Estes são seguranças cubanos que foram mortos pelos Americanos, que pertenciam ao ultimo anel do ex. Presidente Nicolás Maduro
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Patriotas cubanos caídos no cumprimento do seu dever internacionalista da defesa da Revolução Bolivariana
Esta é a paz e o desenvolvimento que Edmundo Gonzales Urrutia e Corina Machado desejam para o povo da Venezuela
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Rui Marote volta a surpreender! Já teve acesso à nova portaria do Governo Central sobre a mobilidade Mantém-se tudo como estava
Grande Marote! Sempre bem informado!
Subsídio de mobilidade é como o FN alertou…
“Somoza é um filho da puta, mas é o nosso filho da puta”
Anastasio Somoza/ Nicarágua
“Nicarágua sandinista”. As duas palavras estão coladas uma à outra. Na década de 1980, a América Central atravessava um período de revoluções e contrarrevoluções. Em 1979, os rebeldes sandinistas tinham conseguido derrubar o ditador Anastasio Somoza, há muito conhecido na região como “homem dos Estados Unidos”. Imputava-se aos líderes norte-americanos a tirada: “Somoza é um filho da puta, mas é o nosso filho da puta” – frase que o presidente Franklin Delano Roosevelt teria pronunciado em 1939 a respeito de Somoza pai e que o secretário de Estado Henry Kissinger teria repetido para falar do filho, já que a dinastia Somoza reinou de 1936 a 1979.
A Guerra Fria era reproduzida na América Central. Um medo percorria o Ocidente: de acordo com a “teoria do dominó”, o comunismo ameaçava conquistar um país após o outro em suas “zonas de influência”. A solidariedade internacionalista convergia em peso para uma pequena nação que zombava do “império” em seu próprio quintal. De um lado, Golias, na pele do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, arquiteto de uma virada conservadora e liberal; do outro, Davi, encarnado pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).Na Europa, o Centro Tricontinental (Cetri), na Bélgica, é há muito tempo um dos principais locais de estudo da Revolução Sandinista. Ele chegou a receber, em 1989, a visita do presidente Daniel Ortega; seu fundador, François Houtart, foi diversas vezes condecorado pelo país. Uma obra monumental do ex-ministro da cultura sandinista, o padre, poeta e escultor Ernesto Cardenal, ainda reina diante dos gabinetes do centro em Louvain-la-Neuve: o Zanatillo, símbolo da emancipação do Terceiro Mundo.
Os Guardiões Cubanos de Nicolás Maduro tiveram falhas que quase aniquilavam a Revolução Chavista. O objectivo de Trump era derrubar o Regime bolivariano. Só conseguiram raptar Maduro mas o Regime ficou de pedra e cal embora abalado
Na Venezuela, essa prudência antiga assumiu a forma de sistema. O chavismo nasceu a proclamar soberania e povo; acabou a tratar a confiança como bem perecível, como moeda evaporada. A presença de cubanos no dispositivo de segurança de Maduro não foi pitoresca de bastidores, nem curiosidade para jornalistas. Foi resposta institucional a uma ansiedade central: a certeza de que o risco maior, no instante decisivo, não se encontrava na rua; encontrava-se no próprio aparelho.
A inflexão antecedeu o homem. Depois do susto de 2002, Hugo Chávez compreendeu a lição que a história repete com crueldade: um governo pode sobreviver a protestos, a sanções, a editoriais, ao escárnio; não pode sobreviver ao seu próprio sistema de armas quando esse sistema decide, por ambição ou por pânico, trocar o chefe. A partir daí, a “assessoria” deixou de ser visita e tornou-se residência; o conselho tornou-se comando; a cooperação tornou-se nervo.
Falou-se de números que oscilavam como fumo: milhares de agentes e assessores cubanos a operar em território venezuelano, entre segurança, informação e contra-informação. A aritmética, nestes domínios, é quase sempre parte do nevoeiro. Mas o essencial não depende da contagem; depende da função. E a função, ali, parecia inequívoca: garantir que o acesso ao chefe não fosse um corredor venezuelano, mas um labirinto sob vigilância estrangeira; garantir que a conspiração interna não encontrasse o ouvido certo; garantir que o golpe, quando se desenhasse, batesse num obstáculo que não pertencia à mesma família de ressentimentos.
