sábado, 28 de fevereiro de 2026

Francisco Teixeira da Mota escreve no jornal PÚBLICO sobre os três milhões de euros que o activista Coelho foi condenado a pagar à agente de execução Maria João Marques



A justiça em acção

 No processo em que é arguida a agente de execução, já se avista a luz ao fundo do túnel. Quanto ao activista, a escuridão é total

 O caso da agente de execução Maria João Marques, que é acusada de desviar 352 mil euros de 15 processos de cobrança de dívidas, um dos maiores, mais complexos e antigos processos penais que aguardavam julgamento na comarca da Madeira sofreu um novo percalço. Isto porque a principal arguida alegou que o tribunal que tem competência para julgar a acção é o de Cascais. A juíza do Tribunal do Funchal aceitou esta perspectiva e ordenou a remessa dos autos para o continente. É mais um atraso de um processo que já leva mais de 12 anos. Os crimes correm agora risco de prescrição.” É assim que começa um esclarecedor artigo publicado, no passado domingo, no jornal Diário de Notícias Madeira, da autoria do jornalista Miguel Fernandes Luís, e que nos dá conta do notável percurso, pelos nossos tribunais, deste processo “constituído por 28 volumes, com quase dez mil páginas, além de 98 volumes apensos”. Segundo refere Miguel Fernandes Luís, o Juízo Central Criminal de  Cascais “tem um número elevado de processos cuja complexidade é considerável”, sendo que, devido ao seu escasso número de juízes e funcionários, “é manifestamente inviável dar cumprimento atempado de todos eles, havendo processos que se movimentam muito lentamente”, como consta do relatório do ano de 2024 da Comarca de Lisboa Oeste. Não sendo “o caso de Maria João Marques considerado um processo prioritário, pois não tem arguidos presos, mesmo que o Tribunal de Cascais não levante novo incidente sobre a competência territorial, possibilidade em aberto e que teria de ser resolvida pelo Tribunal da Relação de Lisboa, não se antevê para tão cedo o julgamento da antiga agente de execução. A hipótese de todos os crimes prescreverem também não deve ser descartada”. Os crimes por que responderão (?), em juízo, a agente de execução, o seu marido, uma sua funcionária e a empresa OceanFlowers, SGPS, são o de peculato, de falsidade informática e de branqueamento capitais e estão em causa 351.729,16 euros que teriam sido desviados pela agente de execução Maria João Marques no exercício da sua actividade profissional. Curiosamente (mas não surpreendentemente), enquanto este processo se arrasta pelos meandros da nossa justiça, um outro processo na Madeira foi célere: o processo cível que a referida agente de execução intentou, no Funchal, contra José Manuel Coelho (declaração de interesses: defendi José Manuel Coelho em diversos casos, tanto a nível nacional como junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, mas não tive qualquer intervenção neste processo que lhe moveu Maria João Marques). Um processo proposto em tribunal em 2013, que teve sentença em Junho de 2013 e que condenou o activista político José Manuel Coelho, que denunciara, publicamente, a actuação da solicitadora em causa, no seu conhecido estilo, nomeadamente referindo-a, entre outras expressões, como “uma burlona”, “uma corrupta”, “a pessoa que contratou os assassinos do sindicalista francês Christian Poucet”, “a pessoa que rouba os madeirenses” ou “a solicitadora que rouba os madeirenses”. A 2.ª Secção da Vara de Competência Mista do Funchal condenou o activista a indemnizar a solicitadora, em dez mil euros, pelos danos morais que lhe provocara, uma vez que este tribunal deu como provado que Maria João Marques era “uma pessoa sensível, educada, trabalhadora, honesta, séria, com competência e notoriedade reconhecida por todos quanto a conhecem, com ela trabalham, nomeadamente em termos profissionais por colaboradores, mandatários e exequentes”. Condenou-o, ainda, a remover da Internet todos os vídeos e textos relacionados, directa ou indirectamente, com um vídeo com o título “Coelho fecha a cadeado escritório de solicitadora burlona”, que contivessem “referências à personalidade, ao comportamento pessoal e ao desempenho profissional” da agente de execução. Com um pequeno acrescento: José Manuel Coelho teria de pagar mil euros “por cada dia de atraso na efectivação de tal remoção”. Sucede que o ex-deputado e candidato presidencial madeirense não recorreu desta decisão e não retirou da Internet tudo o que era determinado na sentença, por, segundo afirmou, ser inexequível, até porque não é o responsável exclusivo pela sua colocação. E, assim, desta forma, podemos ver a justiça a exercer-se de duas formas. No processo em que é arguida a agente de execução, já se avista a luz ao fundo do túnel: a prescrição que, de resto, invocou na contestação apresentada na Madeira. Quanto ao activista madeirense, a escuridão é total: para além de ter a sua pensão penhorada à ordem da agente de execução, já lhe devia cerca três milhões e 300 mil euros em 6 de Janeiro de 2020. Estão, assim, ambos a ser premiados pela nossa justiça em acção.
-Francisco Teixeira da Mota, advogado, escreve ao Sábado

Padre maquiavélico obriga o grande Jornalista Élvio Passos a fazer uma entrevista laudatória ao direitolas José Manuel Rodrigues

 Quando o ganha pão está em jogo é sempre melhor entrar no jogo dos corruptos , porque ser democrata e antifascista não paga as contas no fim do mês.




