terça-feira, 16 de junho de 2026

O mal de uns contribui nalgumas vezes para o lucro e o comércio de outros.Eis a contradição

 Memórias!



A tragédia de 15 de junho de 1904 e o Mercado da Dor que Alimenta o Mundo.

Há uma estranha ironia na condição humana. Choramos os mortos, erguemos monumentos à memória das vítimas e proclamamos solenemente que jamais esqueceremos as tragédias do passado. Contudo, ao mesmo tempo, construímos indústrias inteiras sobre essas mesmas tragédias, transformando o sofrimento em narrativa, a narrativa em espetáculo e o espetáculo em lucro.

O incêndio do General Slocum, ocorrido a 15 de junho de 1904, constitui um exemplo particularmente revelador desse fenómeno.

Naquela manhã de verão, mais de mil pessoas perderam a vida nas águas do rio East. Mulheres e crianças, que apenas procuravam um dia de convívio e alegria, encontraram a morte entre chamas, fumo e águas escuras. O horror daquela tragédia não se limitou ao instante do desastre; prolongou-se nos gritos das mães que viram os filhos afundarem-se com coletes salva-vidas defeituosos, nos sobreviventes que carregaram para sempre a culpa de terem escapado e nas famílias que jamais voltaram a ser as mesmas.

Mas a história não terminou naquele dia.

Com o passar dos anos, os relatos do desastre foram transformados em livros, reportagens, documentários e produções cinematográficas. Escritores encontraram ali matéria-prima para as suas obras. Realizadores descobriram uma narrativa capaz de prender audiências. Editores venderam milhares de exemplares. Produtores arrecadaram receitas significativas. A tragédia converteu-se em património cultural, mas também em ativo económico.

Tal fenómeno não é exclusivo do General Slocum. Parece existir uma espécie de alquimia social que transforma lágrimas em ouro. Quanto maior o sofrimento, maior tende a ser o interesse público. Quanto mais devastadora a tragédia, mais páginas se escrevem, mais bilhetes se vendem, mais audiências se registam.

É como se a dor humana fosse uma matéria-prima inesgotável. O mineiro extrai carvão das profundezas da terra; a indústria cultural extrai emoções das profundezas da condição humana. Uns exploram montanhas, outros exploram memórias.

Não significa isto que a literatura, o jornalismo ou o cinema sejam atividades moralmente condenáveis. Pelo contrário. Muitas vezes, são precisamente estas formas de expressão que impedem que as vítimas sejam esquecidas. Graças a elas, os nomes dos mortos sobrevivem ao tempo e os erros que causaram determinadas tragédias permanecem como advertência para as gerações futuras.

No entanto, permanece uma questão incómoda: onde termina a homenagem e onde começa a exploração?

A resposta talvez nunca seja totalmente clara. Existe uma linha ténue entre recordar e comercializar, entre informar e lucrar, entre homenagear e transformar a desgraça alheia em mercadoria. Essa linha é frequentemente invisível e, por vezes, atravessada sem que disso nos apercebamos.

O desastre do General Slocum recorda-nos precisamente essa contradição. Enquanto os corpos afundavam nas águas do rio East, ninguém poderia imaginar que, décadas mais tarde, aquela tragédia geraria receitas, audiências e notoriedade para inúmeros autores e empresas. O sofrimento de uns acabaria por sustentar o trabalho, a criatividade e até a prosperidade de outros.

Talvez seja esta uma das mais desconcertantes características da humanidade: a capacidade de transformar as suas maiores feridas em histórias. Histórias que educam, emocionam e preservam a memória, mas que também alimentam mercados, criam carreiras e geram riqueza.

No fundo, a dor humana assemelha-se a uma chama. Quando surge, destrói tudo o que encontra pela frente. Mas, depois de extinta, há sempre quem recolha as cinzas para delas fazer livros, filmes, notícias e negócios. E assim, geração após geração, a tragédia continua a produzir frutos muito depois das lágrimas terem secado.

Texto de Luís M Cunha.


Fotografia do Navio “General Slocum, palco de uma das maiores tragédias da história dos Estados Unidos da América, quando, a 15 de junho de 1904, um incêndio a bordo provocou a morte de mais de mil pessoas nas águas do rio East, junto à cidade de Nova York.

domingo, 14 de junho de 2026

Justiça para pobres e justiça para ricos: Os ladrões do subsídio de mobilidade foram presos Mas a Maria João Marques roubou milhões e nem um dia de cadeia apanhou

Maria João Marques
Justiça para pobres e justiça para ricos:
Os ladrões do subsídio de mobilidade foram presos. Mas a Maria João Marques roubou milhões no Funchal e nem um dia de cadeia apanhou. 
 Maria João Marques foi agente execução na Madeira em 2015-2017. Lesou centenas de clientes roubando cerca de 6 milhões de euros e nem um dia de cadeia apanhou. Está feliz da vida tratando da sua vidinha em Cascais e nada lhe acontece. Os ladrões do subsídio de mobilidade roubaram 529 mil euros e apanharam prisão porque não pertenciam à elite protegida pela Justiça. 



Teresa de Sousa a juiza presidente assinou o acordão das condenações dos pequenos ladrões. Os grandes  como essa tal Maria João Marques são protegidos e nada lhes acontece!

Breve Léxico do fachista português

 


Paulo Paulo Barreto (ao centro) foi a personagem indicada pelo 1º Damo (Víctor Freitas) ao presidente Seguro para ser nomeado representante da República para a Madeira