sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

No Caniçal, perigo de explosão de gás natural por incúria do Grupo Sousa

Coelho avisa que explosão de gás pode fazer desaparecer o Caniçal

PTP pede ao capitão do porto para que verifique segurança de empresa do Grupo Sousa

O líder do PTP, José Manuel Coelho, foi esta tarde junto da Capitania do Funchal desafiar o capitão do porto a fiscalizar as condições de armazenamento dos depósitos de gás natural da empresa Gaslink, do Grupo Sousa, terminal de contentores do Caniçal, alertando que a própria população daquela freguesia do leste da Madeira corre perigo.“O senhor Luís Miguel Sousa armazena os reservatórios de gás natural em cima de contentores no porto do Caniçal. Isso é tão perigoso que pode pôr em causa a existência daquela freguesia. Basta uma das máquinas que anda em manobras dar um toque nesses reservatórios para se dar uma explosão e fazer com que o Caniçal desapareça”, avisou o porta-voz político, que explicou que não é por acaso que “os engenheiros da Empresa de Electricidade da Madeira só querem um reservatório de cada vez” nas instalações dos Socorridos.

Face a este quadro, Coelho diz que é tempo do “senhor comandante do porto abrir os olhos e deitar atenção a isto” e não ser cúmplice do Grupo Sousa. “Não é só mandar prender os desgraçados que apanham mais de três quilos de lapas e os pescadores que levam para casa um balde ou dois de chicharros sem passar pela lota. Tem de ser mais cuidadoso”, disse o dirigente e deputado do PTP, que também alertou para o risco de explosão que existe sempre que um camião da Gaslink transporta gás do Caniçal para os Socorridos.(dnoticias)

NA ZONA INDUSTRIAL DE GHISLENGHIEN

Explosão de conduta de gás na Bélgica mata 14 pessoasPelo menos 14 pessoas morreram e 200 ficaram feridas na explosão de uma conduta de gás registada esta manhã na zona industrial de Ghislenghien, perto de Ath, no sul da Bélgica.

Karim Ibourki, porta-voz do ministro belga da Saúde, Rudy Demotte, precisou que dos 200 feridos, 100 apresentam queimaduras provocadas pelo impacto da explosão e pelos incêndios que se seguiram ao primeiro rebentamento. 

Segundo a agência de notícias Belga, trabalhavam pelo menos 200 pessoas no complexo onde se verificou a explosão.

"Foi detectada uma fuga de gás por volta das 08h30. Quando os socorristas chegaram deu-se a explosão", explicou Ibourki. Uma estação de serviço também explodiu.

Num breve comunicado no seu sítio da Internet, a Fluxys, empresa que transporta gás natural na Bélgica e que gere o complexo onde se deu o acidente, confirmou que houve "uma fuga numa conduta de gás entre Zeebrugge e a fronteira francesa".

As autoridades belgas desencadearam um plano de catástrofe e pediram aos habitantes das redondezas para ficarem em casa com as portas e janelas fechadas.

Foram enviados para o local muitos meios de socorro e combate a incêndios.

O acidente aconteceu perto da auto-estrada A8 que liga Bruxelas a Tournai. A circulação foi interrompida pelas autoridades. (público)

Coelho denuncia perigos escondidos no Caniçal
Efemérides do dia 5 de Dezembro

Paulo Roberto Costa chegou a acordo com a justiça, denunciando como funcionava todo o esquema de corrupção na Petrobras