Élvio Passos foi obrigado a entrevistar o aliado nº1 do Luís Miguel de Sousa o monopolista dos Portos na Madeira. Se não fizesse esta laudatória entrevista claro que era logo  despedido do Diário de Notícias do Funchal.

Este é o "padre das esmolinhas" que bem podia despedir Élvio Passos se ele não fizesse a entrevista ao direitolas do regime mamadeiras.

Joana Amaral Dias denuncia o ministro da agricultura do Governo de Montenegro

 


🚨
José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Pescas
👇🏻
1️⃣
Apesar de possuir duas casas em Lisboa, e património superior a 1,4 milhões de euros, está a receber subsídio de alojamento para exercer funções governativas.
2️⃣
Apesar de estar empregado com salário de ministro, recebe subsídio de reintegração profissional europeu.
3️⃣
Chama aos dirigentes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas “mentirosos”, “cobardes”, “radicais”, “empatas” e ainda acrescenta que “só está a pôr os nomes aos gatinhos”- isto tudo porque defende promotores e não qualidade dos projetos e o cumprimento das regras.
4️⃣
Como se não bastasse, anda por aí a zurrar jumentices como “a longevidade é maior onde se bebe tinto verde”.
🚨
Se isto não é um representante do fim do Estado de Direito, é o quê
⁉️
Digam-me o que acham.

Vítimas da guerra colonial fascista nas ex-colónias bem cantava Zeca Afonso:" o soldadinho não volta do outro lado do mar!"

 

Carne para canhão no tempo do fascismo em Portugal

A FOTOGRAFIA DESTACA O CONTRASTE entre o protocolo militar rígido (representado pelos oficiais em farda de gala e as tropas formadas ao fundo) e o luto profundamente pessoal da humilde mulher, vestida de preto e com o lenço tradicional, simbolizando o sacrifício das famílias portuguesas durante a Guerra do Ultramar nas décadas de 1960 e 1970, . Estas mulheres jovens tinham direito (além da medalha) a uma pensão de sobrevivência que perderiam caso se casassem de novo!

O sobrinho riquinho Sauda o tio riquinho na sua página do facebook

 

Bernardo Trindade
Estas duas fotografias distam 10 anos.



Nos EUA as ideias do Socialismo nunca vingaram. Porquê?

 


Os três senhores da Guerra que podem causar a destruição do Mundo tal como o conhecemos

 


Para o comentador fascista Nuno Rogeiro na SIC o Trump é um grade estadista e o Ali Khamenei é o vilão do filme. Este nuno Rogeiro é filho Clemente Rogeiro foi o último ministro da Saúde do Governo de Marcelo Caetano. Filho de fascista sai aos seus e não degenera.


Tragédia em Meio ao Conflito: Ataque atinge escola feminina no Irã e deixa dezenas de vítimas
ApósIsrael e Estados Unidos lançarem ataques contra o Irão, uma escola primária feminina na província iraniana de Hormozgan foi atingida por um míssil israelense.
O número de estudantes mortos já chegou a 51.Outras 60 alunas ficaram feridas.
Assim como eu disse no post anterior, a guerra sempre faz com que inocentes paguem o preço!

O palhaço de Portugal acha bem o ataque de Trump ao Irão e condena é o pais invadido por se defender

 

Governo português condena ataques do Irão aos países vizinhos: são "injustificáveis"
O Executivo apela ainda à "máxima contenção" das partes envolvidas e pede "máxima cautela" aos cidadãos portugueses na região.

O Governo considera "injustificáveis" os ataques do Irão aos países vizinhos - Arábia Saudita, Catar, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait e Jordânia -, apelando para que estes cessem "imediatamente".

Num comunicado divulgado na sua página oficial, o Executivo afirma estar a acompanhar com "grande preocupação" os ataques desencadeados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, sublinhando que o faz em "coordenação estreita" com os parceiros europeus e aliados da NATO.

"Sob a coordenação do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a nossa rede diplomática, em particular através das embaixadas na região, está plenamente mobilizada para a proteção dos nossos cidadãos, a quem apelamos que mantenham a máxima cautela. A proteção dos civis é essencial e deve ser plenamente assegurada", lê-se.

Portugal apela ainda à "máxima contenção" das partes envolvidas, a fim de ser evitada uma escalada da situação, bem como para "preservar a paz e a segurança internacionais e garantir a estabilidade regional, em linha com a Carta das Nações Unidas".

Para que tal seja possível, continua o Governo português, é preciso que o Irão "cesse" o seu programa nuclear.

"Insistimos também, como sempre fizemos, na necessidade de o Irão respeitar os direitos humanos do seu povo, que têm sido violados de forma inadmissível", sublinha.

Israel e Estados Unidos lançaram este sábado um ataque contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visou "eliminar ameaças iminentes" do Irão, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

Os líderes de França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos e apelaram ao regresso às negociações, num contexto de crescente instabilidade na região.

https://www.tsf.pt/politica/artigo/governo-portugues-condena-ataques-do-irao-aos-paises-vizinhos-sao-injustificaveis/18057069

Paulo Azevedo do confia nos Tribunais Fascistas para resolver os problemas da habitação das pessoas pobres

 Isso mesmo! São os tribunais fascistas com juizes que ganham 6 mil euros por mês abonados com o subsídio de mais 850€/mês  para ajuda da renda da casa que vão resolver o problema da habitação dos mais pobres. Bem visto sim senhor! 

