O Ministério Público feito com o governo dos mamadeiras, já tinha encerrado o processo
Dois pesos, duas medidas.
Analisando as entrelinhas e cruzando com o modus operandi da justiça na Região, saltam à vista três ilações fundamentais.
Enquanto no continente o MP adota uma postura hiper-acusadora, muitas vezes mediática e minuciosa face a crimes ambientais e de colarinho branco, na Madeira o Ministério Público local parece sofrer de uma letargia crónica. Teve de ser uma associação ambientalista (a Associação Social Democrata do Ambiente, Terra e Oceano) a exigir a abertura de instrução e a fazer o trabalho que competia aos procuradores. É legítimo especular: a quem interessa fechar os olhos ao lixo tóxico das empreitadas locais? Há miopia seletiva do Ministério Público Regional. Isto está de facto tudo controlado?
Os factos validados pela juíza Susana Mão de Ferro são demolidores. Falamos de toneladas de amianto desaparecidas no caminho para o continente (uma diferença inexplicável entre o que a empresa alegava enviar e o que realmente chegava à Azambuja) e de análises laboratoriais que confirmaram a presença de fibras perigosas no solo de São Vicente. Para o MP, isto não era suficiente para deduzir acusação; foi preciso uma magistrada judicial reverter a decisão para que o óbvio não fosse, literalmente, "enterrado". Afinal enterram as evidências físicas?
A empresa arguida realizava empreitadas de remoção de fibrocimento em edifícios públicos. Ou seja, era paga pelo erário público para descontaminar e, em vez disso, criava lixeiras tóxicas clandestinas no território regional. O arquivamento inicial pelo MP faz pairar a suspeita de que existe uma proteção tácita e uma rede de influências que garante a impunidade aos empresários do regime, blindando-os contra o escrutínio criminal até ao limite do impossível. Temos sempre a conivência sistémica com os senhores das obras públicas. Sendo nas ginjas ainda acabava com um tapete de alcatrão em cima...
Este caso prova que na Madeira, há setores da justiça que teimam em manter os joelhos flectidos perante os interesses instalados. Se não fossem os raros anticorpos do sistema, como as associações independentes e juízes que recusam a anestesia, o amianto continuaria a contaminar o solo madeirense com o carimbo de "arquivado e esquecido".
Entretanto, o cancro aparece em grande.
Esse energúmeno, numa zona de calhau, em São Vicente, tinha um depósito de lixo, incluídos fogões e frigoríficos, sabe-se la se também não teria fibrocimentos. Tendo sido obrigado a terraplanar esse sítio, o qual fez com toneladas de terra e pedras, formando um aterro, o qual hoje em dia é usado por campistas nas festas de São Vicente, chegando, há anos, a cobrar pelo seu uso. Entretanto reclama, no ministério público, esse sítio, em orla marítima, como propriedade sua. Seria boa ideia, fazê-lo levantar o entulho a ver o que lá existe.
ResponderEliminarE o caso do poço de petróleo que a EEM criou no leito da Ribeira dos Socorridos onde despejava óleos e fuelóleo? Na mesma ribeira para onde escorrem os esgotos e os pesticidas dos terrenos do Curral das Freiras... E de onde a ECM capta água pura para engarrafar e fazer Cervejas e Brisas!
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