sábado, 7 de novembro de 2026
Geraldo Pedrosa de Araújo Dias entrou para a história da música brasileira como uma das vozes mais emblemáticas da resistência à ditadura militar.
Poucos artistas brasileiros tiveram uma trajetória tão marcante e enigmática quanto Geraldo Vandré. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, em 12 de setembro de 1935, Geraldo Pedrosa de Araújo Dias entrou para a história da música brasileira como uma das vozes mais emblemáticas da resistência à ditadura militar.
Sua consagração aconteceu em 1966, quando a música "Disparada", composta em parceria com Théo de Barros e interpretada por Jair Rodrigues, conquistou o primeiro lugar no Festival da Record, empatando com "A Banda", de Chico Buarque.
Mas foi em 1968 que Vandré se tornou um símbolo nacional. No Festival Internacional da Canção, apresentou "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores", também conhecida como "Caminhando". Com apenas dois acordes ao violão, a composição transformou-se em um dos maiores hinos de resistência contra o regime militar.
Os versos "Vem, vamos embora, que esperar não é saber" ganharam as ruas e passaram a representar a luta pela liberdade. A repercussão foi tão grande que a música acabou proibida pela censura.
Com o endurecimento da ditadura após o AI-5, em dezembro de 1968, Vandré precisou deixar o Brasil. Viveu no exílio em países como Chile e França, período marcado por dificuldades pessoais e afastamento da vida artística brasileira.
Retornou ao país em 1973, mas nunca recuperou a relação que tinha com os palcos e o público. Aos poucos, afastou-se da indústria musical e escolheu uma vida discreta, longe dos holofotes.
O mais impressionante é que, mesmo após décadas de silêncio, sua obra continua viva. Geraldo Vandré talvez tenha deixado de cantar publicamente, mas sua música permanece ecoando como lembrança de um período em que um violão e uma canção podiam desafiar um regime inteiro.
Seu silêncio tornou-se um dos maiores enigmas da música brasileira. Suas canções, porém, jamais se calaram.
30 anos a segurar os interesses dos grandes senhorios desta terra!
José Manuel Rodrigues: “Faz hoje 30 anos que tomei posse como deputado na RAM”

José Manuel Rodrigues fez hoje a seguinte publicação na rede social Facebook:
“Faz hoje 30 anos que tomei posse, pela primeira vez, como deputado na Assembleia Regional. Desde então, percorri um longo caminho que me levou à Assembleia da República, à presidência da Assembleia Legislativa da Madeira, à presidência da Conferência das Assembleias Legislativas Regionais Europeias e, agora, ao exercício de funções executivas, como Secretário da Economia no Governo Regional da Madeira.
Quero agradecer a todos os que me acompanharam nesta caminhada e, sobretudo, expressar um grande obrigado a todos os que, em sucessivas eleições, confiaram em mim e no CDS.
Foi e continua a ser um enorme orgulho servir a minha terra e as suas gentes.
E quero dizer-vos: ainda estou aqui!”, conclui.
Um crime que é pouco conhecido, mas aconteceu. Mostra como funciona a justiça de classe ao serviço da alta burguesia
Na madrugada de 20 de abril de 1997, cinco jovens de famílias ricas de Brasília encontraram um homem dormindo em um ponto de ônibus. O que fizeram com ele foi uma das maiores brutalidades da história recente do país.
A vítima era Galdino Jesus dos Santos, indígena do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, de 44 anos, agricultor, marido e pai de três filhas. Ele estava na capital federal participando de reuniões com representantes do governo para defender as terras de seu povo, no sul da Bahia.
Depois das atividades do Dia do Índio, Galdino voltou à pensão onde estava hospedado, mas encontrou a entrada fechada. Sem conseguir entrar, deitou-se em um ponto de ônibus próximo e adormeceu.
Enquanto isso, cinco rapazes circulavam pela cidade em um Chevrolet Monza: Max Rogério Alves, Eron Chaves de Oliveira, Antônio Novély Cardoso Vilanova, Tomás Oliveira de Almeida e Gutemberg Nader de Almeida Júnior, que tinha apenas 16 anos.
O grupo vinha de famílias de classe alta. Um deles era filho de um juiz federal; outro, enteado de um ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Pouco antes do crime, os jovens compraram dois litros de álcool em um posto de combustível. Depois, encontraram Galdino dormindo, despejaram o líquido inflamável sobre seu corpo e atearam fogo. Enquanto o indígena era consumido pelas chamas, os cinco fugiram de carro.
Galdino foi socorrido por um advogado que passava pelo local e levado ao hospital ainda consciente. Mas 95% de seu corpo havia sido queimado. Ele sofreu falência respiratória e renal e morreu poucas horas depois.
Quando foram presos, os jovens disseram que tudo não passava de uma brincadeira. Alegaram que queriam apenas assustar o homem, imaginando que ele acordaria e sairia correndo. Um deles chegou a afirmar que o grupo pensou em voltar para ajudá-lo, mas ficou apavorado e foi embora.
Em 2001, os quatro maiores de idade foram condenados a 14 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Gutemberg, por ser adolescente, recebeu medida socioeducativa e deixou a internação ainda em 1997.
Mas a condenação não significou que os quatro permaneceriam presos durante os 14 anos. Em 2002, conseguiram autorização para trabalhar e estudar fora da prisão, retornando à noite. O benefício gerou revolta quando vieram à tona registros de que alguns deles aproveitavam momentos de lazer enquanto deveriam cumprir as condições impostas.
Em 2004, os quatro conseguiram liberdade condicional e deixaram a prisão antes de cumprir toda a pena em regime fechado.
Anos depois, a história ganhou outro capítulo: os cinco construíram carreiras no serviço público.
Gutemberg ingressou na Polícia Rodoviária Federal e chegou a ocupar uma função de chefia. Tomás tornou-se técnico do Senado Federal; Eron, agente de trânsito do Detran-DF; Antônio, fisioterapeuta da Secretaria de Saúde; e Max, analista do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Em 2014, Gutemberg chegou a ser barrado em uma seleção para a Polícia Civil por causa de sua participação no assassinato, mas contestou a decisão na Justiça. Em 2016, conseguiu ingressar na PRF por decisão judicial.
O contraste é difícil de ignorar: Galdino estava em Brasília tentando defender as terras de seu povo. Era um agricultor que tinha esposa, três filhas e uma comunidade. Naquela madrugada, só queria dormir.
Os cinco jovens, por outro lado, decidiram transformar um homem indefeso em alvo. Depois da condenação e dos benefícios judiciais, conseguiram construir carreiras estáveis em instituições públicas.
Galdino morreu com 95% do corpo queimado. Sua família nunca mais o teve de volta. E os responsáveis pelo ataque seguiram suas vidas, conquistando cargos e salários no serviço público.
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