Moral da breve história:

O Povo da Madeira correu com a esquerda do Parlamento Regional e agora pede à Direita da Direita do PSD que resolva os seus problemas Sociais. Ah! Povo enganado!



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Não estão bem ? Vão embora senhores magistrados. Os democratas da Madeira e do país agradecem.

 Mensagem do Pravda: 

  Senhores magistrados do MP é melhor vossas excelências mudarem de profissão se acham que não estão bem!

 Dispensamos a vossa "JUSTIÇA"pois apenas servem as elites corruptas do nosso país: Com a vossa justiça para ricos e outra para pobres estamos conversados. Passem bem!

Magistrados do MP denunciam sobrecarga e falta de condições na Madeira

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) realizou, esta manhã, um plenário de magistrados do Ministério Público (MP) na Comarca do Funchal. No encontro, que decorreu no Palácio da Justiça, foram discutidas de forma aprofundada as condições de trabalho, os recursos humanos disponíveis e o impacto que a actual organização tem na capacidade de resposta do MP na Região Autónoma da Madeira.

A Comarca do Funchal engloba todos os municípios da Região, constituindo uma única comarca para todo o território insular. "Trata-se de comarca geograficamente dispersa, marcada por fortes diferenças entre zonas urbanas e rurais, por acessibilidades difíceis em vários concelhos e pela dupla insularidade que afecta Porto Santo. Esta configuração territorial, aliada a uma população distribuída de forma desigual e a um volume processual muito elevado, torna a Comarca do Funchal uma das mais exigentes do país em termos de carga de trabalho e necessidades operacionais do MP", pode ler-se no comunicado.

Dados apresentados no plenário indicam que, só em 2025, foram movimentados mais de 15.000 processos em toda a Madeira, incluindo 10.194 inquéritos no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Funchal. Apesar de ter sido alcançada uma taxa de resolução de 110%, o sindicato sublinha que tal resultado só foi possível graças a um "esforço extraordinário e insustentável" dos magistrados. Nesse sentido, defende a colocação de, pelo menos, mais dois magistrados para assegurar "uma distribuição equilibrada do trabalho e evitar a sobrecarga que se tornou regra".

Embora o quadro legal de magistrados do MP esteja formalmente preenchido, o sindicato alerta que a realidade é marcada por "ausências prolongadas e por um subdimensionamento estrutural que não acompanha o volume processual da Região".

No que respeita aos funcionários judiciais, o cenário é descrito como "preocupante, com ausências de longa duração, envelhecimento do quadro e falta de renovação".

"A Comarca necessita de cerca de 40 funcionários em efectividade de funções para assegurar o normal funcionamento dos serviços. A situação é particularmente delicada em vários pontos da Região: não existe um escrivão dos serviços do MP, o Magistrado do Ministério Público Coordenador de Comarca não dispõe de qualquer funcionário, o Tribunal de Trabalho conta com apenas um magistrado do MP para as duas ilhas — servindo cerca de 260.000. habitantes — e a Central Criminal enfrenta agendamentos quase diários, sem tempo útil para despachos e recursos", explica o sindicato.

As condições materiais e de instalação foram igualmente alvo de críticas. "Apesar de algumas melhorias,  no tribunal do Funchal, persistem gabinetes partilhados por magistrados e apenas uma sala de inquirição para DIAP e MP da Família, gerando atrasos e sobreposição de diligências. Não existe sala de apoio à vítima, o edifício 2000 - onde funcionam os juízos centrais de cível, criminal e  de trabalho - não dispõe de entrada própria para magistrados", esclarece. 

Quanto ao Tribunal de Santa Cruz, o sindicato indica que apresenta "infiltrações e um arquivo em risco estrutural".

"O Tribunal do Porto Santo funciona numa vivenda adaptada com condições impróprias para ouvir pessoas, e a secção de proximidade de São Vicente encontra-se em ruínas, com a sala de audiências interditada pelo Conselho Superior da Magistratura", acrescenta.

O SMMP alerta ainda que, apesar do investimento na digitalização, o Ministério da Justiça não actualizou o hardware, faltando computadores e monitores adequados.

Os magistrados manifestaram também preocupação com os conteúdos funcionais actualmente definidos, que consideram não permitir uma "gestão equilibrada do esforço".

"A acumulação de matéria criminal, cível e DIAP cria situações impossíveis, como a de magistrados com 700 a 800 inquéritos que, simultaneamente, deveriam despachar processos cíveis", sublinha.

Por fim, os magistrados afirmam que a vida pessoal se tornou "inconciliável" com o volume de trabalho, sendo frequente o recurso ao trabalho fora do horário da secretaria e aos fins de semana, "uma prática que se normalizou", mas que consideram "inaceitável".