Roberto Costa disse arrepender- se de ter aceitado apoio político para chegar a diretor da Petrobras
“Passei seis meses na prisão de Curitiba até que, para ter uma alma mais pura, resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobras. E não só lá: isso acontece no Brasil inteiro, nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos e nas hidroelétricas.” Na segunda vez que foi chamado à Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, o ex- diretor do setor de Abastecimento da petrolífera, Paulo Roberto Costa, quebrou o silêncio. Disse estar arrependido de ter aceitado o cargo, procurou justificar os crimes de que é acusado e revelou que o escândalo de corrupção terá beneficiado “dezenas” de políticos.
Paulo Roberto Costa, de 60 anos, foi apanhado na operação Lava Jato, que investigou o desvio de dinheiro nos contratos com a Petrobras e o pagamento de subornos a políticos. Depois de detido, resolveu fazer um acordo com a justiça, denunciando todo o esquema em troca de uma pena mais reduzida. Foi assim que rebentou o chamado “petrolão”, onde se investiga como parte dos subornos pagos por empresários a diretores da estatal de petróleos eram desviados para financiar as contas partidárias – incluindo, alegadamente, as campanhas do Partido dos Trabalhadores da Presidente Dilma Rousseff e do seu antecessor, Lula da Silva.
Na Comissão Parlamentar de Inquérito, Costa admitiu que aceitou o apoio político para chegar a diretor de Abastecimento na Petrobras – foi nomeado por indicação do Partido Progressista ( PP). “Desde o governo de José Sarney [ presidente entre 1985 e 1990] todos os diretores da Petrobras se não tivessem apoio político não chegavam a diretores”, explicou, dizendo que o seu sonho era, “quem sabe”, tornar- se presidente da empresa. “Infelizmente eu me arrependo amargamente, porque estou sofrendo isso na carne e estou fazendo a minha família sofrer”, referiu.
Costa recusou contudo dar mais pormenores sobre o esquema que o Ministério Público brasileiro diz que liderava – pedindo por isso a sua condenação. Questionado, por exemplo, sobre que políticos estariam envolvidos no escândalo de corrupção, escudou- se atrás do acordo de delação e do facto de tudo estar ainda na fase de investigação: “O senhor não pode me deixar em situação constrangedora, mas algumas dezenas”, respondeu.
No passado, alguns dos nomes que terá denunciado à polícia foram divulgados pelos media brasileiros. Entre os políticos que terão recebido dinheiro estão, segundo as suas denúncias, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, o líder do Senado, Renan Calheiros, mas também o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Os três pertencem ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, aliado do PT. Mas também o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, ou deputados como Cândido Vaccarezza ( PT) ou João Pizzolatti ( PP).
Outro envolvido no esquema que assinou um acordo com a justiça, o empresário Augusto Mendonça, do grupo de construção Toyo Setal, disse à polícia que parte do dinheiro pago pela empresa a partir de contratos superfaturados da Petrobras foi depositado em contas do PT, via doações ilegais. No Equador, onde decorre a cimeira da Unasul, o ex- presidente Lula disse que achava que a declaração é fantasiosa. E questionou a divulgação de informação. “Como a delação é sigilosa, só a polícia e o procurador é que sabem. Se é sigilo, estou estranhando como é que está vazando a informação. A quem interessa e quem está promovendo”, questionou.  (com a devida vénia DN/Lisboa)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Tal como em Portugal, os políticos do sistema abusam no Brasil da palavra democracia para caracterizar o regime. Mentem. Na realidade o país está submetido a uma ditadura da burguesia de fachada democrática. Diz Miguel Urbano Rodrigues

Reencontro com o Brasil



por Miguel Urbano  Rodrigues

A alegria do reencontro com um povo que amo profundamente foi neutralizada pela consciência de que a sociedade brasileira adquiriu características pantanosas. A violência alastra como flagelo nas grandes cidades. Persistem desigualdades ofensivas da condição humana. Uma classe dominante repulsiva enfeixa nas mãos o poder político, compartilhando o económico com o imperialismo.

Mas, imaginando um futuro distante, o povo do Brasil aparece-me como uma antecipação da humanidade mestiça que nascerá lentamente da actual. Os chocantes traços negativos do presente acabarão quando as causas sociais que os geram forem eliminadas numa distante sociedade socialista. A cordialidade, a ternura, a alegria brasileiras - essas vão permanecer..


Marcha do MST, que terminou em confronto com policiais militares em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, teve financiamento com dinheiro público ...
Voltei ao Brasil em Novembro. Tinha decidido que seria a minha última visita.


