domingo, 22 de fevereiro de 2026

O "caso de Maria João Marques" em risco de prescrição



 


(Trabalho de investigação do jornalista Miguel Fernandes Luís)

O caso da agente de execução Maria João Marques, que é acusada de desviar 352 mil euros de 15 processos de cobrança de dívidas, um dos maiores, mais complexos e antigos processos penais que aguardavam julgamento na Comarca da Madeira, sofreu um novo percal-ço. Isto porque a principal arguida alegou que o tribunal que tem competência para julgar a acção é o de Cascais. A juíza do tribunal do Funchal aceitou esta perspectiva e ordenou a remessa dos autos para o continente. É mais um atraso num processo que já leva mais de 12 anos. Os crimes correm agora risco de prescrição.

Foi há precisamente um ano que a juíza de instrução do tribunal do Funchal confirmou a acusação do Ministério Público deste gigantes-o processo, constituido por 2‹ volumes, com quase 10 mil pági-nas, além de 98 volumes apensos.

A agente de execução Maria João Marques, o seu marido Rui Marques e a funcionária madeirense Ana Cristina, bem como a empresa 'Oceanflowers SFPS', controlada pelos três arguidos, deveriam responder pela prática dos crimes de peculato, branqueamento de capitais e falsidade informática. A ex-agente de execução era ainda pronunciada pelo crime de falsificação de documento.

O processo, que foi alvo de denúncias públicas, segue agora para Cascais, por ordem do tribunal do Funchal. O processo foi remetido para julgamento no tribunal do Funchal (Edifício 2000). Acontece que Maria João Marques e o marido contestaram essa pronúncia.

Além de manifestarem o seu "re-púdio (...) por terem sido alvo de investigação criminal de forma persecutória (...) durante mais de 9 anos", alegaram que o tribunal com competência para julgar o processo era o de Cascais e não o do Funchal, por ser aquele que abrange a área na Parede onde a agente de execução tinha o seu escritório profissional. O procurador do Ministério Público foi chamado a se pronunciar sobre a questão e concordou que os arguidos tinham razão na invocação da incompetência territorial.

Após análise do problema, a 13 de Janeiro passado, a juíza Teresa de Sousa, que presidia ao colectivo do Funchal a quem foi distribuído o processo, assinou um despacho para remessa do processo para o Juízo Central Criminal de Cascais.



PROCESSO POR DESVIO DE 352 MIL EUROS SALTA DE TRIBUNAL EM TRIBUNAL HÁ MAIS DE 12 ANOS

(Comarca de Lisboa Oeste). O envio do enorme processo deverá ocorrer dentro de poucos dias.

 A contestação de Maria João Marques e do marido levantou outra questão importante, que a juíza Teresa de Sousa deixou para os seus colegas do continente responderem. A defesa dos arguidos considera que os crimes de falsificação de documento e falsidade informática "encontram-se prescritos" e extinta a responsabilidade criminal, face ao tempo decorrido desde a sua alegada prática e a data da acusação.

 Juízo Central Criminal de Cascais "tem um número elevado de processos" cuja complexidade "é considerável", sendo que, devido ao seu escasso número de juizes e funcionários, é "manifestamente inviável dar cumprimento atempado a todos eles", "havendo processos que se movimentam muito lentamente", lê-se no relatório de 2024 da Comarca de Lisboa Oeste. O caso de Maria João Marques não é considerado um processo prioritário, pois não tem arguidos presos. Mesmo que no tribunal de Cascais não se levante novo incidente sobre a competência territorial, possibilidade em aberto e que teria de ser resolvida pelo Tribunal da Relação de Lisboa, não se antevê para tão cedo o julgamento da antiga agente de execução. A hipótese de todos os crimes prescreverem também não deve ser descartada.

Recorde-se que boa parte das acusações de desvio de dinheiros que recaem sobre Maria João Marques diz respeito a processos de execução do tribunal do Funchal. Em 2015, o então juiz presidente da Comarca da Madeira, Paulo Barreto, apontou a acçao daquela profissional como a principal causa dos atrasos da secção de execução.

AS MUITAS VOLTAS QUE ATRASAM UM PROCESSO

19/12/2013-

Ministério Público na Comarca do Porto ordena a extracção de uma certidão de um processo de execução, por haver suspeitas de retenção ilegítima de verbas por parte da agente de execução Maria João Marques. A certidão é remetida para a Comarca de Cascais, que deveria investigar o caso, por ser a área de domicílio da suspeita.

28/09/2015-

O processo encontrava-se no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Cascais quando uma ordem de serviço da Procuradoria de Lisboa Oeste (coordenação) determina que todos os inquéritos de criminalidade económico-financeira da Comarca devem passar a ser tramitados pelo DIAP de Sintra.


