domingo, 10 de maio de 2026

«Esta é uma reflexão para o padre das esmolinhas»

 “Pois, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?”, Mateus 16 - 26. Esta é uma reflexão para o padre das esmolinhas cuja alma já está condenada ao fogo eterno, pela horrível traição a D. Teodoro Faria, e que neste plano terreno é desprezado pelos seus próprios comparsas e subordinados, pois todos sabem que ele não tem um pingo de integridade.

O pardalão traiu o bispo D. Teodoro mas a sua alma terá como destino o fogo eterno!
O pardalão também andou de Bentley em Londres com o nosso dinheiro.

Margarida Davim grande mulher de Abril

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Um brinde à Constituição que nos abriu as portas à Saúde pública, à Educação como direito, aos diretos no Trabalho, à igualdade entre homens e mulheres, à luta contra a discriminação.
Nada nos foi dado. Tudo foi conquistado. Voltar atrás não é opção.

Menina Marta Caires e as suas baboseiradas de cará-cá-cá outra vez

 

Gel no cabelo e dinheiro para o cinema.
 O Laranjal não era o lugar onde as mulheres mais seguiam a moda e menos ainda entre as minhas tias e a minha mãe, senhoras de meia idade, educadas de forma austera e de acordo com o que dizia o padre. A avó Alexandrina, de quem tenho apenas uma memória vaga, não aprovava roupas em que se visse os joelhos, os cotovelos ou decotes com mais de cinco dedos a contar do pescoço. Quando morreu, em 1973 e em plena época das mini-saias, até a minha mãe usava saias acima dos joelhos e as minhas tias iam fazer uma permanente ao cabeleireiro de três em três meses.

A vida estava a mudar para as mulheres no direito a pintar as unhas e usar calças compridas, não havia como fugir disso mesmo cá por cima e em casa da avó Alexandrina, sempre tão severa e disposta a cumprir o que ouvia na missa. E as minhas tias - as três com quem cresci - não falhavam a permanente. Fosse no cabeleireiro ou, em tempos de maior aperto e para ser mais barato, em casa das cabeleireiras, num salão improvisado, com espelho e revistas antigas para passar o tempo.

Quando entrei na adolescência e quis me libertar do cabelo comprido com bandolete foi num desses salões da vizinhança que fiz o meu primeiro corte escadeado, tal e qual como tinha visto numa revista que a minha tia Conceição trouxe do hotel Girassol. O dia em que cheguei à escola com o cabelo diferente foi o primeiro em que deram por mim, a gordinha desajeitada, que chegava de autocarro e fazia o caminho dos Ilhéus à Avenida do Mar para ter lugar no horário da uma e meia.

Nessa tarde cheguei a casa feliz e essa alegria durou muito mais do que aquele instante junto ao campo de futebol numa manhã sem história para as miúdas encostadas ao muro e para os rapazes a jogar à bola. E sem relevância para as pessoas na paragem ou para a minha mãe que, nesse dia como nos outros todos, passou a tarde a bordar. E mesmo assim esse dia dos meus 13 anos foi dos melhores daquela adolescência onde quase tudo jogava contra a Lina Marta, filha do mestre Gabriel e da dona Celina, senhores de meia idade e sem qualquer interesse em modas.

A minha mãe era doméstica e o meu pai pedreiro e era isso que eu escrevia na ficha da escola, o que me colocava no fim da escala social, num vazio do qual ninguém esperava feitos ou sucessos académicos. A única aposta era a deles, aquelas duas pessoas demasiado empenhadas em construir uma casa para perder dinheiro em roupas, num gira-discos, em óculos de sol ou jantares fora. Também não percebiam o motivo de pagar mais por um par de sapatos ou uma t-shirt quando havia mais barato e melhor.

Os dois vinham de um tempo em que o mais importante era sobreviver, poupar e atravessar esta vida sem excessos, onde até a vaidade das mulheres era vigiada pelas mães, pelos padres e depois pelos maridos. A minha mãe arranjava o cabelo antes de sair de casa, tinha dois fatos de saia e casaco, duas blusas de laço e uns sapatos de salto para ir ao médico. A única extravagância era o Tokalon, para disfarçar idade e só dias em que se sentia pior e mais cansada, mas o mundo estava a mudar e mais depressa do que na década anterior, quando até ela subiu a bainha da saia e enfrentou a avó Alexandrina.

