sexta-feira, 27 de março de 2026

Nasceu há 50 anos a ditadura que mais matou na América do Sul

 Regime nascido do golpe de 24 de março de 1976 gerou a reação mais forte da sociedade civil na região


A ditadura militar que governou a Argentina entre 24 de março de 1976 e 10 de dezembro de 1983 aplicou um plano sistemático para sequestrar, torturar, roubar bebés, furtar bens, matar pessoas e fazer desaparecer corpos até hoje procurados, vítimas de terrorismo de Estado. O golpe foi justificado pela luta contra o comunismo no contexto da Guerra Fria, apoiado por sectores conservadores e pela doutrina da Segurança Nacional dos Estados Unidos da América (EUA). O plano incluiu 814 centros clandestinos de prisão, tortura e morte, equivalentes a campos de extermínio, sendo o maior de todos a Escola de Mecânica da Armada (ESMA), hoje museu da memória, onde entraram cerca de cinco mil pessoas e saíram em torno de 250. Ricardo Coquet, de 73 anos, é um dos sobreviventes. Foi sequestrado a 10 de março de 1977, quando saía da famosa confeitaria Las Violetas de Buenos Aires. “Fui encontrar-me com um primo que me daria roupa e algum dinheiro. Todos os nossos camaradas estavam a ser capturados. Ao sairmos, quando caminhávamos ao carro dele, passou um camião com homens armados para me sequestrar”, relata. “Eu tinha uma pastilha de cianeto como muitos. Tomei-a e avisei-os de que não me ganhariam. Além de vários golpes, deram-me injeções para travar o efeito”, recorda ao Expresso o então militante da Juventude Trabalhadora Peronista. Ficou preso até 1978, foi torturado e sofreu um acidente que lhe amputou quatro dedos, na carpintaria do centro clandestino, onde realizava trabalho escravo. “O caso argentino baseou-se no desaparecimento forçado como método mais comum, mas teve modalidades únicas, como os voos da morte e o roubo sistemático de bebés”, aponta ao Expresso o historiador e escritor uruguaio Aldo Marchesi. A Junta Militar sabia que não poderia manter milhares de pessoas presas, não poderia fuzilar e enterrar tanta gente sem gerar críticas internacionais, sobretudo do Vaticano. Era preciso fazer desaparecer os corpos e, para isso, surgiram no primeiro ano de ditadura os “voos da morte”. Recuperada a democracia, descobriu-se que de aviões das Forças Armadas eram lançadas pessoas vivas, drogadas, ao rio da Prata e ao mar. Cada voo transportava 25 a 30. Vários corpos mutilados apareceram nas costas próximas, tendo sido enterrados como desconhecidos em cemitérios locais. As primeiras autópsias foram feitas pelo médico legista Roberto León Dios, em 1977. Quando ia trabalhar sobre o terceiro cadáver, recebeu ordem militar para interromper o estudo. Misteriosamente, morreu 40 dias depois.

Violação como arma
As presas eram sexualmente violentadas. “Ficávamos todos nus. Recebia choques elétricos nos órgãos genitais e na boca. Levei tantos golpes que perdi uma gravidez de dois meses”, descreve ao Expresso Betina Ehrenhaus, de 68 anos, presa na ESMA quando tinha 21. “Se soubessem que eu estava grávida, ter-me-iam mantido viva e teriam roubado o bebé, como fizeram com todas. Não no roubaram, mas mataram-no.” A ditadura aplicou um plano sistemático de roubo dos filhos dos torturados e mortos. Eram destinados a famílias de militares e polícias. As Avós da Praça de Maio ainda procuram 392 netos, tendo recuperado 140, incluindo quatro no ventre das mães assassinadas. Durante os anos de 90, após duas leis que garantiram a impunidade dos envolvidos, o roubo de bebés foi o único crime que levou uma dezena de repressores à prisão, incluindo os ex-ditadores Reynaldo Bignone e Jorge Videla. Tendo sido a ditadura mais sangrenta da América do Sul, o regime argentino gerou reação social como nenhum outro. Quase um ano após o golpe, em abril de 1977, mães de desaparecidos começaram a reunir-se na Praça de Maio, em frente à sede do Governo. Ainda hoje, as poucas que ainda estão vivas circulam pela praça às quintas-feiras. Miguel Santucho foi levado para Roma com 1 ano de idade, em 1976. O pai já estava em Itália. Quando Miguel tinha oito meses, a sua mãe, Cristina Navajas, foi sequestrada quando se encontrava grávida de dois meses. Foi vista pela última vez em 1977, sem sinais de gestação. Teria perdido o bebé ou parido? Miguel voltou a Buenos Aires aos 17 anos “Supúnhamos que pudesse ter dado à luz, mas também existia a possibilidade de nunca ter parido”, explica Miguel ao Expresso. A família acredita que Cristina tenha sido lançada num voo da morte. A sua mãe, Nélida Gómez de Navajas, era uma Avó da Praça de Maio que procurava o neto, irmão de Miguel. Em julho de 2023, Miguel atendeu uma chamada. Era Daniel, o neto número 137 dos 140 recuperados. “Muito obrigado por teres continuado a procurar-me e por nunca teres desistido”, disse-lhe o irmão, nascido no cativeiro de tortura da mãe. Hoje, tem os apelidos da verdadeira família. O apropriador foi indiciado e ficou em prisão domiciliária à espera do julgamento, mas faleceu antes de ser julgado. “Morreu dois dias depois de eu ter o meu novo documento com a minha verdadeira identidade”, realça o bebé roubado.

