segunda-feira, 2 de março de 2026

A corrupção da linguagem precede a corrução da sociedade/ a linguagem como campo de batalha segundo George Orwell

 



Não à cumplicidade com os crimes de Israel e os EUA

 

 A agressão militar ao Irão é parte do plano mais vasto do imperialismo norte-americano de tentar impor, pela via da força, o seu domínio hegemónico sobre o Médio Oriente – região com vastos recursos energéticos –, assim como no plano mundial, como evidencia a sua agressão à Venezuela e o incremento do bloqueio que impõe contra Cuba.

 Era para escrever mais do que as duas frases de ontem, mas a tomada de posição dos comunistas portugueses poupa-me trabalho. Jamais faria melhor. Vale a pena ler na íntegra. É o partido português com uma visão marxista consistente das relações internacionais, na tradição leninista, como não podia deixar de ser.

 Entretanto, vale a pena ver o vídeo acima, onde Carina Castro denuncia a vassalagem do Governo português nas Lajes e não só, ainda antes de mais este crime imperialista contra a humanidade, desta feita contra o Irão.

 Por falar em vassalagem, o que dizer da reação de António Costa em Bruxelas, condenando o agredido, em linha com a UE realmente existente? Ficará na história da infâmia, tal como já ficou no genocídio do povo palestiniano. 

 E não, nós não somos cúmplices destes vassalos. E por isso nunca devemos ter vergonha de ser portugueses. É que há sempre um país que resiste, há sempre um país que diz não.

Como se fosse uma nota de rodapé

 Creio que compreendo cada vez melhor Lénine a partir de 1914, perante a monstruosa rendição à guerra imperialista de quase tudo o que andava pela segunda internacional. Lembrai-vos que a ala direita da social-democracia, a de Eduard Bernstein e companhia, era assumidamente colonialista logo na viragem do século XIX para o século XX. A história rima, de facto.

Um crime colectivo / aa denúncias corajosas de Francesca Albanese

 

Francesca Albanese, relatora da ONU para os territórios ocupados da Palestina, tem desempenhado o seu trabalho com exemplar rigor e coragem. Tem que se haver com o poderoso lobby sionista internacional que não tolera a denúncia que em cada relatório tem feito dos crimes cometidos pelo estado ocupante e pelo genocídio em curso em Gaza e na Cisjordânia. Os EUA decretaram sanções contra ela, e os respectivos lacaios europeus juntam-se ao coro, reclamando a sua demissão. O que Francesca Albanese denuncia é “um crime colectivo”. Os cúmplices desse crime quereriam calá-la.“Em vez de deter Israel, a maior parte do mundo armou-o, forneceu-lhe desculpas e abrigo político, apoio económico e financeiro (…) Nós, que não controlamos capital financeiro, algoritmos e armas, vemos agora que, como humanidade, temos um inimigo comum, e que as liberdades, o respeito pelas liberdades fundamentais, são a última via e ferramenta pacífica que temos para recuperar a nossa liberdade”. Isto foi o que Francesca Albanese disse numa conferência da AlJazeera no passado dia 7 falando dos dois anos e meio de “genocídio em grande escala” em “que agora se transformou a ocupação ilegal prolongada do território palestiniano por Israel” como escreveu no último dos seus relatórios como relatora da ONU para os territórios ocupados da Palestina (O genocídio de Gaza: um crime coletivo).

Não disse nada que não tivesse dito no cumprimento das suas funções. Desde que, em 2023, o Comité dos Direitos Humanos da ONU a nomeou, Albanese tem feito um trabalho notável, não apenas na denúncia da limpeza étnica, do memoricídio e do genocídio de que Israel é culpado como potência ocupante, mas de fundamentação rigorosa, jurídica e cientificamente inatacável, de como a ocupação é um “projeto de mais de um século de colonialismo de aniquilamento” como se pode ler no seu impressionante relatório de 2024, Genocídio como apagamento colonial.

Face à coragem desta mulher, Israel move-lhe uma guerra sem quartel. Washington impôs-lhe as mesmas sanções que já tinha imposto a juízes e procuradores do Tribunal Penal Internacional por emitirem um mandado de captura contra Netanyahu. Que a juntem ao longo rol de personagens internacionais a que os israelitas chamam “antissemitas”– a abominável manipulação do conceito está a ter consequências irreversíveis no seu uso do território palestiniano por Israel”, como escreveu no último dos seus relatórios como moral e político—, em que se incluem o Papa Francisco, António Guterres e a ONU, todas as ONGs humanitárias que operam na Palestina, não surpreende ninguém.