Eu já não era dessa geração de sacrificados: queria roupas da moda, gel no cabelo, dinheiro para o cinema, para livros e um gira-discos para ouvir música. E lutei por isso nos anos seguintes, só falhei o gira-discos. A minha mãe disse que não valia pagar o que se podia ter de graça, todos os dias, na rádio.



A igreja católica foi um grande suporte da duração do regime fascista em Portugal

 A Igreja foi o grande suporte do regime fascista

 Fotografia da assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa Sé, realizada no Palácio das Necessidades, em Lisboa, a 7 de maio de 1940.
Assinala-se hoje, dia 7 de maio, mais um aniversário da assinatura da Concordata celebrada em 1940 entre Portugal e a Santa Sé, durante o pontificado de Pio XII e o governo de António de Oliveira Salazar. Este acordo representou um momento histórico de reconciliação institucional entre o Estado Português e a Igreja Católica, após décadas de profundas tensões que se seguiram à implantação da República em 1910.

Paulo Martins foi a voz da Oposição na ilha da Madeira

 

Paulo Martins: a voz da oposição enraizada na Autonomia

Paulo Martins foi uma das vozes mais persistentes e enraizadas da Autonomia madeirense. Não pertenceu ao grupo dos protagonistas do poder, nem procurou esse lugar. A sua marca fez-se a partir da oposição, do trabalho político continuado e de uma ligação directa às populações que atravessou décadas.

aulo Martins foi uma das vozes mais persistentes e enraizadas da Autonomia madeirense. Não pertenceu ao grupo dos protagonistas do poder, nem procurou esse lugar. A sua marca fez-se a partir da oposição, do trabalho político continuado e de uma ligação directa às populações que atravessou décadas.

RESERVADO PARA SI

Nascido em 1953, iniciou muito cedo a sua intervenção política num contexto ainda marcado pela ditadura. Enquanto estudante de Medicina em Lisboa, envolveu-se no movimento estudantil e nas acções contra o regime, num ambiente de forte contestação e repressão. A morte do estudante Ribeiro dos Santos pela PIDE foi um dos momentos que o marcaram profundamente. Perante a ameaça de expulsão, decide abandonar o curso e regressar à Madeira, trazendo consigo uma consciência política já formada e um posicionamento claramente antifascista.

Esse regresso coincide com os últimos anos do regime e com o início de um período de mobilização que explodiria após o 25 de Abril de 1974. Na Madeira, Paulo Martins integra-se rapidamente nos sectores mais activos da transformação social. Participa na criação da União do Povo da Madeira, uma das primeiras organizações a reivindicar a Autonomia, e assume um papel central nas lutas populares que então emergem.

Segundo Assunção Bacanhim, a sua intervenção constrói-se desde o início a partir do terreno. Está presente nas reivindicações dos trabalhadores, na luta pela democratização dos sindicatos, na contestação ao regime da colonia e na defesa de melhores condições de vida para as populações. Não é apenas um dirigente político. É alguém que organiza, mobiliza, escuta e acompanha. Essa proximidade tornar-se-ia uma das suas principais características ao longo de toda a vida.

Em 1976, com apenas 22 anos, é eleito deputado à Assembleia Regional. Entra num parlamento ainda em formação, num tempo em que a Autonomia começava a ganhar forma institucional. A partir daí, constrói um percurso singular de continuidade política, sendo sucessivamente eleito ao longo de várias legislaturas e tornando-se um dos deputados mais experientes e duradouros da história regional.

No plano parlamentar, ganha reputação como um dos intervenientes mais preparados e combativos. A imagem pública é a de um deputado duro, frontal, exigente no confronto político. Segundo Roberto Almada, essa imagem correspondia à sua presença em plenário, marcada por uma linguagem directa e por uma capacidade invulgar de estruturar o debate político.

Mas, ainda segundo o mesmo testemunho, essa era apenas uma parte do seu perfil. Nos bastidores, revelava-se também um construtor paciente, capaz de dialogar, negociar e contribuir para soluções institucionais duradouras. Participou activamente na construção de instrumentos fundamentais da Autonomia, desde os primeiros regimentos parlamentares ao Estatuto Político-Administrativo, num trabalho menos visível, mas decisivo para a consolidação do sistema.

Ao mesmo tempo, manteve sempre a ligação às causas sociais que marcaram o início do seu percurso. Destacou-se na defesa dos direitos dos trabalhadores, na valorização das bordadeiras, na luta pelo fim da colonia e na promoção de direitos sociais num contexto de profunda transformação da sociedade madeirense.

