terça-feira, 31 de março de 2026
Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares criaram um enigma que a PIDE nunca descobriu
Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares criaram um enigma que a PIDE nunca descobriu
Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares criaram um enigma que a PIDE nunca descobriu
Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares criaram um código que a PIDE nunca descobriu, na correspondência que trocaram durante as detenções do advogado, por oposição ao Estado Novo, contou à Lusa o filho Miguel Sousa Tavares.
Além de acompanhar a mãe nas visitas à prisão de Caxias, Miguel Sousa Tavares tinha a missão de a ajudar na redação das cartas e na "tradução" das mensagens enviadas pelo pai.
"Eles comunicavam e tinham segredos políticos a partilhar e a transmitir à volta do círculo de resistência contra o Estado Novo de que faziam parte. Tinham inventado um código genial", recordou o filho.
Em tempos de perseguição política, Miguel Sousa Tavares jurou à mãe que nunca divulgaria o enigma, contido nas cartas.
"Era preciso que a redação das cartas contivesse lá dentro a chave do código e o meu pai, que estava preso, não tinha nada para fazer, nem sequer o deixavam ler - o único livro que lhe permitiram ter foi a Bíblia -, tinha todo o tempo do mundo para escrever aquelas cartas, a minha mãe é que não tinha. Tinha outras coisas para fazer, coitada, estava sozinha em casa e tinha cinco filhos", lembrou Miguel Sousa Tavares.
PIDE não podia desconfiar do código "escondido"
A mãe pedia-lhe ajuda para "traduzir" as cartas do pai e extrair o código que permitiria encontrar a mensagem escondida na correspondência conjugal, respondendo depois da mesma forma.
"Não era nada fácil, em termos de criatividade escrita, de modo a que a PIDE não desconfiasse que lá dentro havia uma chave", revelou Miguel Sousa Tavares, em entrevista à agência Lusa, no âmbito dos 50 anos da aprovação da Constituição da República, que se cumprem na quinta-feira.
Além de um dos maiores nomes da poesia portuguesa, com honras de Panteão Nacional, Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 - 2004) foi deputada constituinte (1975-1976) e integrou, com o marido, a resistência antifascista antes da revolução de 25 de Abril de 1974.
"Guardei sempre para mim isto - Nunca hei de contar a ninguém qual era aquele enigma particular. Já não sei qual dos dois é que o inventou, mas foi simplesmente brilhante", referiu.
"Era preciso que alguém soubesse ler a coisa e dos cinco filhos, eu não era o mais velho, mas a minha mãe escolheu-me para ser o único que estava dentro do segredo. As minhas irmãs ficavam muito admiradas, porque me viam com a minha mãe, sentados a uma mesa, e durante horas - ninguém podia entrar - a escrever ou a ler as cartas do meu pai", descreveu o jornalista, ao recuar ao período antes do 25 de Abril, durante o qual o pai esteve preso e a mãe foi interrogada pela polícia política.
A última detenção de Francisco Sousa Tavares está associada à divulgação do caso "Ballet Rose", um escândalo de pedofilia, envolvendo altas figuras do Estado que acabou noticiado na imprensa estrangeira, no final de 1967, conforme pode constatar-se no Museu do Aljube (Lisboa).
Juntamente com o jurista, foram presos o escritor Urbano Tavares Rodrigues e o histórico líder socialista Mário Soares.
"A PIDE convenceu-se de que o meu pai tinha sido um dos divulgadores. Não foi. Nem ele, nem o Mário Soares", garantiu Miguel Sousa Tavares, que viu o pai ser libertado em 1968.
Mário Soares foi deportado para São Tomé. "Discutia-se muito lá em casa se o meu pai também corria o risco de ser deportado e se devia antecipar-se e pedir asilo político numa embaixada em Lisboa. O consenso e a vontade dele acabou por ser "Não" e ficar em casa a ver o que acontecia. Felizmente, nesse caso, não lhe aconteceu nada!", desabafou.
A imagem de Francisco Sousa Tavares no dia 25 de Abril de 1974, quando de megafone em punho subiu a uma guarita no Largo do Carmo para incentivar a população a organizar-se, em pleno golpe militar, tornou-se uma das fotografias icónicas da revolução, registadas pelos repórteres fotográficos que cobriram os acontecimentos, em Lisboa.
Versos escritos por Sophia de Mello Breyner, durante a ditadura, como "vemos, ouvimos e lemos/ não podemos ignorar" (Cantata da Paz) ou posteriormente, "esta é a madrugada que eu esperava / o dia inicial inteiro e limpo" (sobre o 25 de abril) continuam a sair à rua em cartazes improvisados, em diversas manifestações de cariz social e político, incluindo o desfile que todos os anos assinala o aniversário da revolução, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.
