Escrever na água
Dois pesos, duas medidas e dois caminhos
Veremos onde se situa a maioria do povo português, e o madeirense também.
Já é mais que um dado comum dizermos que vivemos tempos conturbados quando olhamos a realidade mundial.
Pensava eu ingenuamente que entre nós as coisas estivessem um pouco mais normais. Mas nada disso.
Provavelmente entre nós as coisas ainda estejam mais esquisitas ainda.
As eleições presidenciais provaram isso mesmo, uma larga maioria do povo da Madeira, não sabe e não quer saber para onde vai. Não dá para entender as opções que estão a ser feitas. Ou talvez entenda alguma coisa e de todo não me surpreenda assim tanto.
Mais uma vez se provou que a nossa terra não distingue as coisas, porque no preciso dia das eleições vi galinhas, cães e ratos de estimação a receberem bênçãos eclesiásticas como se aquilo fosse muito importante.
Ora isto revela que não se distingue o bom senso do ridículo, como se vai distinguir valores fundamentais de decência, democracia e amor pela liberdade? – Estou para descobrir agora que canja de galinha benzida deve ser mesmo muito saborosa e milagrosa. Este filme é tenebroso.
A pobreza de espírito é demais e a falta de racionalidade é confrangedora.
Dá igual viver com a coluna na vertical ou vergada ao senhorio que promete endireitar, combater os vadios subsídio dependentes, os malandros dos emigrantes e tudo o que nos incomoda, se nos rouba o comodismo e malandragem que está mais em nós do que nos outros.
É intolerável saber que se escolhe ao sabor do vento, só porque o vento que passa, mesmo que à vista de todos traga a mentira como sagrado sacramento, autoritarismo contra os valores democráticos conquistados e salazarismo bafiento que nos põe a regredir, quando o que importa é progredir. E explicar isto dá um cabo dos trabalhos que ninguém imagina.
Vejo com pouca esperança, a partir da minha terra, infelizmente, o futuro, porque, por mais que se diga, por mais que se fale, continua o obscurantismo, a teimosia da ignorância, uma hierarquia das igrejas ridícula que não esclarece e mantem a coisita de povo que ainda influencia na triste subjugação do analfabetismo religioso e andamos entretidos em pão e circo o tempo inteiro, e na hora da verdade revelamos sem vergonha de que substância é feita a nossa frágil e manipulável alma que nos foi dada.
Mas para o dia 8 de fevereiro as coisas são mais que claras, a decência e a indecência estarão juntas, a democracia e as saudades da ditadura não faltarão, o obscurantismo religioso e a abertura à clareza de espírito aberto também estarão nos pratos da balança, a verdade contra a mentira vai falar alto, o respeito pelas diferenças e a igualdade de género também serão medidos, a vida livre contra a vida subjugada a senhorios vai ser uma luz intermitente, a liberdade contra o ódio e a opressão é a assinatura final…


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