terça-feira, 6 de outubro de 2026

Francisco Teixeira da Mota desmistifica o caso Manuel Maria Carrilho que acusou António Barreto de difamação

O caso Manuel Maria Carrilho: o pavão de província



António Barreto
 O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu arquivar o processo movido pelo ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho ao colunista António Barreto, confirmando uma anterior decisão do tribunal de primeira instância. Os desembargadores declaram "improcedente o recurso" de Carrilho, apresentado na sequência de uma primeira decisão do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa.O processo foi motivado por uma crónica de António Barreto editada no PÚBLICO em Novembro de 1999. No texto, intitulado "Um homem sem qualidades", o colunista considerava Carrilho "um ministro rasca de um governo débil" e utilizava adjectivos como "suburbano", "pavão", "grosso" e "sonso" para caracterizar a actuação do então governante socialista no âmbito da iniciativa Porto 2001."Não vemos", escreveram os desembargadores no acórdão datado de 13 de Novembro passado, "que o arguido tenha cometido qualquer ilícito de natureza penal". "A sua intenção não foi ofender a pessoa, antes e apenas polemizar com o político, sendo certo, aliás, que visou, em última análise, o primeiro-ministro. Agiu pois no âmbito da sua liberdade de expressão e de crítica."Esta posição confirma o entendimento manifestado pelo TIC, que, em Fevereiro de 2001, considerou que o texto se encontrava protegido pela liberdade de expressão, uma vez que as críticas eram dirigidas a uma figura política, no âmbito da sua actuação pública. Agora essa posição é confirmada pelos desembargadores António Rodrigues Simão, Carlos Santos de Sousa e Mário Miranda Jones.O Tribunal da Relação qualifica as crónicas de António Barreto como um registo de "comentário crítico, vivo e desassombrado" e compara-as - com os mesmos exactos adjectivos - aos textos que, um vez saído do Governo, Manuel Maria Carrilho passou a assinar no "Expresso" e no "Diário de Notícias". "Ficaram célebres as suas colunas das terças-feiras naquele primeiro jornal, onde desenvolveu críticas directas e aceradas ao então primeiro-ministro de Portugal, cujo ministério havia integrado, até muito pouco tempo antes."Guterres era o alvo principalOs desembargadores concordam que as críticas de Barreto foram recebidas "com desgosto pelo destinatário", mas entendem que o texto em causa não visou exclusivamente Carrilho. "Na verdade, como resulta do respectivo 'lead' e do próprio artigo, a principal figura visada será até o primeiro-ministro de então, o eng. António Guterres", entende o Tribunal, considerando que a referência ao ex-ministro da Cultura "visa inequivocamente a sua acção política" de que Barreto era extremamente crítico.Sobre as referências feitas na crónica a características da personalidade de Carrilho, prevaleceu o entendimento de que elas não foram feitas "de forma gratuita nem absolutamente imotivada", mas se manifestaram na sua "acção política". O texto é, no entender da Relação, "muito mais rico que o que quer fazer [crer] a acusação pública, por duas razões: ele contém sentidos múltiplos que não se esgotam na simples visão de um ataque pessoal indevido e comporta um sentido de intervenção política e de crítica".O Tribunal considera também que António Barreto, que há muito abandonou a política activa no PS, se quer assumir perante a opinião pública "como um verdadeiro 'senador' da República". "Ora um 'senador' da República, em abstracto e por natureza, sem gozar de impunidade - até porque, sendo humano, não está isento de excessos - granjeou já uma acrescida liberdade de opinião, decorrente da própria autoridade que lhe é atribuível e que, subjectivamente, ele entende ser-lhe inequivocamente devida." O conjunto da argumentação leva a Relação a concluir que não houve "qualquer ilícito de natureza penal", "antes e apenas [a intenção de] polemizar com o político".Os autores do acórdão manifestam ainda as suas dúvidas sobre se os tribunais criminais serão a instância mais adequada para a discussão deste tipo de questões. "Recusamos a visão dos tribunais como a última instância censória da informação e apenas defendemos a sua intervenção, sempre muito cuidadosa, naqueles casos de gratuita, evidente e inequívoca ofensa ao bom nome alheio."

O jornalista Miguel Carvalho vai a S. Vicente apresentar seu livro

 Professor Gouveia grande lutador contra o jardinismo esteve presente



A contradição dos pobres de direita

 



segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Jorge Jesus geriu muito mal o caso com Cristiano Roaldo. Terá de sair do Comando da Seleção

 

Texto e foto do Magazine do JN
Jornal "A Bola"

É uma polícia do 24 de Abril com que sonha o subcomissário Adelino Camacho na sua extensa entrevista ao Diário de Noticias do Funchal

 O Adelino Camacho defende os ideais do 25 de Abril na sua extensa entrevista no Diário do SOUSA? Vejam as declarações do pardalão!