"A situação vivida na Comarca do Funchal representa um risco sério para a qualidade da justiça, para a protecção das vítimas e para a saúde dos profissionais. O Sindicato reafirma a necessidade de uma intervenção urgente ao nível dos recursos humanos, das instalações e da revisão dos conteúdos funcionais, de forma a garantir um Ministério Público capaz de responder às exigências da Região Autónoma da Madeira", conclui.(copiado do Diário do falso padre das esmolinhas)


O amigo Torres é um grande herói

 


Ora cá está hoje o sr. Paulo Esteireiro do Conservatório de Música hoje com um destacável pago no Diário do padre

 O Paulo Esteireiro é muito odiado por certos professores lá do Conservatório. Os tipos às vezes vêm para os "Comentários" do Prava dizer cobras e lagartos dele.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Os pecados do nosso "padre das esmolinhas" e seu comparsa "meia-saca"

 Comparsa é um termo de origem italiana, usado para designar um figurante em cinema/teatro, um cúmplice em atos ilícitos ou um companheiro.

  Apetece até falar na banalidade do mal, como dizia Hannah Arendt. O mal é feito por homens banais, como o padre das esmolinhas. Atualmente banqueteia-se com os ricos e poderosos na BTL. Deixou por algum tempo o Bentley de parte. Ora, quem mais reles e banal que este padre tenebroso e renegado, traidor do bispo dom Teodoro, e no entanto, quanto mal faz ele na informação pública dos Mamadeiras!! Fiel criado do Soysa, sempre pronto a branquear as asneiras de Albucocas e a esconder as negociatas do Avelino, de conluio com o seu homólogo MEIA SACA, este padre pervertido leva uma vida de luxo. Nunca passa porém de um boque das escarpas do norte da ilha, que antigamente estaria condenado a cavar a fazenda e dar grande parte dos frutos da terra ao senhorio.

Os senhores que alimentam a guerra, fazem o mal e a caramunha

"Fazer o mal e a caramunha" é uma expressão popular que significa prejudicar alguém ou causar problemas e, simultaneamente, queixar-se ou fazer-se de vítima, fingindo não ser o autor do dano. Refere-se à hipocrisia de quem provoca uma situação negativa e depois finge sofrer com ela.
 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Conheça o Bairro Cigano mais Perigoso do Mundo - Você Viveria Aqui?

O inferno do Haiti

 


Embora proibido pela Constituição de concorrer a um segundo mandato, François Duvalier adiou-o até 1967. Em 14 de setembro de 1964, durante um referendo fraudulento, declarou-se "presidente vitalício". Em 1971, em seu leito de morte, impôs sua sucessão por meio de uma consulta popular apenas formal: seu filho, Jean-Claude, foi eleito. A longevidade desse despotismo familiar não pode ser compreendida sem contextualizá-la: as convulsões geopolíticas e, em particular, a revolução na vizinha Cuba; as guerrilhas de esquerda que se desenvolviam no continente considerado pelos Estados Unidos como seu eram todas ameaças percebidas pela administração americana. Este país "mostrou-se receptivo às demonstrações iniciais de firmeza de Duvalier (...) e acreditava ter encontrado o homem capaz de restaurar a ordem no Haiti, um país que não soube aproveitar o período sob o protetorado de Washington" na década de 1920, quando os soldados americanos ocuparam o território, explica Christian Rudel. A potência dominante enviou uma missão militar para treinar o exército, bem como… os Tonton Macoutes.

 François Duvalier tornou-se então uma figura chave no anticomunismo regional. A Casa Branca, temendo contágio após a vitória de Fidel Castro em Havana, prodigalizará sua generosidade e benevolência ao "Eletrificador de Almas" do Haiti, como o próprio ditador se autodenominava, que, em 28 de abril de 1969, instituiu uma lei que punia com a morte qualquer pessoa suspeita ou acusada
de atividades comunistas.
O país está afundando em uma miséria indescritível. O palácio, no entanto, transborda riquezas. A elite vive em luxo obsceno. O capital estrangeiro que inunda esta terra de trabalho quase gratuito acaba nas contas bancárias estrangeiras de uma casta corrupta e desprezível. "Exasperados pela repressão contínua e pelas condições econômicas.Com condições sociais desastrosas, as massas urbanas e rurais tornaram-se cada vez menos suscetíveis à propaganda "noirista", uma verdadeira arma usada para incentivar a "luta racial" enquanto denunciava a luta de classes", analisa Marcel Dorigny. No início de 1986, portanto, o regime Duvalier cheirava a enxofre. Jean-Claude entrincheirou-se. Mas a sociedade haitiana fervilhava de raiva. Baby Doc, que devia seu apelido a Washington, deixou o Haiti às pressas. Ainda pairam dúvidas sobre os motivos que levaram esse tirano a ser acolhido na França, a antiga potência colonial que havia explorado o Haiti financeiramente, um país que outrora chamara de "pérola do Caribe". Alguns mistérios permanecem.



