Hoje ardemos mais de meio milhão de euros nos EUA ... durante o Mundial.
Em menos de 24 horas, Miguel Albuquerque, como sabemos, um grande fã das redes sociais e está sempre em scrolling com aquela pachorra que lhe é peculiar, apresentou o Bacalhau à Zé do Pipo e já está nos EUA, em dia de jogo de Portugal, para justificar arder mais de meio milhão de euros nossos num brinde. Diz-me ser um "investimento", veio mesmo a calhar a coincidência das datas, abarca muita coisa.
Mas o mais extraordinário é como tentam provar, como tantas outras vezes, as viagens que fazem mas nada concretizam. O cinismo político na Madeira atingiu um novo nível de sofisticação na propaganda, agora faz escala em Nova Iorque. Ver os governantes regionais anunciarem com pompa e circunstância uma reunião além-Atlântico para "abordar o reforço" das ligações da TAP é o exemplo perfeito do tradicional "encher chouriços" a que fomos habituados. Em vez de resolverem o estrangulamento crónico das nossas ligações aéreas onde as decisões são de facto tomadas, preferem vender fotografias em Manhattan e criar a ilusão de uma diplomacia aérea internacional que, na prática, tem zero poder executivo.
A falácia desmonta-se com uma verdade elementar, quem manda na TAP, quem define as rotas estratégicas e quem decide onde são alocados os aviões está na sede da companhia, em Lisboa, e na tutela financeira do Governo da República. Por agora. Ir a Nova Iorque "discutir conectividade" com delegações comerciais locais é o equivalente a ir falar com os santos quando a chave do milagre está com Deus. Trata-se de uma encenação cosmopolita para desviar as atenções do falhanço interno, fingindo que a TAP, uma empresa resgatada com dinheiros públicos e gerida a partir do Terreiro do Paço, decide o seu plano estratégico global numa mesa de café na América do Norte. Ainda por cima em vésperas da privatização.
Esta viagem não passa de um folhetim propagandístico para consumo interno, embrulhado numa retórica bacoca de "mercados estratégicos" e "afirmação internacional". Isto é parta "vilhão ver". Enquanto os madeirenses e a diáspora continuam a pagar passagens a preços proibitivos e a sofrer com a falta de alternativas reais, o poder regional entretém as mentes mais distraídas com promessas vazias a milhares de quilómetros de casa. No fundo, é mais um episódio da velha política do espetáculo, gasta-se o dinheiro dos contribuintes em viagens e reuniões de fachada, regressa-se com um post de Facebook bem ensaiado, e a eficácia prática para a Região continua, como sempre, a voar abaixo do
mais um mamão do PSD que foi para os EUA à nossa custa! O pardalão diz que foi apoiar a nossa Seleção!

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