Daniela Klette, de 67 anos, é ex-membro do grupo Baader-Meinhof, um grupo radical anticapitalista que realizou assassinatos, atentados bombistas e raptos, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980.
Enquanto estava em fuga, Klette escolhia os seus alvos, conduzia os veículos de fuga e, em alguns assaltos, utilizava uma bazuca falsa com um aspeto realista, enquanto os cúmplices estavam armados com espingardas de assalto, segundo o tribunal.
Klette foi detida no seu apartamento em Berlim, em fevereiro de 2024, depois de mais de 30 anos a fugir à justiça. A Polícia encontrou uma espingarda de assalto Kalashnikov, perucas e documentos de identidade falsos, bem como ouro e grandes quantias em dinheiro no seu apartamento.
Foi considerada culpada na quarta-feira por participar em assaltos com dois membros de um gangue para financiar as vidas em fuga depois de o grupo, também conhecido como Fração do Exército Vermelho (RAF), se ter dissolvido em 1998.
Klette foi considerada culpada de seis acusações de "roubo particularmente grave" cometidos entre 1999 e 2016, além de outras acusações, incluindo extorsão e posse ilegal de armas. Os advogados de defesa disseram que recorreram imediatamente da sentença.

Os ladrões levaram um total de 2,4 milhões de euros, roubados de supermercados e veículos de transporte de valores, segundo a acusação. O tribunal observou "o elevado nível de intenção criminosa" e o facto de os crimes "terem sido planeados ao mais ínfimo pormenor e executados meticulosamente", afirmou o porta-voz do tribunal, Ahmad Mohamad. A acusação também acusa Klette de três ataques com motivações políticas na década de 1990, quando o gangue ainda estava ativo. Estas acusações estão a ser tratadas em processos separados.
Vida em fuga
O grupo Baader-Meinhof - assim designado em homenagem a dois dos primeiros líderes, Andreas Baader e Ulrike Meinhof - surgiu da ala radical do movimento estudantil de protesto das décadas de 1960 e 70. O grupo pegou em armas contra o que consideravam o imperialismo americano e um Estado alemão "fascista" ainda repleto de ex-nazis
Acredita-se que a RAF foi responsável por 34 mortes, incluindo polícias, juízes, soldados americanos e um antigo oficial das SS nazis que mais tarde se tornou um importante industrial.
Vários apoiantes estiveram presentes no tribunal na quarta-feira, aplaudindo Klette e gritando "Libertem a Daniela!". Pelo menos uma mulher foi retirada do local pelos agentes de segurança.

Em processos separados, os procuradores acusam Klette de envolvimento num plano da RAF para fazer explodir os escritórios do Deutsche Bank em 1990. É ainda acusada de ter metralhado a embaixada dos EUA em Bona, em 1991, e de ter feito parte de uma equipa que bombardeou a prisão de Weiterstadt, perto de Frankfurt, em 1993.
"Contra o capitalismo e o patriarcado"
Klette fazia parte de um trio - com os também membros do gangue Burkhard Garweg e Ernst-Volker Staub - que integravam a "terceira geração" da RAF nas décadas de 1980 e 1990. A Polícia ainda procura Garweg e Staub, que, se ainda vivos, teriam hoje 57 e 72 anos, respetivamente. "Realizavam os seus roubos com divisão de trabalho e de forma altamente conspirativa", referiu o juiz Lars Engelke, que presidiu ao caso.
Os três viviam escondidos desde pelo menos 1999, alugavam carros de fuga com identidades falsas e falavam dos assaltos à mão armada como "o seu trabalho" e fonte de rendimento, continuou o juiz. Quando a Polícia a foi prender, Klette conseguiu enviar uma mensagem a Garweg, permitindo-lhe escapar do esconderijo em Berlim. Durante o julgamento, costumava entrar no tribunal radiante e acenando aos apoiantes, que a recebiam com aplausos. Ao dirigir-se ao tribunal, no ano passado, Klette prometeu, com firmeza, continuar a luta contra o "capitalismo e o patriarcado".
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