sexta-feira, 12 de maio de 2017

Padre Mário Oliveira critica a visita do papa Francisco a Fátima

"Fátima é a negação da fé e de Jesus"
Contundente como sempre, o Padre Mário de Oliveira acusa o Papa Francisco de "agradar aos grandes financeiros que mandam no Mundo. "Bíblia ou Jesus?" é o mais recente livro do autor de "Fátima nunca mais".

Há um antes e um depois de "Fátima nunca mais". A opinião é de Mário de Oliveira, o presbítero-jornalista que acusa a hierarquia religiosa de tentar silenciá-lo, tratando-o como um "não-existente". Segundo o padre de Macieira da Lixa, foi o seu livro, publicado em 1999, que abriu caminho à atual profusão de obras sobre o tema.

Nos últimos meses foram lançadas algumas dezenas de livros sobre Fátima, adotando diversas abordagens sobre o fenómeno. O país está finalmente a debater Fátima, como sempre propôs?
Felizmente, está Em 1999, escandalizo meio mundo, quando publico, em parceria com a editora Campo das Letras, o livro "Fátima nunca mais". Só falta queimarem-me vivo na praça pública. Ainda hoje há gente muito católica que por causa desse livro não consegue sequer olhar para mim. Sou tido como um excomungado a evitar. Quando, afinal, com esse livro, presto um dos maiores serviços à causa do Evangelho de Jesus e à Igreja-movimento de Jesus. Ninguém, nos séculos XX e XXI, faz tanto por Maria, a mãe de Jesus, como eu, com a publicação desse livro e de um outro mais do que esgotado, chamado "Maria de Nazaré" (Afrontamento, 1972). Aliás, um dos capítulos de "Fátima nunca mais" tem por título uma afirmação escutada pela minha própria mente cordial, numa das minhas várias reportagens feitas em Fátima, que reza assim: "Eu, Maria, a mãe de Jesus, não tenho nada a ver com a senhora de Fátima". Com este livro, revelo ao país e ao mundo que Fátima não faz parte da Fé católica. A verdade é que na altura nem os meus colegas jornalistas acham possível um padre católico publicar um livro assim e continuar a ser padre. E se hoje felizmente já não é mais assim para a sociedade em geral, continua a ser ainda assim para a hierarquia católica, a qual, como se vê, não abre mão de Fátima. Continua por isso a tratar-me como um não-existente, a quem nunca se refere, com quem nunca dialoga e a quem nunca responde. Entretanto, se com esse meu livro é hoje bem claro que Fátima não faz parte da fé católica, todos estes anos depois vou ainda mais longe e afirmo que Fátima é a negação da fé de Jesus, a única fé que dignifica quem a pratica.
Surpreende-o a avalancha de livros sobre Fátima publicados nas últimas semanas?
Não me surpreende. Desde que o meu Livro "Fátima nunca mais" rebenta o tabu "aparições de Fátima", soltam-se as mentes das pessoas e os próprios jornalistas de investigação percebem que têm o dever de meter mãos à obra. E metem. O centenário de semelhante mentira e crime, cometido em 1917 em Fátima (há três crianças vítimas de tudo aquilo, senhoras, senhores, duas das quais morrem pouco depois do teatrinho acabar, e a sobrevivente é sequestrada pelos clérigos até à morte em sucessivos conventos) está a ser a grande oportunidade para essa avalancha de livros. Por sinal, bem aproveitada. E feita com inteligência e discernimento. Gosto sobretudo daqueles livros, cujos autores não embarcam no respeito pela tão badalada "fé religiosa" que leva o povo mais empobrecido e mais desamparado a rastejar diante da imagem confecionada pelo senhor Thedim, da Trofa, e a entregar o último cêntimo ao Santuário-covil de ladrões, quando, afinal, a solução que procura lá para os seus múltiplos problemas só dentro dele se encontra, coisa que os clérigos não lhe dizem, porque preferem continuar a vender-lhe sucessivas overdoses de ópio. Não me cabe indicar quais em concreto os livros de que mais gosto. Complementam-se uns aos outros. Alegra-me, sobremaneira, constatar que vários destes livros também me incluem e quase todos citam na bibliografia consultada os meus dois livros sobre Fátima. Até o livro acabado de sair da autoria do bispo D. Carlos Azevedo, há anos "pontapeado" de Lisboa para Roma, o faz.
Desde que, em 199, publicou "Fátima nunca mais" muitos outros livros seguiram o mesmo caminho, mas sem a mesma polémica. O questionamento das aparições deixou de chocar as pessoas?
É manifesto que deixou. O que mais me alegra é constatar a liberdade com que os nossos humoristas abordam o assunto. O satírico semanário francês "Charlie Hebdo" à beira destes nossos humoristas profissionais mais parece um tigre de papel. A esmagadora maioria do país ri a bom rir com a historieta de Fátima e com a canonização dos dois irmãos, Francisco e Jacinta. Se a hierarquia católica frequentasse as redes sociais, como eu frequento, teria vergonha do papel que insiste em representar. O próprio Papa Francisco, ao agir como age neste processo, mostra bem ao serviço de quê e de quem está. E porque agrada tanto aos grandes financeiros que mandam no mundo. Fica também claro que a teologia que ele segue é uma teologia que empobrece e mata e, por isso, justifica todas as economias que empobrecem e matam. As quais têm na Cúria Romana o pai de todas elas.
Em "Fátima $.A." regressou ao tema, com documentos inéditos. Este é finalmente um capítulo fechado para si?
Sem dúvida, é um capítulo fechado para mim. Como presbítero-jornalista atento aos sinais dos tempos, tenho o cuidado de me antecipar dois anos ao centenário e por isso faço sair, juntamente com a editora Seda Publicações, "Fátima $.A., em Maio de 2015. As edições sucederam-se, apesar de o livro ter desaparecido depressa dos escaparates. Este ano, em Março, a editora avançou com a sexta edição que inclui uma especial nota do autor, na qual dou conta às pessoas tudo quanto faço para que o papa Francisco não venha a Fátima. É uma batalha que perdi. Não perdi a "guerra". Como, de resto, bem o revela a significativa dedicatória com que termino essa nota. diz assim: "Dedico esta sexta edição e todo o livro a Maria, a mãe de Jesus, contra a senhora de Fátima". Quem for capaz de entender o alcance teológico desta dedicatória, que entenda. Por outro lado, quando este ano toda a gente discute Fátima, eu tenho o cuidado de introduzir um novo tema teologicamente fraturante, com um novo livro, "A Bíblia ou Jesus?" (Seda Publicações, Abril 2017)
Apesar de todos esses livros, o culto continua bem vivo. Como interpreta essa indiferença das pessoas às teses contrárias?
No meu entender, não é o culto que continua vivo. O que continua vivo e bem vivo é o medo, é a solidão, é o desamparo a que condenamos impunemente as grandes maiorias. São carne para canhão. A grande clientela das religiões, cujos clérigos e pastores vendem-lhes ritos, sempre os mesmos, ao mesmo tempo que lhes roubam Deus que nunca ninguém viu, o de Jesus Nazaré. São crimes sobre crimes que contam com o aval das elites dos privilégios e dos poderes. É sabido, mas não assumido, que o medo lá onde se instala e desenvolve, cria deusas, deuses que tolhem as pessoas e não as deixa crescer-desenvolver de dentro para fora. E com o medo, vêm inevitavelmente vidas-beco sem saída. O que perfaz, no sábio dizer de Jesus Nazaré, "O pecado do mundo". Para o qual não há perdão, enquanto não for erradicado de vez da Humanidade! (jornal de noticias)


José Vilhena

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