14/03/2016 -

Já após ter ordenado várias diligências e entregue a investigação à Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, com recolha de provas e apresentação de um primeiro relatório de análise contabilística, o magistrado do DIAP de Sintra dá um despacho a dizer que o inquérito deve ser investigado pelo DIAP de Lisboa.

06/05/2016-1

—O DIAP de Lisboa diz que também não lhe compete instruir o processo, pelo que pede a intervenção da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa para dirimir o conflito.

12/05/2016-

-A procuradora-geral distrital de Lisboa Maria José Morgado determina que o inquérito deve prosseguir no DIAP de Sintra.


14/12/2020- 

Devido à lentidão da investigação, a empresa madeirense

'Tomiauto' requer à Procuradoria-Geral da República

(PGR) a aceleração processual.


19/01/2021-

A PGR ordena que se dê prioridade ao processo.

18/11/2021-

-A procuradora Ana Catarina Carvalho (DIAP Sintra) assina o despacho de acusação contra quatro arguidos (três pessoas e uma empresa).


03/01/2022-

Maria João Marques e o marido, por discordarem da acusação, pedem a abertura de instrução. A arguida Ana Cristina pedirá, depois, o mesmo.


 04/2022-E-o juiz de instrução e o MP de Sintra concluem que, por o principal escritório estar localizado na Parede, quem deve decidir o processo é o juiz de instrução de Cascais. A arguida Ana Cristina contesta esta decisão.


04/11/2022-L7-0 Tribunal da Relação de Lisboa decide que a instrução deve ser feita em Cascais.


13/03/2023-

A juíza de instrução de Cascais ordena a remessa do processo para o Funchal, por ser a área da maior parte dos processos de execução que foram investigados.


14/02/2025-

Despacho de pronúncia da juíza de instrução do Funchal, que confirma os factos da acusação do MP e remete o caso para julgamento no tribunal do Funchal. O casal de arguidos Maria João e Rui Marques contesta a decisão.


13/01/2026-

A juíza do Juízo Central Criminal do Funchal ordena a remessa do processo para o tribunal de Cascais, por entender que é quem tem competência para julgar o caso

18/11/2021-

—A procuradora Ana Catarina Carvalho (DIAP Sintra) assina o despacho de acusação contra quatro arguidos (três pessoas e uma empresa).

03/01/2022-

-Maria João Marques e o marido, por discordarem da acusação, pedem a abertura de instrução. A arguida Ana Cristina pedirá, depois, o mesmo.

08/04/2022-

-0 juiz de instrução e o MP de Sintra concluem que, por o principal escritório estar localizado na Parede, quem deve decidir o processo é o juiz de instrução de Cascais. A arguida Ana Cristina contesta esta decisão.


04/11/2022-

-0 Tribunal da Relação de Lisboa decide que a instrução deve ser feita em Cascais.


13/03/2023-

-A juíza de instrução de Cascais ordena a remessa do processo para o Funchal, por ser a área da maior parte dos processos de execução que foram investigados.


14/02/2025-

-Despacho de pronúncia da juíza de instrução do Funchal, que confirma os factos da acusação do MP e remete o caso para julgamento no tribunal do Funchal. O casal de arguidos Maria João e Rui Marques contesta a decisão.

13/01/2026-

—A juíza do Juízo Central Criminal do Funchal ordena a remessa do processo para o tribunal de Cascais, por entender que é quem tem competência para julgamento.




Protagonistas:
Ana Cristina Abreu, funcionária de Maria João Marques
Rui Marques, marido de Maria João Marques
Foto da famosa agente de execução Maria João Marques.
 Juiza do regime madeirense Teresa de Sousa (actual juíza presidente da Comarca da Madeira) já condenou o Coelho por difamação várias vezes.

Juiz desembargador Paulo Barreto inimigo do Coelho. Já foi juiz presidente da Comarca da Madeira. Actualmente é juiz desembargador do TRL onde ganha uma pipa de massa 7 mil euros por mês.
Penhora da pensão do Coelho em favor da agente de execução Maria João Marques.


 António Fontes o advogado de José Manuel Coelho já andou fazendo as contas e chegou à surpreendente conclusão, que decorrido este tempo todo, Maria João Marques já tem créditos de penhora a receber de José Manuel Coelho no valor superior a 2 milhões de euros.Isto tal como nos antigos filmes americanos dos anos sessenta, chegamos finalmente à conclusão, que o crime compensa.
Para completar o valor total da penhora Coelho levará 4200 meses a pagar, ou seja: vai levar 350 anos a pagar a respectiva quantia a que foi condenado pelo tribunal sórdido da Comarca da Madeira.

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