Essa certeza contribuiu para que o reencontro fosse muito doloroso.
Estive em São Paulo e no Rio em 2012. Daí a surpresa.
No breve espaço de dois anos, a atmosfera, o comportamento de parcela importante de estamentos sociais da burguesia e os media que formam a opinião da maioria da população mudaram muito. Nesta despedida senti-me num país quase desconhecido.
A alegria do reencontro com um povo que amo profundamente foi neutralizada pela consciência de que a sociedade brasileira adquiriu características pantanosas.
A miséria absoluta diminuiu durante os governos de Lula e Dilma. Mas, paradoxalmente, o abismo que separa a minoria privilegiada das grandes maiorias aumentou. Os ricos enriqueceram prodigiosamente. Segundo o diário O Estado de S.Paulo o Brasil tem hoje 61 multimilionários cujas fortunas somam mais de 161 mil milhões de dólares.
A tensão social é transparente. Diferente da que conheci nos anos da ditadura militar. É uma tensão que não anuncia no imediato uma ascensão explosiva da luta de classes.
As condições objetivas são favoráveis a grandes lutas sociais. As manifestações de protesto contra o governo no Rio, em São Paulo e noutros estados, algumas convocadas pela direita, tornaram-se quase diárias. Oposicionistas pediram inclusive o impedimento de Dilma pelo Congresso e a demissão imediata do Governo. Em São Paulo, exigiram nas redes sociais «a demissão de toda a classe politica» e «o fim do financiamento dos partidos políticos». Por si só transparece dessas reivindicações um espontaneísmo inofensivo.
Na atual conjuntura, a justa indignação dos trabalhadores expressa apenas a recusa de um sistema apodrecido. A ausência de uma organização revolucionaria com forte implantação entre as massas favorece a classe dominante e assinala os limites da contestação popular.
A tensão social crescente não desembocará numa situação pré-revolucionária pela inexistência de condições subjetivas.
FRAGILIDADE DE DILMA
Dilma foi eleita na segunda volta com 52 % dos votos emitidos apos uma campanha duríssima, caracterizada por um baixo nível ideológico.
O atual Governo tem 39 ministros, número inimaginável em Executivos europeus, e tudo indica que o próximo terá uma dimensão semelhante. É intensa a especulação sobre os nomes, mas Dilma já confirmou que o ministro da Fazenda será Joaquim Levy, um banqueiro (foi vice-presidente em Washington do Banco Interamericano de Desenvolvimento) que integrou o governo de Fernando Henrique Cardoso e defende medidas neoliberais exigidas pelo grande capital. As suas declarações sobre a necessidade de uma politica de austeridade são esclarecedoras das suas opções ideológicas.
Katia Abreu, a futura ministra da Agricultura, é uma adversaria da Reforma Agraria e a indicação do seu nome foi festejada pela «bancada rural» que representa na Camara dos deputados os interesses do latifúndio e do agro-negócio.
Durante a campanha, intelectuais progressistas definiram Dilma como «o mal menor», porque a eleição de Aecio, apoiado por Washington e pela grande burguesia brasileira, implicaria uma submissão total ao imperialismo norte-americano e ao grande capital transnacional. O adversário de Dilma, um político com perfil de playboy, ao abordar o tema da política exterior, foi muito claro: defendeu uma maior aproximação com os EUA e uma revisão das relações com Cuba e os governos progressistas da Venezuela, da Bolívia e do Equador.
UM MAR DE CORRUPÇÃO
A corrupção é um mal endémico na Administração brasileira. Mas nos governos de Lula e Dilma aumentou desmesuradamente. O escândalo do Mensalão, que levou à prisão, entre muitos outros, José Dirceu, o ex. chefe da Casa Civil de Lula, cargo que no Brasil corresponde a primeiro-ministro, foi agora largamente ultrapassado pelo lamaçal que envolve a Petrobras, a maior empresa do país. O ex. diretor de Serviços, Renato Duque, dezenas de executivos do gigante petrolífero (atualmente um dos grandes produtores do mundo) e dirigentes de algumas das maiores construtoras do Brasil foram já presos por fraudes e crimes de corrupção cometidos no exercício das suas funções. Muitos senadores e deputados estão também comprometidos nessas sórdidas negociatas.
Por ora não é possível avaliar o montante da roubalheira. Mas admite-se que o total das luvas pagas a altos funcionários da Petrobras por contratos ilegais e fraudes que favoreceram empreiteiras exceda o equivalente a muitos milhares de milhões de euros.
O povo brasileiro reagiu com satisfação às prisões já realizadas pela Policia Federal no âmbito da Operação Lava Jato, mais conhecida como Juízo Final.
Dilma, informada dessas prisões em Brisbane, quando na Austrália participava na Reunião do G- 20, manifestou regozijo pela ação da Justiça. «Elas demonstram – declarou - que o Brasil está acabando com a impunidade (…) Acho que isto pode de fato mudar o País para sempre».
A opinião não impressionou a oposição. Nos órgãos de comunicação social mais influentes chovem críticas à presidente a quem negam credibilidade.