A cultura, dizia a poeta numa das intervenções na Assembleia Constituinte, "não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar".
https://sapo.pt/artigo/sophia-de-mello-breyner-e-francisco-sousa-tavares-criaram-um-enigma-que-a-pide-nunca-descobriu-69cb750a37985312304f3597
Francisco de Sousa Tavares
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segunda-feira, 30 de março de 2026
“PARA ELES, EU ERA UM NADA"
O israelita de 28 anos conta como manteve viva a esperança e conseguiu aguentar os horrores nos túneis de Gaza
CONVERSA ELIYA COHENComo era a rotina nos labirintos do Hamas?
Quase não dormia. Era sempre acordado por gritos e holofotes instalados 50 metros abaixo da terra. Só vi o sol uma única vez, quando me levaram de um túnel para outro, disfarçado com um hijab. Ficava acorrentado pelos pés, à base de um pedaço de pão pita por dia. Perdi a conta dos espancamentos. Em dado momento, fiquei sem forças até para andar.
Mas você se obriga a seguir adiante. Achou que fosse morrer?
Uma vez, apareceram com um rifle e deram a ordem: “Diga suas últimas palavras”. Obedeci, tendo certeza de que seria executado. Mas eles apenas riram. Quando vinham falar comigo, não sabia se era para dar comida, me insultar, me bater ou me matar. Para eles, eu era um nada.
Qual estratégia adotou para suportar o cativeiro?
Você ajusta o cérebro. Um pedaço maior de pão, duas horas de cochilo sem ser acordado pelos terroristas — essas pequenas coisas traziam alívio. Meu pensamento estava sempre na família. Toda vez que perdia a esperança, me apegava à ideia, mesmo remota, de revê-la. Também escrevia cartas mentais a Ziv, minha noiva, que estava comigo naquele 7 de outubro e não foi capturada por ter se passado por morta em meio a uma pilha de corpos. Pedia a ela: “Me mande forças. Vou sair daqui”.
Dentro dos túneis, o que sabia sobre o mundo lá fora?
Enquanto estive preso, não recebi nenhuma informação. Jamais imaginei, por exemplo, que o movimento para a libertação dos reféns fosse tão grande e que tantas pessoas planeta afora soubessem da minha história. A maior alegria ao sair daquele inferno foi descobrir que Ziv estava viva e nunca desistiu de mim.
Acha que o governo israelense poderia ter lidado melhor com a situação?
Difícil dizer. É muito importante tirar o Hamas de Gaza. Ao mesmo tempo, perdi companheiros que estavam comigo nos túneis e que tanto me ajudaram a manter a humanidade. Meses após ser solto, ainda sentia culpa pelos que haviam ficado para trás. Me recusei a fazer uma cirurgia para retirar estilhaços de bala alojados em minha perna até que todos fossem resgatados. Com a trégua de outubro passado, pude voltar a respirar.
O quanto essas memórias ainda o assombram?
Tenho gatilhos com as coisas mais banais. Quando levo um garfo de comida à boca, por exemplo, lembro da fome, das provocações dos terroristas. Faço acompanhamento psicológico e tento encarar meus traumas. Sobreviver foi uma vitória.
Por que decidiu usar o termo mufawadat, que significa negociação em árabe, como título de seu livro?
O livro fala tanto dos meses de tratativas que levaram à minha libertação como da barganha diária por alimento, água, luz, banho e uso do banheiro. Mais difícil foi negociar com Deus, a quem pedia algum sinal que me guiasse, e comigo mesmo. Me questionava o tempo todo se deveria lutar pela vida. Que bom que não desisti dela. (Revista VEJA)
O FASCISTA Alberto e o Padre das esmolinhas no lançamento do livro do advogado "sacristão"
O bispo Nuno Brás também está presente. A beatice é um dos grandes sustentáculos deste regime de mamões. Todos eles com reformas douradas.
Tudo gentinha da direita e inimiga das conquistas do 25de Abril.Dois apoiantes fervorosos do regime autonómico ao serviço dos mamões.Dr."Vespeira" e Sara Madalena a deputadinha do CDS.
Este é o primeiro livro de Ricardo Vieira e aborda as causas naturais e históricas que estão na origem do regime autonómico da Madeira, que foi consagrado na Constituição da República Portuguesa aprovada há precisamente 50 anos. A escolha desta data para o lançamento da obra teve a ver com o facto de coincidir com o dia em que o engenheiro Rui Vieira, pai do autor, completaria 100 anos de vida.
O cervejeiro do Golfe aqui todo manhoso O fascista Alberto está cada vez mais caquético, mas sempre reacionário.O discurso final do Advogado "sacristão" agradecendo às entidades do regime que foram à apresentação do seu livro sobre a Autonomia dos mamões.




