
«Francisco Assis, meu distinto
colega na Faculdade de Letras da
Universidade do Porto, ao tempo,
pouco falador e reservado nas
conversas entre colegas, com o
traquejo da política, “soltou-se” e
tem tomado posições de acordo
com os ditames da sua consciência
política, social e cívica ao longo da
sua carreira de político
profissional. Agora, decidiu
criticar a participação de dois
deputados do seu partido na
manifestação realizada em frente à
Assembleia da República na
pretérita terça-feira, considerando
um “absurdo” que se juntassem
aos manifestantes. Os deputados
não devem estar próximos do
povo? Não são eleitos pelo povo?
Assis referia-se a Pedro Nuno
Santos (P.N.S.) e Mariana
Gonçalves (M.G.), considerando
que a atitude dos seus
correligionários “é um sinal
negativo para o partido”. Será de
recordar a Assis que António Costa
foi empossado primeiro-ministro em 2015 e, em 2018, prometeu,
num discurso, que cada português
teria uma habitação adequada até
ao fim de 2024, precisamente na
passagem dos 50 anos de Abril.
Estamos quase no final de 2026 e
verificamos que Costa não
cumpriu a promessa. Mentiu
(parece que o acto de mentir já é
recorrente e está plasmado e
incrustado no cérebro da maioria
dos políticos). Assis acha que
pertence a uma casta privilegiada,
distante do povo quando é
questionada e confrontada, e o
facto de P.N.S. e M.G. se juntarem
à “escumalha” que se vê forçada a
realizar manifestações porque não
tem dinheiro, clama por
habitações dignas e está contra a
carestia de vida é um “absurdo” e
provavelmente até será um
“sacrilégio”. O PS não é um partido
aberto, plural, que convive bem
com as dissidências que possam
surgir nos mais variados temas? Ou
o seguidismo táctico e o
pensamento único prevalecem?
Foi assim tão “absurdo” vermos P.
N.S. e M.G. na manifestação? »
António Cândido Miguéis, Vila Real