 Na época, dizia-se que esse exílio deveria ser apenas temporário. Na verdade, durou vinte e cinco anos. Baby Doc viveu feliz, por um tempo na região de Paris ou na Riviera Francesa. Ele mora em um castelo, dirige carros de luxo. Os tribunais congelaram cerca de US$ 100 milhões de seus bens obtidos ilegalmente. Acumulou uma fortuna em uma de suas contas bancárias suíças, mas isso não afetou seu estilo de vida luxuoso. "Ninguém sabe, ninguém pode responder com certeza. 500 milhões, 800 milhões, ou talvez, um número redondo, 1 bilhão de dólares? Esse último número não seria um exagero? Os Duvalier tiveram vinte e nove anos para fazer sua fortuna, e os paraísos fiscais onde essa fortuna está guardada permanecem em silêncio...", explica o jornalista Christian Rudel. De qualquer forma, Paris sempre demonstrou complacência em relação a um homem acusado de crimes contra a humanidade por inúmeras organizações de direitos humanos e milhares de haitianos exilados. No entanto, em 2011, para surpresa de todos, enquanto o país vivenciava uma de suas mais graves crises políticas, um ano após um terremoto devastador, Jean-Claude Duvalier retornou ao Haiti como se nada tivesse acontecido. Sua "viagem" não foi submetida a nenhuma verificação.

Durante anos, essas gangues criminosas manipuladas cometeram assassinatos, estupros, saques e sequestros, culminando no massacre de La Saline em 2018: 71 mortos e estupros em massa. A ilha não realiza eleições desde 2016 e está sem presidente desde o assassinato de Jovenel Moïse em julho de 2021. Instalado em 2024 para restaurar a estabilidade, o Conselho Presidencial de Transição, mais um órgão sob influência dos EUA, renunciou em 7 de fevereiro e entregou o poder ao primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, apoiado por Washington, com pouca esperança de que eleições livres sejam realizadas em agosto do ano que vem, como planejado. Quarenta anos após a queda da ditadura Duvalier, a transição democrática ainda parece sufocada na nação de Toussaint Louverture.



Relembrando o que foi a FLAMA no passado

Alberto Joao Jardim, Gabriel Drumond, Daniel Drumond e Jaime Ramos foram terroristas da FLAMA

 julho 06, 2010

Fizeram explodir quase 200 bombas no pós-25 de Abril, e nunca foram a julgamento. Onde pára a Flama?

O COORDENADOR operacional da Flama, com a bandeira da organização: «Todas as bombas passaram por mim»

O comerciante pegou na arma, escondeu-a na bagageira do Toyota Corona e saiu sozinho do Funchal a caminho de Água de Pena, nas imediações do agora ampliado aeroporto da Madeira. João da Costa Miranda ia para uma missão invulgar: poupar a vida a um inimigo.
Otelo Saraiva de Carvalho, mediático e polémico oficial que chegaria a estar preso, acusado de ser dirigente de uma organização terrorista de extrema-esquerda, as FP-25 de Abril, estava prestes a ser salvo por um dirigente de uma organização terrorista de direita, que demorou mais de 30 anos a dar pela primeira vez a cara por esse momento. «A linha que separa o heroísmo da estupidez é muito pequena», desabafa Costa Miranda, hoje com 84 anos, olhando para trás, para a história da Flama, a Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, que ajudou a fundar. Miranda era um dos 16 dirigentes do directório político que deu origem à organização - e um dos dois únicos ainda vivos (um outro sobrevivente emigrou para Estrasburgo no final dos anos 70 e nunca mais voltou).


 Nesse fim de tarde de 17 de Junho de 1976, o importador de aparelhagens de som foi ao encontro dos operacionais para os impedir de fazerem asneira. Horas antes, chegara-lhe aos ouvidos que os rapazes do braço armado, as Brima (Brigadas Revolucionárias da Independência da Madeira), haviam montado por iniciativa própria uma bomba debaixo da ponte do Seixo. Era o presente deles para Otelo, que estava de passagem pela Madeira: 14 quilos de gelamonite.
Explosões quase diárias
 O ORGULHO dos operacionais: o atentado ao avião Nord-Atlas que transportava divisas para o continente foi considerado tecnicamente perfeito
Portugal vivia ainda, no Verão de 1976, de pés nus sobre as brasas do Processo Revolucionário em Curso (PREC) saído do derrube da ditadura pelos militares a 25 de Abril de 1974. Para os radicais de direita, o tenente-coronel Otelo tornara-se uma personificação do mal, encarnando a aproximação do país ao modelo soviético. A visita à Madeira como candidato a Presidente da República calhava, ainda para mais, numa altura de viragem da Flama, que tinha já um longo palmarés de atentados nas costas e parecia disposta a ir mais longe.
Havia um ano que o grupo terrorista reclamava, em panfletos de propaganda neopatriótica, a independência da ilha. Mas isso era o discurso teórico. Na prática, andava empenhado em perseguir quem pudesse transpirar algum cheiro a comunismo, intimidando os militantes de esquerda - não só do PCP, mas da UDP ao PS - com ameaças de morte, deportações sumárias em aviões da TAP e com o recurso à coqueluxe dessa campanha de terror anti-estalinista: uma salva de bombas e incêndios em carros, casas e alguns alvos estratégicos, como a Emissora Nacional e um avião Nord-Atlas conhecido por transportar divisas «para serem desbaratadas no continente».
Instalações da Emissora Nacional no Funchal, depois de rebentar uma bomba
Esse avião entraria, aliás, para os anais da Flama por ser a sua operação tecnicamente mais perfeita - uma espécie de estado da arte dos atentados à bomba, com 2700 gramas de gelamonite colocadas junto ao trem de aterragem da frente, o suficiente para evitar a explosão do depósito de combustível atrás, o que levaria pelos ares os dois Boeing de passageiros estacionados ao lado.
As explosões eram muito assíduas, quase diárias e, embora ainda não tivesse havido mortes, Miranda partilhava com os outros dirigentes - quase todos empresários como ele - uma dificuldade crescente em controlar os rapazes das bombas. A guerra de rua entrara em espiral e ameaçava dar um salto perigoso e sem retorno, como acontecera uma década antes com a ETA, no País Basco: era talvez chegado o momento de matar.