Revelador da trumpização avançada do ambiente político internacional é que o governo francês se tenha juntado a Netanyahu e aos EUA na exigência de demissão de Albanese, considerando “ultrajantes” as suas declarações por acharem “que visam, não o Governo israelita mas Israel enquanto povo e nação”, replicando palavra por palavra o argumento de Netanyahu. À França juntou-se o grupo habitual na conivência com Israel: Alemanha e Áustria (onde governam, note-se, coligações da direita com social-democratas) e os governos italiano e checo, de ultradireita. Todos eles divulgaram nas redes oficiais um vídeo truncado da intervenção de Albanese. Como escreve a Amnistia Internacional, “tivessem ao menos sido tão veementes e contundentes a confrontar um Estado que mais comete genocídio, ocupação ilegal e apartheid quanto foram ao atacar uma especialista da ONU.

A sua cobardia e recusa em responsabilizar Israel contrastam fortemente com o compromisso inabalável da relatora em dizer a verdade ao poder.

O trumpismo e o regresso às formas mais desaforadas do velho imperialismo no sistema internacional estadunidense, que, depois da Venezuela, tem hoje na asfixia literal da vida em Cuba a sua última manifestação, têm procurado apagar definitivamente o Direito Internacional. E ajudam a que o desprezo da ONU como base de um mínimo de equidade passe a ser a atitude de quase todos os Estados europeus. O discurso do “respeito pelo Direito Internacional”, tão típico da retórica europeia, Portugal incluído, revela-se pura aparência.

A Europa não aprende nada. Nem com a Gronelândia, nem com a ingerência direta dos EUA nos processos eleitorais - Marco Rubio acaba de apelar ao voto em Orbán na disputa eleitoral contra um ex-membro do governo deste. Imitando Trump e Netanyahu, a Europa cumpre obedientemente o modelo contra o qual, em Davos, o primeiro-ministro canadiano advertia: o da “simulação de soberania ao mesmo tempo que se aceita a subordinação”.

“O genocídio contínuo dos palestinianos deve ser entendido como um crime possibilitado internacionalmente”, escreve Albanese. Um crime coletivo. Não admira que quem o pratica a queira calar.- Manuel Lof

Miguel Morgado o papagaio de Donald Trump na SIC

 Muita atenção com os comentários tendenciosos deste palhaço ao serviço do regime da direita que é poder em Portugal!


IRÃO do martírio à vingança. As derrotas que os impérialistas escondem

Dez horas que abalaram a Ásia Ocidental

Dez horas. Foi o tempo que o Irão levou para:

  • colocar o Império do Caos, da Pilhagem e dos Ataques Permanentes sob cerco em todo o Golfo.
  • bombardear 27 importantes bases militares dos EUA, sem piedade – causando danos extensos.
  • determinar que todos os bens e interesses dos EUA e israelenses na Ásia Ocidental são alvos legítimos para retaliação.
  • bloquear o Estreito de Ormuz (depois desbloqueado, mas com passagem livre apenas para navios russos e chineses).

A seguir: se os navios de guerra dos EUA não recuarem, serão afundados.

Todo o drama, previsivelmente, desenvolveu-se como uma fraude em formação. A guerra foi ordenada pelo líder de um culto da morte na Ásia Ocidental, um psicopata genocida que depois se refugiou na sua «Asa de Sião» e fugiu para... Berlim.

O seu ajudante americano, o neo-Calígula, um Narciso megalomaníaco, coordenou a guerra a partir de Mar-a-Lago.

O seu sucesso espetacular no primeiro dia: matar o líder supremo aiatolá Khamenei num ataque de decapitação. E matar dezenas de meninas – mais de 100 e contando – numa escola primária no sul do Irão.

Previsivelmente, isto também foi uma repetição do assassinato de Sayyed Nasrallah, do Hezbollah, em Beirute.

Durante as «negociações» indiretas em Omã, a equipa Trump 2.0 exigiu que Teerão esclarecesse uma oferta que precisava de alguns ajustes finais.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad al Busaidi, confirmou que o Irão, pela primeira vez, concordou em “nunca” acumular material nuclear para uma bomba; manter estoques zero de material enriquecido; concordar que os estoques existentes seriam diluídos; e permitir a verificação completa da AIEA.

A reunião ocorreu em Teerã na manhã de sábado, reunindo os principais membros da liderança iraniana.

O Epstein Syndicat bombardeou a reunião, matando altos funcionários e o líder supremo aiatolá Khamenei. O Império do Caos não faz negociações: ele as utiliza como arma.