O método era simples, e foi por isso que funcionou durante tanto tempo. Não se eliminou a guarda local, porque isso teria sido demasiado visível e, portanto, demasiado perigoso; integrou-se, infiltrou-se, supervisionou-se. A engrenagem venezuelana continuou a girar, mas com eixo importado. Houve venezuelanos no dispositivo, como era inevitável; porém, no último anel, naquele que tocava o corpo, decidia a aproximação, fechava o portão, abria a porta, tendia a mandar quem não partilhava os laços da praça nem os compromissos da caserna.
Foi aí que surgiu a diferença entre lealdade a um homem e lealdade a um sistema. Um guarda venezuelano, por mais disciplinado, respirava o mesmo ar social do país; tinha parentes, memórias, dívidas, medos, desejos, tentações. Podia ser persuadido, pressionado, comprado, desmoralizado. Um guarda estrangeiro, quando cuidadosamente escolhido e cuidadosamente isolado, não tinha futuro político ali; o seu futuro estava na instituição que o enviara. A sua fidelidade tornava-se, assim, menos sentimental e mais mecânica; menos patriótica e mais funcional.
E antigos responsáveis, ou pessoas que se moveram por dentro das engrenagens, terão indicado que o dispositivo cubano desfrutava de prerrogativas largas, muito além do que se associaria a uma escolta estrangeira. Não seriam apenas guarda-costas; exerceriam controlo efetivo sobre a segurança interna de Maduro, com vigilância sobre figuras venezuelanas, como se a lealdade fosse um músculo apalpado todos os dias. Teriam sido selecionados e destacados por estruturas do Ministério do Interior e da segurança do Estado cubanos, operando como corpo autocontido dentro do Estado venezuelano, com regras próprias, hierarquias próprias, silêncio próprio.
Nesse desenho, tocariam inteligência e contra-inteligência. Teriam ajudado a reestruturar órgãos, implantando-se em pontos sensíveis e, por essa via, acumulando um poder de veto que não se anunciava, mas se sentia: quem entrava, quem saía, quem se aproximava, quem ficava sob suspeita. Teriam monitorizado “quem espionava quem” no interior do regime, tarefa que, em teoria, pertenceria a serviços nacionais. E, no núcleo duro da proteção física, manteriam acesso privilegiado à pessoa e às residências do presidente, com margem de comando nos momentos em que a segurança deixou de ser protocolo e passou a ser combate.
As implicações políticas seriam claras e amargas. A proteção transformar-se-ia em alavanca. Quem guardava recolhia informação; quem recolhia informação passava a poder constranger; e o guardião, sem deixar de guardar, aproximava-se do carcereiro. A dependência, nessa forma, não era apenas técnica. Era psicológica. Era moral. E era, sobretudo, estratégica: o sistema fora desenhado para antecipar golpes militares, sufocar deserções de elite, impedir que a própria casa derrubasse o dono.
Foi nesse cenário que até o aluno menos brilhante de uma escola de inteligência reconheceria oportunidades como quem reconhece ferrugem num metal forçado. O poder estava centralizado, compacto, quase táctil. Estar perto do presidente significava estar perto do segredo, do dinheiro, do gesto que mudava destinos. E, quando o poder se condensou assim, produziu um subproduto inevitável: uma corte medida pela distância ao corpo do chefe; e uma legião de vaidades feridas quando essa distância aumentava por decisão alheia.
Os motivos, nesses ambientes, raramente são nobres. Houve dinheiro, sexo, festas, favores; houve medo; houve a fome de voltar a contar. Houve orgulho ferido. Houve ressentimento acumulado. E, no ponto exato em que o ressentimento encontrou uma oferta, nasceu o informador. Bastou uma quantia bem colocada e um pouco de reconhecimento, moeda mais intoxicante do que o dólar, para recrutar oficiais e dirigentes que se sentiriam preteridos, humilhados, diminuídos. O homem afastado do círculo íntimo transformou-se em arquivo ambulante; o que perdeu influência começou a vender mapas; o que já não entrava na sala principal compensou a exclusão com confidências.