Guerra de números
Os organismos de defesa dos direitos humanos afirmam que o número de desaparecidos chega a 30 mil. Em dezembro de 1983, Raúl Alfonsín, primeiro Presidente da democracia, criou a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP). Esta preparou uma lista com 8961 nomes comprovados, que críticos usam para desacreditar o cálculo de 30 mil. No entanto, a própria CONADEP esclareceu que aquela era “uma lista inevitavelmente aberta”, dado o calor dos acontecimentos, a falta de acesso a todos os casos e o medo que ainda silenciava muitos. O atual Presidente, Javier Milei, negacionista da ditadura, defende um número ainda inferior: “Foram 8753”. O seu Governo bloqueou o acesso a arquivos, desmantelou equipas especializadas e retirou o Estado como parte acusadora nos processos ligados à ditadura. Em março de 1977, um ano após o golpe, a Amnistia Internacional já mencionava 15 mil vítimas. Segundo os serviços  secretos dos EUA, os próprios militares argentinos calculavam, em 1978, que fossem 22 mil. A Argentina é o país que mais julgou e condenou os seus militares. Pouco antes de deixarem o poder, estes tentaram uma lei de autoamnistia, que Alfonsín anulou. A CONADEP serviu de base, em 1985, para o julgamento dos responsáveis pelos crimes da ditadura. Foram condenados cinco: Jorge Videla (perpétua), Emilio Massera (perpétua), Roberto Viola (17 anos), Armando Lambruschini (oito anos) e Orlando Agosti (quatro anos e seis meses). O filme “Argentina, 1985”, de Santiago Mitre (2022), recria o processo. Os militares reagiram com levantamentos que ameaçavam a jovem democracia, tendo o Congresso argentino aprovado leis que garantiram a impunidade a torturadores e criminosos da ditadura. Seriam revogadas nos anos 90 e declaradas inconstitucionais. “A Argentina tornou-se referência mundial em matéria de verdade e justiça. Há estudos que mostram como esse modelo foi replicado por outros países”, afirma Marchesi. Desde 2006, foram condenadas 1202 pessoas por crimes contra a Humanidade. Há ainda 539 presos, dos quais 454 em domiciliária, e estão por concluir 73 processos, havendo outros 280 estão na fase de investigação. (Expresso)

Aqui na Madeira está tudo controlado o MP e as juizas da Comarca trabalham todas para ajudar os corruptos do Betão e do alcatrão

 

Os irmãos Metralha na República do Betão.
 Quero dar os parabéns a quem escreveu o texto "Um órgão para proteger a corrupção da verdadeira Justiça", tirou-me as palavras da boca, e digo mais! Um órgão sério de vigilância à corrupção não se deixa nas instalações do Lojão (ALRAM). Quer dizer um grupo de pessoas do PSD vão fiscalizar o Governo Regional.

Com jeitinho reúnem primeiro com o "Petit Salazar" para tomar decisões e ainda vão ao Kampo almoçar, um relacionamento de boas vizinhanças. Isto é gozar com povo à descarada, é a mesma coisa que pôr os lobos a vigiar o galinheiro

O presidente deste órgão saiu da Comissão Política do PSD, para não dar nas vistas, e assim assumir o cargo, mas quer continuar a exercer advocacia (!) coisa que a lei não permite. Mas nesta terra vale tudo. Olhamos para o grupo e tudo o que transpira é "credibilidade". Ai processos, ai dívidas, ai "brancas" que vai haver com gente condicionada. Comecem por fiscalizar a negociata do próprio local de trabalho, as rendas que a ALRAM paga ao monopolista quando poderiam ter comprado o espaço.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Acto de pirataria do regime Yanque sobre a venezuela com a cumplicidade da vice-presidente Delcy Rodríguez

 

Secretário do Interior dos EUA trouxe da Venezuela 100 milhões de dólares em ouro

O secretário norte-americano do Interior, Doug Burgum, afirmou quarta-feira ter trazido da Venezuela para os Estados Unidos 100 milhões de dólares em ouro, que serão destinados a investimentos industriais. 

Burgum, que visitou a Venezuela este mês juntamente com executivos do setor petrolífero, afirmou ter regressado a Washington com o ouro físico avaliado em 100 milhões de dólares. 

"Não se verificava qualquer envio de metais preciosos entre a Venezuela e os EUA há mais de 20 anos", disse Burgum aos executivos do setor energético na conferência CERAWeek, no Texas. 