O DIRIGENTE político João da Costa Miranda

 O medo e a reacção enérgica ao comunismo andavam a ser instigados às claras junto da população por figuras do PSD que ascendiam à ribalta e por uma igreja liderada pelo bispo Francisco Santana, um homem obcecado com uma guerra que acreditava ser santa, empurrando para a direcção do então paroquial «Jornal da Madeira» o jovem promissor social-democrata Alberto João Jardim, em quem o clérigo vira um ponta de lança contra os «vermelhos». E a quem os flamistas reconheciam uma retórica inflamada, apesar de não se ter alistado na Flama.
Miranda foi a tremer das pernas durante a viagem até Água de Pena. Não conhecia o rosto dos operacionais - os contactos entre a ala política e o braço armado quase não existiam, para evitar detenções em catadupa pela Polícia Judiciária. Mas conhecia o temperamento dos bombistas, quase todos filhos diletantes e impetuosos das famílias tradicionais e ricas da Madeira. Por isso, sabia que não iam gostar da visita inoportuna. No local deu de caras com três encapuzados, a quem deu o recado: «Se forem para a frente com isto, vai ser o fim da Flama e o vosso fim também». Tinha havido uma fuga de informação e Carlos Azeredo, então representante do governo de Lisboa na Madeira, mandara avisar que, a ser verdade, ele não descansaria enquanto não caçasse, um por um, os autores do crime. Mas o mais preocupante para os líderes políticos da Flama era que o padre Martins, acérrimo apoiante de Otelo em Machico, fizera constar que no dia seguinte circularia com o tenente-coronel num autocarro cheio de crianças. Sacrificá-las seria a ruína da organização, que, assim, nunca alcançaria o apoio do povo.

 O renovado hotel do Santo da Serra, na antiga «primeira zona libertada da Madeira»
 Foi uma discussão dura. R., o coordenador dos bombistas, hoje com 75 anos e sem vontade de revelar o nome por medo das consequências que ainda acha que pode ter num meio pequeno como a Madeira, recorda-se como ele e os seus companheiros ficaram furiosos. «Então nós somos uns palhaços?» O atentado tinha demorado um mês a preparar, envolvendo muita gente e uma articulação minuciosa. Os operacionais tinham abdicado do método habitual de detonador com relógio e usaram um fio com 500 metros de comprimento para accionar a explosão à distância, no momento certo. Ao longo da estrada, de meio em meio quilómetro, rapazes de «walkie-talkie» na mão iriam controlar o movimento de carros.
O Toyota Corona de Miranda voltou ao Funchal com a resposta de que os rapazes iam pensar no assunto, mas os preparativos continuaram. «Estivemos a ultimar tudo até às cinco da manhã», confessa R., revelando que os bombistas estavam ainda nos seus postos quando o autocarro de Otelo passou, no início da noite seguinte, com o padre Martins e a enchente de crianças. «Felizmente, acabámos por desistir. Ia ser uma carnificina».

 Nota de 20 escudos com o carimbo independentista da Flama
R. era o senhor absoluto dos explosivos. «Todas as bombas na Madeira passaram por mim». Era o único com acesso à gelamonite e dominava a parte eléctrica dos engenhos, por causa da formação em engenharia electrotécnica.
Nas quase 200 bombas que fez estoirar entre 1975 e 1978, a Flama apenas utilizou gelamonite. «Podia ser atirada ao fogão que não rebentava, apenas explodia por simpatia, com um detonador, e por isso era muito seguro de transportar», argumenta o engenheiro bombista. Os cartuchos de 100 gramas vinham de um construtor civil do norte da ilha, um simpatizante da causa que nunca faltou com as provisões. «Eu já sabia aquilo de cor: um Fiat precisava de 600 gramas, mas se fosse um Volkswagen tinha de levar um quilo».
continua....
 Dono de uma grande empresa no Funchal, o coordenador dos operacionais era o mais rico e mais velho do grupo. Gostava de beber, de sair à noite e, quando queriam referir-se a ele sem lhe denunciar o nome, chamavam-lhe o «homem do Porsche», símbolo do estatuto de boémio quarentão que servia de modelo para os miúdos - na maioria, a roçar a casa dos 20 anos - que se dispunham a encaixar a gelamonite debaixo dos carros dos comunas, às duas ou três da manhã. «Muitas vezes iam bêbados e chegavam a adormecer ao pé das bombas. Tinha de ir lá eu corrigir o relógio para não irmos todos pelos ares. Éramos muito amadores».
  «O homem do Porsche» estreara-se na Flama antes da primeira bomba, no Verão de 1975. «Portugal tinha a reboque duas canoas: a Madeira e os Açores. E a gente via que estava a sair de uma ditadura e a entrar noutra. Então pensámos: se querem afundar-se, afundem-se, mas nós vamos cortar a amarra». Um amigo regressado de África convidou-o para uma reunião em casa de um músico, onde seria fundado instantaneamente o grupo operacional. «Apareceu na mesma altura um outro grupo, mas só de incendiários, que se entretinham a regar de gasolina carros de socialistas e comunistas. Mas não tínhamos nada a ver com eles. Éramos autónomos».
DANIEL Drumond, coordenador operacional da «segunda zona libertada da Madeira», em São Vicente, no norte da ilha.
 O núcleo duro de R. tinha seis elementos e, desde logo, escolheu para quartel-general o hotel do Santo da Serra, no interior da ilha, que baptizaram «primeira zona libertada da Madeira», com duas bandeiras amarelas e azuis da Flama sempre içadas em dois pinheiros muito altos e guardados por cães.
 O único bastião concorrente do Santo da Serra era São Vicente, no lado norte da ilha, conhecido por «segunda zona libertada» e onde Daniel Drumond, chefe de repartição da Segurança Social actualmente na reforma, mantinha uma bandeira flamista hasteada numa rocha junto à capelinha do Calhau. Em frente, no bar da Dona Amélia, havia sessões diárias de leitura dos comunicados da Flama e distribuía-se «merchandising» - porta-chaves, canetas, camisolas.
A TRILOGIA do Fama - Fórum Autonomia da Madeira: o presidente, Gabriel Drumond...