No entanto, não houve um colapso imediato que levasse a uma mudança de regime. Menos de meia hora após o ataque, a liderança de Teerão lançou um contra-ataque impressionante, rápido e coordenado em grande escala, em modo de lançamento contínuo 24 horas por dia, estabelecendo assim os parâmetros de escalada, bem como a supremacia da resiliência no campo de batalha.

Por exemplo, as táticas iranianas agora são muito diferentes em comparação com a guerra de 12 dias. Na segunda onda contra o Bahrein, eles usaram drones kamikaze Shahed-136 somente após uma barragem maciça de mísseis balísticos que confundiu completamente os sistemas de defesa dos EUA. O resultado: dezenas de interceptores caros gastos prematuramente. Os drones só vieram depois.

Somente no primeiro dia, o Irão disparou mais de 1.200 mísseis e drones. Teerã tem dezenas de milhares de mísseis e drones em estoque. Os interceptores dos EUA estão prestes a se esgotar em questão de dias. Cada THAAD custa US$ 15 milhões. A matemática definitivamente não está a favor do império.

Do martírio à vingança

O Irã ir atrás dos ativos dos EUA em Dubai é uma jogada estratégica magistral – ligada à destruição de abrigos de militares dos EUA e/ou esconderijos clandestinos da CIA. Todos aqueles símbolos cafonas de opulência de Dubai estão em chamas: Burj Khalifa, Burj Al Arab, Palm Jumeirah.

Como corretamente argumentado aqui, 88% da população de Dubai é estrangeira. Além de ser a capital mundial da lavagem de dinheiro, esta é, acima de tudo, uma zona económica especial com uma bandeira, agora correndo o risco de uma corrida aos bancos.

Afinal, os Emirados Árabes Unidos não produzem nada – como no capitalismo produtivo; é uma economia de serviços isenta de impostos, construída em torno da opulência e segurança (agora desaparecidas).

Dubai também tem uma enorme influência sobre o neo-Calígula – como nas «moedas Trump», investimentos pessoais, doações ao Conselho da Paz, também conhecido como Conselho da Guerra. A aviação representa 27% do PIB de Dubai – e 18% do PIB dos EAU. O aeroporto de Dubai no escuro é um desastre absoluto. Mega-companhias aéreas como a Emirates, a Etihad e a Qatar Airways – com os seus mega-aeroportos – são veículos/nós fundamentais da matriz global de transportes.

Dubai às escuras é uma proposta de negócio muito má para Trump. Não há dúvida de que MbZ já está ao telefone a implorar por um cessar-fogo. Além disso, Teerão também deixou claro que as gigantes da energia Chevron e ExxonMobil são alvos legítimos. Portanto, não é de admirar que o neo-Calígula já quisesse um cessar-fogo no primeiro dia, comunicado através dos canais diplomáticos italianos ao Irão.

Independentemente das torrentes de especulação sobre se o psicopata genocida em Telavive forçou o neo-Calígula a entrar em guerra quando a sua Armada Invencível ainda não estava pronta, o facto é que o Pentágono perdeu a iniciativa estratégica.

O guião está a ser escrito em Teerão; será uma guerra de desgaste, em que Teerão planeou todos os cenários possíveis.

Então, eis como tudo se desenvolveu, num piscar de olhos. Ataque de decapitação. Conselho de Peritos reunido em minutos. IRGC: resposta de «força máxima» dentro de uma hora, desencadeada sobre o culto da morte + petro-chihuahuas. Mecanismo de sucessão: em vigor. Estrutura de comando: em vigor. Sem mudança de regime. Domínio estratégico imperial zero. Do martírio à vingança.

Todo o Sul Global está a assistir.

Ruptura estratégica total

De acordo com várias fontes do IRGC, o aiatolá Khamenei tinha tudo preparado em detalhes minuciosos por meio de uma série de diretrizes. Ele instruiu Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança, e membros selecionados da liderança não apenas sobre como o Irão poderia resistir ao poderio bélico do Sindicato Epstein, mas também a quaisquer tentativas de assassinato, inclusive contra ele próprio. Khamenei foi morto ao lado de Ali Shamkhani, ex-secretário do Conselho de Segurança Nacional, e do comandante do IRGC, Mohammed Pakpour.

Khamenei nomeou nada menos que quatro camadas de sucessão para cada comando militar e função governamental importantes. Não é de admirar que todas as decisões cruciais após a decapitação tenham sido tomadas em tempo recorde.

A dupla genocida/assassina americano-israelense não faz ideia do que está por vir. Conseguiram ofender todo o mundo xiita – sem mencionar centenas de milhões de muçulmanos sunitas também.