O secretário do Interior esteve em Caracas no dia 3 de março e afirmou ter passado mais de 10 horas reunido com a Presidente interina, Delcy Rodríguez, na qualidade de intermediário de um conjunto de empresários do setor petrolífero e mineiro que pretendem iniciar operações no país sul-americano. 

Burgum classificou a indústria mineira venezuelana como "colapsada" e reduzida a minas artesanais "controladas por gangues", mas afirmou ter encontrado um compromisso governamental para modernizar e criar condições para gerar negócios bilaterais. 

Em janeiro, os Estados Unidos capturaram o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar em Caracas, deixando o resto do regime praticamente intacto.

O governo norte-americano tem desde então trabalhado com Rodríguez, a quem o Presidente Donald Trump qualificou como "uma pessoa maravilhosa", em repetidas ocasiões

https://www.dnoticias.pt/2026/3/26/486197-secretario-do-interior-dos-eua-trouxe-da-venezuela-100-milhoes-de-dolares-em-ouro/

Lugar de polícia criminoso é na cadeia

 Lugar de criminoso é na cadeia e não nas ruas usando fardas e recebendo para cometer crimes..
ABSURDO! Dentro de uma escola pública, um policial agrediu dois estudantes e a presidente da AMES, no Rio de Janeiro. Segundo informações, a violência aconteceu após a organização de um ato contra o assédio de um professor.
Fim da polícia militar JÁ

Grande camarada Lula você é o maior

 

O "cliente trabalhador" a moderna exploração do homem pelo homem para enriquecer cada vez mais os grandes grupos económicos!

 

 Vivemos numa era em que, sob o pretexto da "agilidade" e da "modernidade digital", as empresas transferiram os seus custos operacionais diretamente para as costas do consumidor. Ele faz todo trabalho, paga e ainda tem direito a uma fiscalização desconfiada dos supervisores.

Falam das asneiras das políticas de Eduardo Jesus, mas há mais formas de destruir a nossa qualidade de vida. Houve um tempo em que ser cliente significava ser servido. Hoje, ser cliente é ser um funcionário não remunerado de todas as empresas com as quais interagimos. O cansaço que a sociedade sente não é apenas fruto das horas de emprego formal, mas da escravidão invisível que nos obriga a fazer tudo neste novo mundo impessoal.

No supermercado, passamos as nossas próprias compras e pesamos a nossa fruta; no bricolage, carregamos e montamos o nosso próprio material. Na banca, somos nós que gerimos transferências, resolvemos erros de sistema e operamos máquinas que substituíram o rosto humano. As empresas venderam-nos a ideia da "autonomia", mas o que nos entregaram foi a transferência de esforço e assim elas ganham mais dinheiro com trabalho de borla.

Se a máquina falha ou se cometemos um erro no processo, a culpa é nossa. Não há ninguém a quem reclamar, apenas um ecrã frio que exige que reiniciemos o processo. O tempo que deveríamos usar para descansar é gasto a aprender a usar novas aplicações de serviços básicos ou a lutar com chatbots desumanos.

  Somos "mal vistos" se não dominamos a tecnologia da empresa, como se tivéssemos a obrigação de ser peritos em cada serviço que pagamos para obter. Quando não desconfiam de que poderemos roubar algo e ainda nos ferem a dignidade, tudo porque os clientes são todos iguais e "funcionários".

  Este mundo "eficiente" é, na verdade, um sistema de exaustão. Transformaram o cidadão num empregado multifunções de todas as marcas, sem salário, sem descanso e com a obrigação de sorrir enquanto faz o trabalho que, outrora, dava emprego e dignidade a outra pessoa.

 Este cenário é particularmente irónico quando olhamos para os números da pobreza e da habitação, enquanto as grandes empresas lucram ao eliminar postos de trabalho e ao passar o serviço para o cliente, a base da população continua a lutar para sobreviver a este "fabuloso" crescimento económico que não se traduz em tempo nem em qualidade de vida.

CDU dá apoio a moradores das zonas altas de Santo António mas depois os mesmos vão votar todos no PPDê

 CDU leva moradores do Ribeiro Lavadouro à Câmara do Funchal

 A CDU acompanhou um grupo de moradores das zonas altas de Santo António, nomeadamente do Ribeiro Lavadouro, no Lombo dos Aguiares, a uma reunião pública da Câmara Municipal do Funchal, com o objetivo de exigir a resolução de reivindicações antigas da população.

 Segundo os moradores, apesar de abaixo-assinados, audiências e promessas do executivo camarário, continuam por concretizar melhorias consideradas essenciais, entre as quais a construção da estrada que ligará o Laranjal Pequeno ao Ribeiro Lavadouro. A população manifestou descontentamento, afirmando sentir-se abandonada e defendendo que estas intervenções representam necessidades básicas para melhorar as condições de vida.

 A CDU sublinha que continuará a acompanhar as populações das zonas altas de Santo António na reivindicação de soluções para os problemas de quem vive e trabalha naquela área do concelho do Funchal.

(JM do "meia-saca")