 As comemorações do 5 de Outubro em 1960...

Eduardo Gageiro, o extraordinário fotógrafo, captou esta imagem no tempo em que comemorar o 5 de Outubro significava poder ser preso e, no mínimo, levar umas coronhadas. Era o regime no seu melhor.

E isto mesmo que a Extrema Direita quer para Portugal acabar com a Liberdade e a Democracia e plantarem a Ditadura.
 São estas tristes figuras que o Chega e seu lacaios querem que volte para Portugal. Democracia sempre! Ditadura nunca mais!


Paulo Morais faz luz sobre uma parte da história do fim da Monarquia que quase ninguém conhece

 


domingo, 4 de outubro de 2026

José Manuel Barroso o madeirense que junto com Vicente Jorge Silva ressuscitaram o Comércio do Funchal nos últimos anos do Estado Novo

 

 «O Vicente e eu fizemos o Comércio do Funchal. Multiplicámos jornalistas com os nossos pseudónimos. O Vicente era uma força da natureza! Explosivo, temperamental e criativo. Um trabalhador nato. É um nome muito grande do jornalismo no pós 25 de Abril.
Com o CF refizemos, antes do 25 Abril, as forças democráticas na Madeira. Ele foi um dos impulsionadores da candidatura de oposição, nas eleições de 1969, da qual fui candidato.
E mais não digo.»
Morreu(me) o Vicente Jorge Silva
1.
Um dia, numa madrugada nascida em sua casa, acabámos a noite a falar da vida. E ele disse-me uma coisa que nunca mais esqueci: “Sabes, Luís… já tive os meus divórcios de mulheres, de projetos, de amigos. E sei que se não cuidarmos de amar (em todas as suas formas), se não tentarmos ter com a vida uma relação de avassaladora paixão, de curiosidade, de vontade de ser mais, haverá sempre alguém capaz de amar melhor as coisas que achamos nos pertencem por direito”.
2.
O Vicente Jorge Silva morreu fez agora seis anos.
E não foi apenas um jornalista.
Ou um grande jornalista.
Ele era o jornalista.
A sua criatividade distinguiu-o num tempo de cinzentismo.
A sua coragem provocou muitos incómodos e garantiu-lhe muitos inimigos.
A sua megalomania levou-o a conseguir ir mais longe do que todos os jornalistas da sua geração.
A sua heterodoxia permitiu-lhe ser o que em cada momento lhe apeteceu ser – no jornalismo, como realizador de documentários ou filmes, como crítico de cinema, como político.
3.
Vicente foi único.
No Comércio do Funchal enfrentou na juventude os anos finais do Estado Novo.
No Expresso inventou a revista que revolucionou no jornalismo português a maneira de contar histórias.
No Público fundou um jornal diário que durante toda sua direção foi o projeto que mais se aproximou em qualidade e ambição aos grandes jornais internacionais.
4.
Como madeirense afrontou sempre que pôde o poder de Alberto João Jardim.
Como deputado, o que dizer? O Vicente era tudo demasiado. Demasiadamente livre, demasiadamente malcomportado, demasiadamente surdo para ouvir as verdades que chocavam com as suas.
5.
Vicente morreu-me numa madrugada de setembro de 2020..
E alguns jornais não lhe deram a primeira página.
A maioria dos jornais publicados naquele dia decidiram nem sequer lhe dar chamada de capa.
Mesmo o Público não ofereceu ao seu criador o que verdadeiramente se impunha e que (aliás) é prática no jornal quando editorialmente se impõe: dedicar a Vicente a totalidade da sua primeira página.
Teria sido justo.
Teria sido bonito.
Mas não.
O jornalismo realmente já não me interessa muito.
E eu também já não interesso muito ao jornalismo que existe hoje.
Não tem mal, não é uma crítica ou um lamento. É apenas o que é.
6.
Vicente Jorge Silva foi um dos poucos génios que conheci.
Falava alto.
Dizia coisas desagradáveis, coisas que muitos não gostavam de ouvir.
Mas era terno. Um amigo. E um espírito livre e absolutamente radical na sua capacidade de inventar flores onde a maioria apenas via pedras.
Até já meu querido Vicente [Por LUÍS OSÓRIO]