sábado, 6 de junho de 2026

Padre José Luis Rodrigues homenageou o padre Mário Tavares Figueira e enalteceu a sua obra no Jardim da Serra (Hoje foi 6º aniversário da sua morte)

 

6 de junho — Padre Mário Tavares Figueira
«Hoje faz seis anos que perdemos o Padre Mário Tavares, mas não perdemos o que ele ensinou a não aceitar, que a injustiça nunca deixe de nos escandalizar, venha de onde vier e implique quem implicar.
No Jardim da Serra, onde a antiga Escola dos Murinhos se transformou na «Biblioteca e Centro Documental Padre Mário Tavares Figueira», guardam-se os seus manuscritos, livros, documentos e os exemplares do semanário «O Caseiro», aquele poderoso instrumento de implantação popular e de luta dos colonos madeirenses, para que fosse abolido aquele contrato escandaloso da colonia, cuja balança pendia sempre mais para o lado dos poderosos, levantado do chão dos caminhos poeira negra da fome e da miséria dos explorados caseiros.
Ele não se deu ao luxo de se acostumar. Não aceitou que quem denunciasse abusos pagasse um preço desproporcional, porque para ele a paróquia, a sua verdadeira Igreja-povo, não servia apenas para rezar, mas era verdadeiro centro nevrálgico para pensar, onde se toma a sério, direitos e deveres. Os apelos à justiça e à dignidade humana não eram ausências estratégicas, mas presenças ativas que mexiam com a vida de todos.
Por isso, lembrar o Padre Mário Tavares neste dia arrasta saudade e mexe com o vazio. Mas se a memória e a lembrança são o dom maior que temos, faço deste dia, um pedaço da sua presença.
Ele foi paladino na doutrina renovadora do Concílio Vaticano II, a Teologia da Libertação que procurou compreender e traduzir no contexto do Jardim da Serra.
A custo viveu uma Igreja que escuta, que se deixa desafiar, que não pedia credibilidade para fora sem a praticar para dentro. Mostrou que a Igreja podia ser diferente do conservadorismo reinante que se move por slogans vazios, mas fiel a Cristo e ao Seu Evangelho.
Se José Ortega y Gasset recordou, «Eu sou eu e minhas circunstâncias». O Padre Tavares, fez as suas circunstâncias, o povo do Jardim da Serra, a luta dos caseiros, a luta para agregar no projeto ousado da Cooperativa Liberdade, que lhe consumiu a carne e a alma.
Nesta coragem da aculturação evangélica, fez-se voz dos que não tinham voz, instruiu os analfabetos, abrir portas que sempre estiveram fechadas, moveu as montanhas para que um povo crescesse e fosse o principal protagonista da sua história e dos seus destinos. A luta pela elevação do jardim da Serra para ser Freguesia, é uma odisseia corajosa que ficará exemplarmente para história daquele lugar.
O Padre Tavares, mostrou que fidelidade é não parar, ficar quieto, é discernir cada momento à luz da Palavra do Evangelho, sem se corromper com a lógica dos interesses puramente mundanos. Foi inteiro com todos e para todos.
Que esta memória não se apague e que incomode, porque é na instabilidade do incómodo que se faz a igreja que ele verdadeiramente acreditou.»

6 de junho de 2026, JLR.
https://madeira.rtp.pt/sociedade/faleceu-padre-mario-tavares-sacerdote-que-foi-deputado-regional-na-madeira/

Padre César Teixeira da Fonte também foi um lutador contra a ditadura salazarista em 1936 no Faial ilha da Madeira. Participou na revolta do leite

3 comentários:

  1. Nada de novo.
    Aves da mesma plumagem....cagam o mesmo.

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  2. Esse "estreiteiro" foi o padre mais tonto que alguma vez apareceu .
    A maior vergonha da Diocese

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