de vandalismo e destruição, embora ilegal e violenta, surge como a manifestação duma sociedade extremada e sufocada pela frustração. Quando os canais democráticos e o diálogo parecem falhar na resposta às carências essenciais, a tensão acumulada acaba por rebentar na forma de revolta contra os símbolos visíveis do investimento milionário.
É preciso "ler" a situação, onde, quem, porque, aquelas perguntas que os jornalistas deixaram de fazer. Cuidado com a certeza de que o povo será sempre sereno e o regime fará sempre as obras para a elite esquecendo-se da população. Pode acabar o ambiente de serenidade para governantes e seus negócios. Está de caras.
Este aviso foi no campo de golfe que existe e está para nascer outro. Algum povo pode ser iludido no Curral e na Ponta do Pargo, ou pelo menos caracterizado por populares escolhidos a dedo, mas de repente o controlo foge da mão.













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