Daniel Drumond constituía com mais um outro indivíduo o núcleo operacional do concelho. «Andávamos armados e perseguíamos os comunas. Chegávamos a enfiar o cano de uma caçadeira na boca deles. 
 Mas era só para assustar». Só uma vez o seu companheiro operacional foi longe de mais. Reconheceram um professor comunista num arraial e foram atrás dele. «De repente, o tipo que ia comigo atirou duas vezes. Só por falta de pontaria é que não matou o outro. Zanguei-me a sério - onde é que ele tinha a cabeça?»
 Foram os ímpetos individuais que minaram os terroristas. Em 1977 aconteceram os primeiros revezes. Rui Nepumoceno, líder do PCP na Madeira antes e depois do 25 de Abril, conta que um dos operacionais foi-lhe bater à porta. «Jorge Cabrita veio-me pedir para eu sair um ou dois meses da Madeira porque na Flama queriam matar-me. O pai dele tinha grande consideração por mim e por isso ele veio avisar-me. Respondi-lhe que a melhor forma de ajudar era dizer onde é que escondiam o material de guerra». A polícia cercou o hotel do Santo da Serra e descobriu os explosivos e as armas, num dos golpes mais rudes contra o grupo clandestino. Cabrita, mesmo assim, não denunciou ninguém. «Assumiu a responsabilidade de todas as bombas», lembra Nepumoceno. Ao fim de algum tempo preso, a Judiciária libertou-o. A confissão não tinha consistência. Cabrita regressou ao Santo da Serra, mas não durou muito. «Eu sabia que estava aterrorizado, pensava que o iam matar. E a verdade é que morreu de forma estranha», acredita o líder comunista. R. tem uma versão médica: o jovem fizera uma desintoxicação e voltara a beber. «Um psiquiatra disse-me que foi isso que lhe foi fatal».
... o vice-presidente, capitão Machado, que ajudou a formar os bombistas nos anos 70...
 A ala política continuava a alimentar sonhos irrealistas - encomendaram um estudo internacional sobre a viabilidade económica da independência e fizeram um hino para a nova pátria, orquestrando-o no Brasil - mas os operacionais caminhavam já para o abismo. A Judiciária passou a fazer buscas nas casas de R., que foi detido várias vezes. Numa delas, para confundir a polícia, duas bombas detonaram no edifício.
 A megalomania aumentava, entretanto. Em 1978, o coordenador operacional pensou em exportar atentados para Lisboa, onde na realidade estava o verdadeiro inimigo. A ideia era rebentar com o aqueduto das Águas Livres e cortar o abastecimento à cidade. Foi um passo em falso. Dois indivíduos, um deles ex-comando, vieram de Lisboa ao Funchal, directamente ao escritório do «homem do Porsche», para saber qual era o plano, mas no regresso à capital foram interceptados e denunciaram tudo, incluindo nomes e locais. No próprio dia, o empresário era visitado por dois agentes.
... e Alberto João Jardim
 A dificuldade da polícia estava em reunir provas factuais. Que, de resto, nunca apareceram. Pelo contrário: R. deu-se ao luxo de comprar por 50 contos (250 euros) o dossiê inicial da investigação da PJ, com os seus interrogatórios, a um agente que depois viria a ser expulso da instituição. «Queimei o processo no fogão». A Flama não se deixava intimidar. Em retaliação por a Judiciária ter levado um dos colaboradores para os calabouços de Lisboa, vingar-se-ia em dois agentes enviados pela capital. Colocaram uma bomba na roda traseira de uma carrinha, cuspindo o sub-inspector João de Sousa, que estava há 27 dias no Funchal mas foi logo recambiado, depois de uma semana em coma. «Não me deixaram voltar à Madeira». Era o desfecho anunciado das investigações, que já não levariam a lado nenhum. Os caixotes continuam esquecidos nas instalações da PJ do Funchal, sem condições de serem consultados.
 Mas a Flama também não voltaria a ter motivos para comemorar. Daí em diante, foram só tragédias. Na ilha do Porto Santo, um descuido no manuseamento de um relógio fez com que uma bomba explodisse nas mãos de um dos operacionais, Rui Alberto. Depois, Alírio Fernandes, que tinha levado a gelamonite até Porto Santo, foi preso e apareceu enforcado na prisão militar do Forte de Santiago. A organização culpou as autoridades. Outros acusaram-na de estar a fazer acertos de contas. Alguns operacionais viraram-se contra os seus superiores. O comerciante Correia da Silva teve a sua quinta incendiada. Miranda era ameaçado de morte. Sobretudo, o grupo de incendiários revoltava-se contra os «traidores» internos. Lamenta R.: «Era um bando de mercenários».
 O mais comum dos atentados
Vieram, então, os recados do recém-empossado presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, para pararem, o que seria acatado pela ala política e pelos bombistas, cansados e desiludidos. Isso não livrou Jardim de ser enxovalhado nos últimos comunicados da organização: «Manhoso e ambicioso, Alberto João esperou o momento de dar o salto e, de lá, escravizar a população à sua ambição política». Sentiam-se traídos e abandonados também por Jardim, cuja opinião sempre fora tida em conta pelos dirigentes e operacionais do grupo e que, segundo Daniel Drumond, embora não estivesse envolvido «sabia onde e quando iam rebentar as bombas».
 Mais tragédias viriam a ensombrar a história da Flama, já depois de 2000, com outras mortes invulgares. Júlio Esmeraldo, o mais produtivo e popular dos jovens operacionais da equipa de R., apareceu morto numa festa em Santana, agredido na cabeça. E o cadáver de José Bacanhim, um dos dirigentes políticos encarregues de recolher dinheiro na comunidade venezuelana, foi encontrado, de pés e mãos atados, na baía de Machico.