E essas confidências, somadas, deram o essencial: rotinas, horários, deslocações, códigos, fissuras, lealdades compradas, lealdades fingidas. Ofereceram, sobretudo, aquilo que mais inflamou certos setores: a sensação de domínio estrangeiro, a ideia de que o coração do regime batia ao ritmo de operativos externos e de que a soberania, tão proclamada, se convertera em contrato silencioso.
Petróleo venezuelano: a gula americana está a encontrar entraves
A manobra em torno da Venezuela visa contrariar o declínio relativo em que os EUA se encontram. Em causa estão três eixos: o roubo de recursos energéticos para impulsionar a sua indústria; a tentativa de eliminar um polo de resistência anti-imperialista; limitar o crescimento da China. Nunca foi sobre democracia.
A Novembro de 2025, a Casa Branca divulgou a sua Estratégia de Segurança Nacional, um breve documento que, como o nome indica, explica qual a sua estratégia no plano internacional e as suas linhas de acção. Nesse documento pode ler-se que uma das prioridades da Administração Trump é: «Restaurar o domínio energético americano (em petróleo, gás, carvão e energia nuclear) e repatriar os componentes energéticos essenciais necessários é uma prioridade estratégica máxima».
Como se esse excerto não fosse claro o suficiente, o documento em causa considera que: «Energia barata e abundante irá gerar empregos bem remunerados nos Estados Unidos, reduzir custos para os consumidores e empresas americanas, impulsionar a reindustrialização e ajudar a manter a nossa vantagem em tecnologias de ponta, como a IA. Expandir as nossas exportações líquidas de energia também aprofundará as relações com os aliados, ao mesmo tempo que reduzirá a influência dos adversários, protegerá a nossa capacidade de defender as nossas costas e, quando e onde necessário, nos permitirá projectar poder».
Actualmente, sabendo da grave acção levada a cabo pelos EUA na Venezuela, ficam claras as intenções da Administração Trump. No fundo, a Estratégia de Segurança Nacional não passa de uma declaração de intenções e ninguém pode acusar Trump de não dizer ao que vem. Há, no entanto, vários problemas no petróleo venezuelano. É sabido que a Venezuela detém 17,5% da reserva comprovada de petróleo do mundo, porém verifica-se um sector em deterioração, em parte pela infraestrutura, mas principalmente graças ao impacto das sanções impostas pelos EUA após a sua nacionalização.
Com este elemento em cima da mesa, a questão da «energia barata e abundante» para «reduzir custos aos consumidores» é algo que não tem adesão à realidade. Trump afirmou que as empresas americanas irão consertar a infraestrutura petrolífera «gravemente danificada» da Venezuela e «começar a gerar lucro para o país», porém, segundo o que alguma imprensa dá conta, empresas como a Chevron, a ExxonMobil, e a ConocoPhillips não estão dispostas a avançar com o dinheiro necessário para modernizar o sector petrolífero em causa. Como tal, assim como manda o velho mantra liberal, caberá ao Estado (neste caso o norte-americano) a criar as condições para que o privado venha a arrecadar mais-valias.
Segundo a Bloomberg, a concretização do plano do presidente Donald Trump para uma revitalização liderada pelos EUA da debilitada indústria petrolífera da Venezuela poderá ser um processo complexo e demorado, com um custo superior a 100 mil milhões de dólares.
Se do ponto vista técnico, logístico e financeiro, o saque do petróleo venezuelano parece uma tarefa hercúlea, a tentativa de golpe de Estado que, até ver, não se efectivou, tinha também como objectivo afastar a China da esfera de influência. Grande parte do petróleo exportado pela Venezuela é vendido para a China e, segundo uma estimativa do American Enterprise Institute, os investidores chineses injetaram 2,1 mil milhões de dólares no sector petrolífero do país após 2016, estando entre as poucas empresas estrangeiras que ainda operam em solo venezuelano. De acordo com a Reuters, a China Concord Resources Corp., empresa privada, planeou, no ano passado, investir mais de mil milhões de dólares em dois campos de petróleo para produzir 60 000 barris por dia até o final de 2026.