É aliás convicção generalizada que os principais responsáveis pelos crimes que fizeram cair brutalmente as acções da Petrobras não serão punidos; as condenações atingirão sobretudo funcionários subalternos.
A decisão de Marta Suplicy de se demitir de ministra da Cultura, anunciada no auge do escândalo, foi interpretada como prólogo do aprofundamento da crise do PT com o qual ela, uma oportunista ambiciosa, estaria prestes a romper.
DEMOCRACIA DE FACHADA
Tal como em Portugal, os políticos do sistema abusam no Brasil da palavra democracia para caracterizar o regime.
Mentem. Na realidade o país está submetido a uma ditadura da burguesia de fachada democrática.
O funcionamento do sistema tem facetas caricaturais.
As eleições – presidenciais, legislativas e as realizadas para os governos estaduais - foram disputadas por 28 partidos que elegeram 553 deputados federais
As coligações, regulamentadas por uma legislação absurda, permitiram em alguns casos a eleição de candidatos de partidos opostos ao do cidadão votante.
Poucos confiam na promessa de Dilma de «reorganizar a sociedade brasileira, conferindo o papel de direção àqueles eles vivem do seu trabalho e da cultura».
No primeiro mandato ela esqueceu sistematicamente os compromissos assumidos.
Na prática o governo quase neoliberal da PT renunciou há muito ao programa que levou Lula à Presidência. Na prática acredita que administra melhor o capitalismo do que a direita tradicional. O populismo de Dilma, como o de Lula, engana cada vez menos os trabalhadores, mas parcela ponderável do povo brasileiro, modelada por uma media alienante, ainda não assimilou essa evidência.
CRISE MULTIPLA
O país caiu em recessão técnica.
Em Outubro a balança comercial apresentou um défice de 1200 milhões de dólares. A quebra do PIB reflete a diminuição dos preços das matérias-primas, base das exportações.
A taxa oficial de desemprego carece de credibilidade. Os despedimentos no setor privado não esbarram com obstáculos legais. Um exemplo: o HSBC, o gigante britânico – o maior banco do mundo - anunciou para breve o despedimento de aproximadamente mil trabalhadores das suas agências no país.
Na indústria automóvel, uma das mais importantes do mundo, a produção de veículos caiu 16% em relação ao ano passado.
A incapacidade das prefeituras (camaras municipais em Portugal) para responder satisfatoriamente às exigências de moradia digna para as pessoas em busca de emprego que afluem às grandes megalópolis brasileiras contribui para a vaga de ocupações.
No centro de São Paulo a atmosfera é hoje muito diferente da que conheci ali nos meus anos de exilio.
Prédios degradados construídos entre as duas guerras mundiais foram ocupados por famílias ligadas ao Movimento dos Sem Teto.
Os proprietários e influentes políticos exigem que os ocupantes sejam desalojados, mas o prefeito não lhes tem atendido os apelos, temendo aumento da tensão social.
Mais grave é a concentração de drogados em alguns bairros residenciais. No Jaguaré, a uma centena de metros de um grande supermercado, dezenas de toxico- dependentes permanecem noite e dia nos passeios, remexendo em montes de lixo. Vi alguns injetando-se.
O lugar é conhecido como a Cracolandia, nome derivado do crack que consomem.
As favelas também não desapareceram de São Paulo (três milhões vivem em favelas e cortiços). Mas é no Rio de Janeiro que a sua proliferação impressiona mais o forasteiro. Semeadas pela cidade, implantadas inclusive em morros que envolvem bairros de luxo da orla marítima, elas são o rosto de uma tragédia social e configuram um desafio para o qual os governantes não encontraram ate hoje uma solução eficaz.
Mais de 80% dos favelados são trabalhadores, cidadãos tranquilos, abertos ao convívio, refletindo a cordialidade brasileira; mas é a minoria dos marginais, dos criminosos e drogados que projeta a imagem da favela.
A ocupação militar de algumas nos meses que precederam a Copa do Mundo de Futebol não resolveu, como se temia, o problema social cuja imagem degradante é identificável no polo de miséria que são as favelas cariocas, onde o crime organizado se encontra solidamente instalado, com a cumplicidade de polícias corruptos.
Que fazer? Aquela terrível realidade dói. Mas não me atrevo sequer a abordar o tema do inventário dos debates gerados pela chaga social das favelas.
Nas grandes cidades brasileiras - como nas capitais da Colômbia, do Peru, do México, de San Salvador, entre outras - o problema da violência angustia a população. Não tem diminuído.
As estatísticas são alarmantes. Em 2013 foram assassinadas no país 53 000 pessoas. A cada 4 minutos uma mulher é estuprada.
Claude Levy Strauss escreveu nos Tristes Trópicos que o Brasil é o país da decadência do inacabado. Utilizando essa expressão transmitiu a impressão causada pelo facto de grandes edifícios residenciais e obras monumentais apresentarem falhas de construção, envelhecendo antes de concluídos.