 

O LÍDER do PCP na Madeira no pós-25 de Abril, Rui Nepumoceno, com a mulher, Aida. Ao lado direito Jerónimo deSousa ex- secretário geral do PCP.

Dos sobreviventes, nenhum prosperou. R. entrou em ruína financeira. E João da Costa Miranda vive hoje num pequeno apartamento do Funchal com uma reforma de 300 euros, depois de se ter decidido por um exílio voluntário nos Açores, entre 1978 e 2000. Os flamistas não tinham ido para o poder.
Era o fim da Flama como organização terrorista. Não era o fim da sua capacidade inspiradora. Mais suave, sem braço armado e com outro nome, uma sequela politicamente correcta foi criada 20 anos mais tarde por Gabriel Drumond, primo do operacional Daniel e presidente da Câmara de São Vicente durante duas décadas, andes de se tornar deputado do PSD na Assembleia Regional. Em 1998, o Fama - Fórum Autonomia da Madeira - era a resposta do regime jardinista à Assembleia da República em Lisboa, por não ter deixado passar, na revisão constitucional, um novo estatuto do arquipélago tal como o governo regional tinha pensado, com maior autonomia.
   Palácio de São Lourenço, símbolo da Flama
Alguém tinha de fazer pressão sobre Lisboa. O espectro da luta independentista foi retornando ciclicamente às páginas dos jornais. Para sócio número um do Fama foi convidado Alberto João Jardim. E para vice-presidente ressurgiu o capitão Carvalho, um homem ligado desde o início à velha Flama e que reconhece agora ter ajudado a ensinar os operacionais a fazer bombas. «Formei-me em minas e armadilhas, em Mafra, e era isso o que eu fazia em Angola», diz, acrescentando: «A Flama está adormecida, não morta. Ainda há armas escondidas».
O perfume a ameaça velada insinua-se nos discursos. «Em 2010, se a próxima revisão constitucional não nos consagrar o estatuto que nós vamos elaborar aqui, na Assembleia Legislativa, a Madeira devia declarar unilateralmente a independência», defende Gabriel Drumond. «Temos mais independentistas na Madeira do que militantes da oposição».
O seu primo Daniel conta que há já vários anos Gabriel Drumond promove almoços da Flama - «da Flama, e não da Fama» - no concelho de São Vicente. «Vêm uns 30 tipos ligados ao PSD.

O POVO DE SAO VICENTE TEM VOTADO NUM DEPUTADO QUE É UM TERRORISTA, GABRIEL DRUMOND. TAMBÉM TODO O POVO DE TODA A MADEIRA, TEM VOTADO E CONFIADO EM FASCISTAS DE EXTREMA DIREITA DO PSD-MADEIRA, QUE JÁ PERTENCERAM A UMA ASSOCIAÇAO TERRORISTA MADEIRENSE QUE MATOU MUITA GENTE E CAUSOU ESTRAGOS MATERIAIS GIGANTESCOS!!!!! A MEMÓRIA DO POVO É CURTA, MAS A DA VELHA GUARDA NAO É. 2011 SERÁ O ANO DA REVOLUÇAO NA MADEIRA. VAMOS MANDAR ESTES PULHAS DO PSD-MADEIRA PARA TRAS DAS GRADES E FORA DO PODER. QUEREMOS UMA ILHA VERDADEIRAMENTE LIVRE, SEM CORRUPTOS PSD!

http://mamadeiralaranja.blogspot.com/2010/07/alberto-joao-jardim-gabriel-drumond-e.html