Ou seja, com o ataque ilegal e o rapto de Nicolás Maduro, os EUA procuraram destabilizar as ligações que estavam a ser criadas entre a China e Venezuela, uma parceria que beneficiaria ambos os países: no plano venezuelano, haveria as condições para a modernização do seu sector petrolífero e, desta forma, as sanções americanas eram contornadas; no plano chinês haveria uma fonte de energia estável que beneficiaria o seu sector productivo. Esta pareceria coloca graves entraves às pretensões imperialistas norte-americanas.
Ao contrário de outras movimentações norte-americanas, a China desta vez foi pronta a responder às ilegalidades praticadas pelos EUA. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou hoje, numa conferência de imprensa, que o seu país mantém «comunicação e cooperação positivas» com o governo venezuelano e reiterou disposição em aprofundar a essa mesma cooperação, inclusive em relação às exportações de petróleo, frisando que o seu país não mudará independentemente de como a situação evoluir.
Lin Jian, expressou ainda a «grave preocupação» de Pequim com o sequestro do presidente e da primeira-dama da Venezuela e exigiu a sua «libertação imediata». Lin afirmou que as ações de Washington «violam claramente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais», além de contrariarem «os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas».
Analisando a actual situação, é prematuro fazer futurologia. O que se sabe é que a desestabilização da Venezuela está a ter mais entraves do que Trump faz parecer no alto da sua soberba. A população venezuelana parece não estar a acompanhar a intentona americana e isso dificultou a tentativa de derrube do Governo. Esta razão explica as reticências de Trump em conduzir Corina Machado ou Edmundo González ao poder, dizendo que a Nobel da Paz não reúne as condições necessárias para se tornar presidente.
Se numa primeira fase, os EUA tiveram ao seu dispor os lacaios europeus para timidamente apoiar a acção norte-americana, a verdade é que esta segunda-feira as declarações públicas dos principais líderes ocidentais são um elemento marcante. Veja-se o caso do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que disse esta segunda-feira que cabe aos Estados Unidos justificar suas ações na Venezuela após terem capturado o presidente Nicolás Maduro, descrevendo a situação como «não simples».
Nesta difícil teia, os olhos estão sob Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela. Procurando não escalar o antagonismo, Delcy Rodríguez abriu espaço à negociação com uma apelo: «Presidente Donald Trump: os nossos povos e a nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro e é a de toda a Venezuela neste momento», disse a presidente interina.
Com um tom conciliatório, Rodríguez considerou «prioritário avançar para uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não ingerência. Estes princípios orientam a nossa diplomacia com o resto dos países do mundo».
De acordo com a New Yorker, «a Sra. Rodríguez é vista como relativamente competente em termos de gestão económica, razão pela qual o governo Trump não se opôs à sua ascensão à presidência». É na mesma linha que o New York Times descreve o apreço da Administração Trump por Delcy Rodríguez: «A Sra. Rodríguez conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e aumentar, lenta mas firmemente, a produção de petróleo do país em meio ao endurecimento das sanções americanas, um feito que lhe rendeu até mesmo o respeito, ainda que relutante, de alguns funcionários americanos».
Não se sabendo o desfecho do que está a acontecer, sabemos já que: o Governo venezuelano não foi derrubado, apesar das proclamações de Trump; a democracia nunca foi uma preocupação americana; a China recusa perder a sua posição; o povo venezuelano resiste; e, apesar da sua atitude digna de gangster, a acção de Trump está longe de reunir a unanimidade que talvez acharia que teria. (ABRIL)
Dinamarca avisa que ataque dos EUA a país da NATO seria "o fim de tudo"
Dinamarca avisa que ataque dos EUA a país da NATO seria "o fim de tudo"
A primeira-ministra dinamarquesa alertou, segunda-feira, que um ataque norte-americano a um país da NATO seria "o fim de tudo", comentando a reafirmação do presidente dos EUA, Donald Trump, da intenção de anexar a Gronelândia.O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, reagiu no domingo com um "já chega!", reiterando que o território (tutelado pela Dinamarca) não está à venda e pretende decidir o seu próprio futuro.
Questionado pela revista The Atlantic sobre as implicações para a Gronelândia do ataque militar norte-americano à Venezuela de sábado passado, Trump afirmou que caberia aos aliados avaliar a situação, reiterando depois que os Estados Unidos "precisam da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional".(JN)