Ideologicamente, afirmou-se como homem de esquerda, ligado à UDP e mais tarde ao Bloco de Esquerda, mas com uma forte autonomia de pensamento. Defendia uma Autonomia integrada em Portugal, recusando tanto o centralismo como as derivas separatistas. Essa posição levou-o, por vezes, a assumir divergências face à sua própria área política, reforçando uma imagem de coerência e independência.

Outro traço distintivo era a forma como encarava a política. Segundo Roberto Almada, Paulo Martins distinguia claramente entre adversários e inimigos, mantendo relações de respeito mesmo em contextos de confronto político intenso. Essa postura permitiu-lhe ser simultaneamente uma figura combativa e um interlocutor credível.

No plano pessoal, a sua vida esteve também ligada à intervenção cívica e política através da relação com Guida Vieira, sua companheira de décadas e também uma das figuras marcantes da luta sindical e política na Região, com quem partilhou um percurso comum de intervenção e compromisso público.

No início dos anos 2000, já como o deputado mais antigo em funções, decide suspender o mandato para permitir a entrada de uma nova geração. O gesto tem um valor simbólico claro. Mostra uma preocupação com a renovação política e com a continuidade do trabalho que ajudou a construir.

Mesmo afastado do parlamento, manteve-se activo na vida política e cívica, participando em iniciativas, debates e projectos de convergência à esquerda. Continuou a acompanhar a evolução da Região com sentido crítico e ligação às causas sociais que sempre o definiram.

Foi distinguido em 2004 com a Ordem da Liberdade, reconhecimento do seu percurso cívico e político. Morreu a 3 de Outubro de 2014, aos 61 anos, deixando uma marca que ultrapassa os cargos que ocupou.

Paulo Martins representa uma dimensão essencial da Autonomia que nem sempre é a mais visível. A da oposição persistente, da mobilização social e da construção paciente. Num processo muitas vezes marcado pelo poder e pelo confronto institucional, o seu percurso mostra que a Autonomia também se fez a partir de quem esteve fora do governo, mas nunca fora da vida concreta das pessoas.


https://www.dnoticias.pt/2026/5/10/490843-paulo-martins-a-voz-da-oposicao-enraizada-na-autonomia/


Élvio Passos jornalista escreveu a peça

sábado, 9 de maio de 2026

Morreu Carlos Brito um camarada que "rachou" e foi afastado do PCP

 

Recorte do DN/Lisboa


Um texto bem explícito do Camarada Celso Dengucho sobre o falecido Carlos Brito, e o aproveitamento que alguns anticomunistas empedernidos estão a fazer contra o PCP. Servem-se do falecido para continuar a demonizar o PCP ! Deixaram de ter vergonha na cara !
A propósito da morte de Carlos Brito, um "alto" ex-dirigente comunista do PCP, tenho visto aqui os maiores elogios e as mais sentidas condolências à família por parte de políticos e outra pessoas de quadrantes políticos, quase todos, hostis ao PCP! Elogiam, e bem, o passado de luta contra a ditadura fascista de Salazar e Caetano e os anos em que esteve, como deputado e até líder parlamentar do PCP, na Assembleia da República! Eu próprio também lhe presto a minha homenagem por esse seu passado de luta...
Porém interrogo-me, embora saiba a resposta, se esses políticos, se essas pessoas, teceriam as mesmas loas ao passado de luta e resistência antifascista e da forma como exerceu as funções de deputado na Assembleia da República, se Carlos Brito se tivesse mantido firme, como militante do PCP...
Pois muitos têm sido os militantes comunistas do PCP, com percursos de vida e de luta idênticos ao de Carlos Brito, que têm falecido, mas que não mereceram dessas pessoas uma só palavra de elogio ou sequer de condolências...
O caso mais recente foi o do falecimento de Cândido Mota....
Claro que se o Cândido Mota também fosse um "dissidente" do PCP, como o foi Carlos Brito, não lhe faltariam tais elogios "hipócritas" pois, no fundo, com tais "elogios", o que visam não é outra coisa senão aproveitar-se da "morte" de alguém, no caso de um "destacado dissidente" do PCP, para continuar o seu combate contra a única força política verdadeiramente patriótica, ao serviço dos trabalhadores, ao serviço de Portugal!
Obs: foto do Museu do Aljube Resistência e Liberdade

É preciso falar de ABRIL