Nestas semanas, ao revisitar em correria o Brasil, a contradição ostensiva entre a modernidade e o arcaísmo fez-me recordar o comentário de Levy Strauss
Em múltiplos ramos do sector avançado, o Brasil situa-se na vanguarda mundial do progresso técnico e científico. Mas essa transformação do país onde vivi quase duas décadas antes da Revolução Portuguesa coexiste com o outro Brasil, mesmo em áreas urbanas, nas favelas e cortiços, nomeadamente - onde tive a sensação do tempo parado.
Na imensidão do gigante sul-americano, à medida que nos afastamos dos grandes centros do litoral somos projetados no espaço para cenários de estagnação, para um passado remoto.
Em sertões do Nordeste e na espessura das matas amazónicas, a vida mudou pouco em enormes regiões; ali os homens e as coisas empurram a memória e a imaginação para arcaísmos africanos. Um caboclo do alto rio Negro ou do Madeira está culturalmente mais próximo do morador de um Kimbo do Kuando Kubango que de um operário paulista ou carioca.
CONTRADIÇÕES
Conheço poucos países onde as contradições marquem tao profundamente o fluir da vida.
Uma das que mais surpreende os estrangeiros é a que distancia nas chamadas elites uma intelectualidade brilhante e criativa de uma colmeia de aventureiros ambiciosos e medíocres (muitos corruptos) que exerce uma influência decisiva no mundo apodrecido da política.
O Brasil onde surgiram intelectuais como Niemeyer e Florestan Fernandes gerou figuras públicas sórdidas como Jânio Quadros, Adhemar de Barros e Maluf, produz em serie deputados e senadores que tipificam admiravelmente aquilo a que Marx chamou «o cretinismo parlamentar».
O contraste entre esses dois Brasis, coexistentes e antagónicos, é identificável – mais um exemplo - numa simples visita às grandes livrarias de São Paulo e do Rio.
Nas estantes encontra-se o que de melhor o homem criou desde a antiguidade nos domínios do pensamento, da arte, da ciência. As principais editoras lançam também no mercado, traduzidas, obras inovadoras, recentes, sejam ensaios ou novelas publicadas na Europa, nos EUA, em diferentes países definidos como emergentes.
Considero indispensável uma referência especial à Editorial paulista Boitempo, de Ivana Jinkings, que lançou no Brasil, além de obras dos principais clássicos do Marxismo, autores contemporâneos tao importantes como o húngaro Istvan Meszaros e o inglês David Harvey.
Mas, num país onde a contra cultura exportada pelos EUA pesa decisivamente na mentalidade e nos gostos da pequena burguesia, os livros mais vendidos são outros: o lixo impresso sobre temas do género como enriquecer, como mudar de profissão ou personalidade, como conquistar amigos, sobre ocultismo, questões astrais, religiões exóticas e outras imbecilidades.
ESPERANÇA
Quatro dias em Minas Gerais, revisitando Ouro Preto, Mariana e Congonhas do Campo, proporcionaram-me uma estranha viagem pela Historia e pela minha vida, recordando alguém que viveu no meu corpo.
Foi há mais de 40 anos. Andei então pelas serranias e vales onde o bandeirante Fernão Dias Pais descobriu o ouro que, passando por Portugal, contribuiu para financiar a revolução industrial inglesa.
Acompanhei nessa visita dois historiadores amigos: o francês Albert Soboul e o português Barradas de Carvalho.
Muitos dos casarões setecentistas de Ouro Preto ameaçavam na época desmoronar-se. Foram recuperados e a cidade é hoje um polo turístico onde aflui gente de todo o mundo.
O Aleijadinho, o arquiteto e escultor que conferiu dimensão internacional ao barroco mineiro, não teve em vida reconhecido o seu génio. Morreu pobre e quase ignorado pelos seus contemporâneos.
Meditando sobre o tempo morto nas suas igrejas, ou acariciando a pedra escura dos Profetas de Congonhas, percorrendo as salas do Museu da Inconfidência em Ouro Preto atravessei neste inverno da vida a ponte invisível que liga o Brasil que caminhava para a Independência para o Brasil gigante de hoje, um pais e um povo então inimagináveis.
Para onde vai esta terra irrepetível, que ainda não se construiu como nação?
Não ouso responder à pergunta.
No Brasil persistem desigualdades ofensivas da condição humana. Uma classe dominante repulsiva enfeixa nas mãos o poder político, compartilhando o económico com o imperialismo.
Sendo sombrio o presente e nevoento o futuro imediato, admito que o Brasil está vocacionado para desempenhar um papel significante no amanhã da humanidade.
Amo profundamente – repito - a gente brasileira. A violência, que hoje alastra como flagelo nas grandes cidades, vai acabar quando as causas sociais que a geram forem eliminadas numa distante sociedade socialista. A cordialidade, a ternura, a alegria brasileiras - essas vão permanecer.
Não identifico no caótico sincretismo brasileiro um prólogo de futuras desgraças. Pelo contrário.
Imaginando um futuro distante, o povo do Brasil aparece-me como uma antecipação da humanidade mestiça que nascerá lentamente da atual.
São Paulo, 29 de Novembro de 2014. (ver Diário-info)
 Florestan Fernandes o pai da sociologia brasileira

