Karl Marx caracterizava os bancos como “o produto mais artificial e refinado” do capitalismo.
O Objetivo dos Banqueiros ao Endividar as Pessoas
- O trabalhador já é explorado no local de trabalho (onde recebe apenas uma parte do valor que produz).
- Ao pagar juros ao banco, o trabalhador entrega uma parte do seu salário líquido (o valor necessário para a sua subsistência). Marx chamava a isto formas secundárias de exploração.
- Onde ocorre: Fora do local de trabalho (no mercado, com bancos, senhorios e comerciantes).
- O mecanismo: Quando o trabalhador precisa de aceder a bens essenciais que não consegue pagar a pronto — como a habitação —, é obrigado a recorrer ao capital financeiro (os bancos).
- O resultado: Ao pagar juros, o trabalhador devolve uma parte do seu salário líquido (que já era o mínimo para subsistir) a outra fação da classe burguesa (o capital financeiro).
Karl Marx cita James William Gilbart, em seu livro História e princípios dos bancos: “O objetivo dos bancos é facilitar os negócios, e tudo que facilita os negócios facilita também a especulação. Negócios e especulação estão, em muitos casos, tão intimamente unidos que é impossível dizer onde de fato acabam os negócios e onde começa a especulação […]”. Assim, eram feitos adiantamentos fáceis sobre mercadorias não vendidas, crédito para a febre acionária em ferrovias em 1846 e 1847 etc.
Mais-valor (Mehrwert) é o termo com que o pensador alemão Karl Marx (1818-1883) designa a quantidade de trabalho humano não remunerada. Transformada em mercadoria, a força de trabalho é comprada pelo empregador por um valor – o salário – suficiente apenas para a manutenção e reprodução do empregado. Esse valor equivale a uma parte – por exemplo, quatro horas – de uma jornada de trabalho de oito horas ou mais. A outra parte constitui o trabalho excedente, além do necessário para a subsistência do trabalhador, que fica com o empregador e resulta em lucro. Já alienação (Entfremdung) – outro conceito concebido pelo pensador alemão – se refere ao fato de que, destituído da propriedade dos meios de produção, o trabalhador não se reconhece mais no produto do seu trabalho, a que terá acesso somente através do mercado, ao comprar aquilo que ele mesmo produziu. Nela, “a própria ação do homem se torna um poder que lhe é estranho, um poder que subjuga o homem em vez de por este ser dominado”, como Marx escreve em A Ideologia Alemã.1. O Crédito como Nova Forma de Subordinação
- Antes do crédito: O trabalhador dependia do patrão para receber o salário e sobreviver mês a mês.
- Com o crédito: O trabalhador passa a depender também do banqueiro (o capitalista financeiro). Ele já não vende a sua força de trabalho apenas para pagar a comida de hoje, mas para pagar o dinheiro que já gastou ontem.
- Risco da Greve: Fazer uma greve, protestar ou exigir melhores condições laborais acarreta o risco de demissão ou de redução de salário.
- A Prestação do Banco: Se um trabalhador solteiro e sem dívidas for despedido, ele enfrenta dificuldades, mas tem maior flexibilidade para resistir ou mudar de rumo. Se um trabalhador tiver a prestação da casa, do carro e das despesas básicas indexadas ao banco, o despedimento significa a falência pessoal e a perda de bens.
- Consequência: A necessidade absoluta de honrar a dívida mensal abafa o ímpeto revolucionário e a disposição para o conflito laboral. O medo do desemprego é amplificado pelo fantasma da dívida.