A ruptura estratégica total nem sequer chega a descrever a situação: chegámos a um ponto de não retorno absoluto entre Washington e Teerão. Em vez desta noção infantil de mudança de regime, que só os sionistas fanáticos e sem cérebro podem alimentar, o assassinato de Khamenei está a consolidar um consenso nacional, legitimando uma retaliação sem limites e desencadeando um confronto em várias frentes que se estende do Golfo ao Levante.

As táticas imediatas do Irão são muito claras: saturar as defesas aéreas israelenses e desencadear uma enorme crise de interceptores. Isso obrigará os generais israelenses a implorar ao neo-Calígula por um cessar-fogo – mesmo que o Irão não pare de destruir a infraestrutura e a economia de Israel, possivelmente causando o colapso do culto da morte em questão de dias.

Enquanto isso, a Rússia e a China trabalharão nos bastidores para garantir que a rede de defesa do Irão permaneça intacta.

Se o gás e o petróleo da Ásia Ocidental pararem de fluir por apenas alguns dias, todas as apostas sinistras serão canceladas quando se trata da economia global. O Irão calculou todos os cenários e pode aplicar e liberar pressão à vontade.

O Sul Global aprenderá todas as lições de como a liderança iraniana demonstra solidariedade e objetivos claros enquanto é forçada a uma luta sem precedentes em várias frentes contra o colosso imperial – e isso após 47 anos de sanções implacáveis. Este tipo de resistência, por si só, já é um milagre.

Agora, o caminho pode estar aberto para o fim da presença militar americana na Ásia Ocidental – algo previsto por uma linhagem de mártires, de Soleimani e Nasrallah a Khamenei.

Talvez estejamos apenas a chegar ao portal da ordem pós-EUA na Ásia Ocidental, onde aquele culto da morte medonho, com o seu Deus patético e intolerante, estará estrategicamente atolado no lamaçal, com a sua dissuasão em frangalhos, consumido pela paranóia enquanto luta contra múltiplas instâncias de pressão assimétrica.

Pepe Escobar

01/Março/2026





Subserviência da União europeia ao louco Donald Trump

 


A impunidade é imagem de marca dos mamadeiras


Albuquerque destaca Pedro Calado como “quadro importantíssimo” na apresentação da moção 'Madeira Livre'


Foto obtida através dos nossos técnicos de IA

 A elite da Madeira parece acreditar que vive numa bolha de impunidade eterna. Talvez o contexto internacional, europeu e nacional estejam já a trocar as voltas. Pessoalmente estou tão farto deste disco riscado que já desejo qualquer coisa que acabe com a horda da Madeira.

 Isto não tem nada novo, o que dá pena é sermos uma terra pequena onde poderíamos viver todos bem, por ser fácil de gerir, e o que estamos a fazer é ter um grupo de bandidos que não largam o poder e estão a incorporar na nossa sociedade o descalabro a vários níveis. Muitos cientistas políticos chamam a isto o "Estado Capturado" ou "Capitalismo de Compadrio" (Crony Capitalism). 

 O regresso de Pedro Calado à primeira linha da Comissão Política do PSD-Madeira, pela mão de Miguel Albuquerque, não é apenas uma movimentação partidária, é um símbolo de resistência e desrespeito de um sistema que se recusa a auto-reformar, mesmo sob o peso de investigações judiciais.

 Ao classificar Pedro Calado como um "quadro importantíssimo", Albuquerque está a fazer mais do que elogiar a competência técnica, está a validar politicamente alguém que esteve no centro de processos judiciais que abalaram a confiança nas instituições, a quem não se reconhece visão política nem lisura no dinheiro público, antes é um quadro que deveria ficar de fora, mas regressa para, tacitamente, chamar muitos de estúpidos.

 Para o sistema, não importa a suspeição ética, mas sim a lealdade e a "prova dada" na manutenção da estrutura. Ao trazer Calado de volta, o PSD sinaliza que não abandona os seus, criando uma frente unida que confunde a defesa jurídica individual com a defesa da própria Autonomia, criam uma classe de profissionais da sobrevivência partidária. Quando a política deixa de ser uma missão temporária e passa a ser o único meio de subsistência, o eleito deixa de servir o cidadão para servir quem lhe garante o lugar na lista.

É irónico que a moção se intitule "Madeira Livre"! Livre, de quem? Na narrativa de Albuquerque, é livre do "centralismo de Lisboa", mais um inimigo externo com esta horda cá dentro? Para o cidadão comum, a pergunta é se a Madeira é livre de um sistema clientelar que utiliza o erário público para alimentar contas bancárias e favores. A "liberdade" apregoada parece ser a liberdade de agir sem o escrutínio da Justiça ou da oposição.

Foto histórica: Do Bentley para o calabouço!