Henrique Neto ex-deputado do PS está convencido que Sócrates não é inocente

«Há anos que esperava» a prisão de Sócrates

Palavras do ex-deputado socialista Henrique Neto sobre a prisão preventiva de José Sócrates, em declarações ao «i»
O ex-deputado do PS Henrique Neto é o primeiro socialista a assumir publicamente que não ficou surpreendido com a prisão de José Sócrates. «Há anos que esperava que isso acontecesse. Os indícios eram mais que muitos», considerou Neto, em declarações ao jornal «i», onde defende que «as reacções de alguns socialistas (à detenção de Sócrates] são irracionais». Henrique Neto acusa: «Há muitos socialistas que não querem conhecer o que se passou. Fecham os olhos, porque estão moral e eticamente metidos nestas desgraças». 
  
Para Henrique Neto, que não é de agora que tem sido crítico da governação de José Sócrates, tendo em junho lançado um manifesto com duras críticas à governação do ex-PM, «António Costa não será credível no país se não limpar o partido com grande clareza e grande determinação. Sofrerá com os estilhaços do que vier a acontecer com o eng. Sócrates». (TVI24)

Trecho extraído com a devida vénia do jornal "quebra-costas"

Recordar é viver como outrora na propaganda do "Carlos Fotógrafo"

Apesar do seu pensamento pequeno-burguez, Dírio Ramos  de vez em quando diz umas verdades

De Berlim a Jardim, um muro enorme (clique para aceder a domínio Público)

Dírio Ramos ,engenheiro



«É preciso acabar com o Muro da Quinta Vigia, o do grande líder, aquele que na Voz da Madeira defendia o regime deposto em 1974.»





Caiu o Muro de Berlim em 1989, há 25 anos. Treze anos depois, começou a ser construído, por Israel, o Muro da Cisjordânia, para impedir a entrada de palestinianos. O muro que foi construído em território palestiniano, em betão armado e arame farpado, tem 440 Km. Quando concluído terá 700 km  cercando  todo  o território da Cisjordânia.

Os americanos do norte, «campeões da liberdade», começaram em 1994 a construir o Muro contra o México. Tem centenas de km, inclui 3 barreiras de contenção, iluminação de alta densidade, detetores anti-pessoas, sensores de visão noturna, entrelaçados com radio comunicações, vigilância permanente de polícia com veículos e helicópteros.

O Reino Unido, o aliado americano na Europa, construiu a partir de 1969, o Muro de Belfast, com mais de 34 Km, para reprimir os irlandeses, separando os bairros católicos dos protestantes…tem a promessa de serem demolidos até 2023… Falta tanto tempo…

Temos também o Muro de Evros, entre a Grécia e a Turquia. A Grécia resolveu investir 3,2 milhões de euros em 2012, tantos anos depois da queda do muro de Berlim. Um Muro de 10 Km ao longo do rio Evros, fronteira natural que separa a Grécia da Turquia. Tudo isto financiado com verbas da livre União Europeia!

Em Chipre, quando as forças militares turcas, as maiores da NATO, ocuparam a parte norte da Ilha em 1974, instaurando a República Turca do Norte do Chipre. Foi construído a chamada «Linha Verde», um Muro de 180 Km, que está convertido numa barreira intransponível. Tudo isto com a bênção dos EUA e da UE.

Podia referir muitos outros Muros…Coreia…etc.

Aqui próximo temos o Muro de Ceuta e Melila, com o apoio da UE ,a Espanha foi incentivada e financiada para construir um Muro com mais de 20 Km.

Na nossa Região, temos o Muro do Jardinismo, onde o 25 de Abril não se comemora, porque, segundo um candidato a Presidente do PSD –M, aquele que quer tirar a Madeira da crise, não foi nessa data que os portugueses se libertaram da ditadura. Este «libertador», podre de rico, foi longe demais ao dizer que «foi o 25 de Novembro que pôs fim a 50 anos de Salazar, Marcelo e PREC».

Vivemos, como disse Leonel Nunes há algum tempo atrás : «…foram 33 anos sob uma democracia vigiada, sob a batuta de um DUCE, campeão das maiorias asfixiantes, rodeado da sua corte, onde quem não concorda é marginalizado, silenciado ou posto de parte ou comprado.»

É preciso acabar com o Muro da Quinta Vigia, o do grande líder, aquele que na Voz da Madeira defendia o regime deposto em 1974.

Coelho denuncia, uma vez mais, a prepotência  e o oportunismo dos Sousas dos portos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Luís Filipe Malheiro arrolado como testemunha em mais um julgamento de Coelho, desta vez no Tribunal do Porto Santo

Luís Filipe Malheiro o célebre politólogo Social-democrata madeirense, a consciência crítica do partido foi arrolado como testemunha do deputado José Manuel Coelho num julgamento a ser realizado no Tribunal do Porto Santo em que o deputado do PTP é arguido num processo onde é acusado de difamação e colocado pela procuradora fascista Maria Antunes Gameiro. Esta senhora é casada com o sr. Fernando da Mata antigo assessor de Miguel Albuquerque na CMF. A senhora tem uma quinta construída abusivamente dentro do Parque  Natural da Madeira como prémio da sua fidelidade ao regime jardinista nas diligências que tem feito no exercício do tráfico de influência nos tribunais da Madeira no sentido de obter o arquivamento de todos os  processos movidos pelo Ministério Público contra os ladrões do PSD que têm passado na Câmara Municipal do Funchal. Foi portanto uma recompensa pela prestação de bons serviços ao ladrões do regime.O processo tem o nº610/12.3TAFUN e está marcado o início do julgamento para o dia 16 de Janeiro de 2015 no tribunal do Porto Santo.

 Malheiro está indignado e diz que não vai ao Porto Santo e que pretende dar o seu depoimento por vídeo-conferência.
Álvaro Cunhal, Dias Lourenço, Sérgio Vilarigues e Blanqui Teixeira numa foto que deve ser da primeira metade dos anos 60. (foto retirada do grupo «Fascismo Nunca Mais» no Facebook).
Bom Humor de José Vilhena

pobre no consultório do médico
Conversas no confessionário pelo lápis de José Vilhena
obituário
Cesal Millan, Mexicano/Americano de 45 anos nascido na Sinaloa, De La Cruz e que fez fama com o incrível programa de reabilitação de cães que toda a gente, tendo inclusive escrito 3 livros entitulados “Cesar’s way”, “Be the pack leader” e “Member of the family”.
o “Encantador de Cães” como era conhecido, faleceu esta manhã no hospital de Santa Clarita, na Florida.
Millan foi hospitalizado ontem ao final do dia, o diagnóstico médico terá indicado um ataque cardíaco fulminante que terá impedido a irrigação de sangue aos orgãos vitais e cérebro, tendo sido essa a causa da morte.
A notícia foi dada pela sua mulher, Jahira Dar numa conferência de imprensa há poucas horas, onde pediu aos media “espero que compreendam a minha perda, e respeitem este momento de pesar, dando-nos algum espaço”.
Ainda não se conhecem detalhes do funeral, sendo que é esperado que se venha a realizar em Mazatla, Sinaloa.
Uma grande perda, que descanse em paz.

José Manuel Coelho em defesa dos pequenos comerciantes do Centro Comercial Infante na cidade do Funchal

Coelho culpa regime jardinista e Albuquerque pelo Centro Infante estar às moscas

Líder do PTP diz que só discriminação positiva pode salvar centro comercial
O líder do PTP, José Manuel Coelho, alertou, esta tarde, para a difícil situação em que se encontra o Centro Comercial Infante/Marina Shopping e apelou à Câmara do Funchal e ao Governo Regional para a necessidade de “uma discriminação positiva” para aquela superfície comercial, porque, caso contrário, o encerramento é quase certo.
Numa conferência de imprensa no local, Coelho descreveu o cenário do edifício: “Outrora pujante e emblemático, este centro está agora em decadência. Os pequenos comerciantes deste centro têm os seus negócios às moscas, praticamente não têm clientes e muitos já não podem pagar as mensalidades à administração do centro comercial. A administração do centro não consegue fazer face às despesas para manter o centro comercial em funcionamento em condições dignas e já foi obrigada a despedir pessoal e não tem seguranças”. Dentro do centro há um supermercado que “há mais de um ano não paga uma mensalidade” parece saído “da antiga União Soviética, com as prateleiras totalmente vazias”.
O panorama é sombrio e o dirigente e deputado do PTP não tem dúvidas de quem tem a culpa desta situação. “Este centro comercial é uma vítima do mau planeamento do regime jardinista no que toca ao comércio da cidade do Funchal. É mais um fruto das asneiras feitas pelo senhor Miguel Albuquerque, quando, violando o PDM, autorizou os tubarões do regime jardinista, nomeadamente os senhores Henriques, a construir o Dolce Vita. Instalou-se ali uma nova centralidade de comércio que acabou por aniquilar este centro”, argumentou. Além de estar na origem do problema, José Manuel Coelho denunciou que o “regime jardinista”, através das Finanças, quer “asfixiar” de vez o Centro Comercial Infante ao “tentar penhorar o recheio dos pequenos comerciantes” ali instalados. (dnotícias.pt)

Albuquerque o coveiro do pequeno comércio do Concelho do Funchal

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

José Manuel Coelho congratula-se com atitude inédita do presidente do Clube Sport Marítimo

Coelho “imensamente satisfeito” por ter pago prendas aos jovens do Marítimo

Líder do PTP lembra que foi o seu ordenado que pagou festa de Natal
O líder do PTP, José Manuel Coelho, manifestou-se esta tarde feliz com o facto de o dinheiro que teve de pagar por uma indemnização judicial ao empresário Luís Miguel Sousa ter revertido para a compra dos presentes de Natal das crianças e jovens do Colégio do Marítimo, em Santo António.
Numa acção realizada junto àquela infraestrutura gerida pelo Clube Sport Marítimo e falando “na qualidade de adepto e apoiante”, Coelho adiantou que foi obrigado a pagar 9 mil euros ao “maior monopolista da Região”, dinheiro que foi retirado do seu ordenado deputado. Apesar de criticar a decisão judicial, o dirigente partidário até se congratulou com o destino que foi dado àquela verba: “Fico imensamente satisfeito pelos senhores Carlos Pereira e Luís Miguel Sousa meterem a mão na consciência e não ficarem com o dinheiro da penhora do meu ordenado em benefício próprio e o terem entregue aos jovens agraciados com prendas de Natal”.
O líder e deputado do PTP desafiou ainda Carlos Pereira a dar continuidade à senda de generosidade e incentivou-o “a pagar alguma coisa pelas milhares de toneladas de areia que retira dos mares da Região e que não paga um cêntimo de imposto”. (dnotícias.pt)

Fotos da conferência de imprensa

caderneta escolar do nosso amigo "Areeiro" quando frequentava a escola Industrial do Funchal

Uma verdade considera-se apodítica e univiversal quando é demonstrável e impõe-se a toda a gente da mesma maneira
Apodítica. Do latim apodictica. Parte da lógica que tem por objeto a demonstração. Esse nome foi usado por alguns lógicos do século XVII, como por exemplo Jungius. (1)

Apodítico. Do grego apodeiktikós, demonstrativo. Modalidade do juízo que é necessário de direito, exprimindo uma necessidade lógica, não um simples fato. "Os juízos são problemáticos quando admitimos a afirmação ou a negação como simplesmente possíveis (arbitrárias); são assertóricos quando os consideramos como reais (verdadeiros); e apodíticos quando os consideramos como necessários" (Kant). Assim, um juízo apodítico representa a característica de universalidade e de necessidade. Ex.: um círculo é uma curva fechada de que todos os pontos são equidistantes do centro. (2)

Apodítico (apodictique). Designa uma necessidade lógica, tal como encontramos nas demonstrações (a palavra vem do grego apodeiktikós, demonstrativo). Também é uma das modalidades do juízo: uma proposição qualquer pode ser assertórica (se enuncia um fato). problemática ou hipotética (se enuncia uma possibilidade), enfim apodítica (se enuncia uma necessidade). É importante distinguir esses dois sentidos, porque o primeiro vale como certeza, e o segundo, de forma alguma. A certeza de uma proposição não depende da modalidade do juízo que ela anuncia, mas da validade da sua demonstração. Uma proposição assertórica ("Deus existe"), problemática ("Pode ser que Deus exista") ou apodítica ("Deus existe necessariamente") só será certa se sua demonstração for apodítica - em outras palavras, se for verdadeiramente uma demonstração. É o que explica que seja possível duvidar de uma necessidade ou de um fato, e ter certeza de uma possibilidade. (3)

(1) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.
(2) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
(3) COMTE-SPONVILLEAndré. Dicionário Filosófico. Tradução de Eduardo Brandão. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2011

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