sexta-feira, 20 de março de 2026

Após um longo afastamento, os Trovante regressam aos palcos para quatro concertos “únicos e irrepetíveis” em Lisboa e no Porto.

“Anunciámos que estes espetáculos eram únicos, portanto não vamos trair as pessoas e, passado uma semana, estar a tocar em Carnaxide ou noutro sítio qualquer”
MANUEL FARIA TROVANTE
 O mote inicial era, e continua a ser, “Viver Tudo Numa Noite”. Contudo, o regresso dos Trovante aos palcos reverberou tanto junto do público que aquela prometida noite acabou por desdobrar-se: de um concerto em Lisboa e outro no Porto passaram a duas datas em cada uma das cidades. É já esta sexta e sábado que a banda de João Gil, Luís Represas e Manuel Faria sobe ao palco da grande sala da Meo Arena, na capital, com os concertos da Invicta a realizarem-se na Super Bock Arena — Pavilhão Rosa Mota, nos dias 27 e 28. Consigo levam as canções históricas de um percurso musical que arrancou, em Sagres, há precisamente 50 anos e que rendeu à memória musical do país clássicos tão incontornáveis quanto ‘125 Azul’, ‘Perdidamente’, ‘Xácara das Bruxas Dançando’ ou ‘Timor’. E, claro, ‘Memórias de Um Beijo’, canção a cuja letra foram buscar a ideia para este regresso: “Queria viver tudo numa noite/ sem perder a procurar/ o tempo ou espaço/ que é indiferente para poder sonhar.” Quando subirem ao palco evocarão não só memórias de muitos beijos vividos por um público que sempre os acarinhou como também inesquecíveis experiências de estrada vividas ao longo de 16 anos de atividade contínua, entre 1986 e 1992. “Ao fim de todos estes anos temos a sensação de que ainda há pessoas que não nos viram e podem agora ter uma oportunidade de ver”, confessava-nos Luís Represas quando a banda anunciou este regresso aos palcos. “O que nós queremos é entregar às pessoas a música como sempre a tocámos, para que alguém que for pela primeira vez possa dizer: ‘Finalmente, consegui ver Trovante.’” Quando falámos, inicialmente, com Represas, Gil e Faria, a quem, em palco, se juntarão Artur Costa, Fernando Júdice, António José Martins, José Salgueiro e João Nuno Represas, os três músicos confessaram-nos que não estava em cima da mesa expandir estas datas para uma digressão pelo país. “Depois, cada um segue a sua vida”, assegurou Faria. Agora, nas vésperas do regresso, o músico reitera a ideia. “Houve muitos convites e muitas propostas vindas de várias direções, mas há duas razões [para não aceitarmos]: primeiro, anunciámos que estes espetáculos eram únicos e queremos ser fiéis a essa postura, portanto não vamos trair as pessoas e, passado uma semana, estar a tocar em Carnaxide ou noutro sítio qualquer; a segunda razão, que também é muito importante, é o facto de todos os elementos do grupo terem carreiras individuais, que têm de continuar”, defende. “Se nós ficássemos, de repente, disponíveis no mercado, estaríamos a canibalizar as carreiras uns dos outros. Pessoalmente, faria isto o ano inteiro, mas as coisas têm de ter peso e medida e acho que estamos com a medida certa.” A banda tem consciência de que estas quatro noites terão de ir ao encontro das expectativas de um público que cresceu com a música dos Trovante, não podendo fugir às canções ‘obrigatórias’. Contudo, assumem que poderá haver espaço para temas que não tenham tocado das últimas vezes que se reuniram. Num momento em que já estão em ensaios finais, Manuel Faria assegura que o alinhamento que tinham definido no início não se alterou. “Temos a ordem feita desde agosto do ano passado e há muita gente a trabalhar sobre ela, portanto tinha de haver um motivo muito forte para alterar alguma coisa”, começa por dizer. “Mas estamos muito satisfeitos e a tocar as músicas no ritmo que tocávamos há 30 anos, digamos assim. Estamos surpreendidos por estarmos a fazer as coisas exatamente com a mesma energia.”  Assumindo que algumas canções “deram bastante mais trabalho do que outras”, Faria explica: “Temos músicas com poucos acordes e que funcionam de uma forma regular e depois temos outras cheias de picos e arestas e de coisinhas pequeninas, que, na minha opinião, são as que dão mais gozo.” Apesar de a tarefa de pegar em canções antigas ser desafiante e de os Trovante nunca terem sido banda de facilitismos, garante que a ‘memória muscular’ funciona. “Nós vamos tocar as músicas sem nenhum arranjo novo, mas nunca tocávamos da mesma maneira”, recorda o músico. “Agora, em dois dias seguidos, não tocamos igual. Isso é que dá gozo, pelo menos a nós.” A adesão massiva do público a estes concertos — os bilhetes estão praticamente esgotados — trouxe ao coletivo uma sensação diferente da dos espetáculos esporádicos que foram fazendo desde que declararam o fim dos Trovante. “Temos tido o cuidado de fazer uma trajetória ascendente. Começámos por fazer a Aula Magna, depois fizemos o Coliseu, o Campo Pequeno, depois dois Coliseus, a Meo Arena… Quando o Vasco Sacramento [da agência e promotora de espetáculos Sons Em Trânsito] nos propôs voltar agora, uma das coisas que pensámos foi: ‘Eh pá, já fizemos isto’”, assume Faria. “Mas depois houve a ousadia de passar de um para dois dias, coisa que nunca fizemos, de facto. A adesão do público é fundamental. Acho que houve aqui algum malentendido, que costuma haver neste tipo de espetáculos, com muita gente a pensar que estava tudo esgotado, quando não está, mas, tirando isso, foi uma aposta ganha.” Com o regresso à sala de ensaios, a vontade de criar música nova poderia surgir naturalmente, mas a banda descartou essa hipótese à partida. “Nós tínhamos uma forma muito especial de fazer música. O compositor apresentava uma espécie de esqueleto, que no fundo era uma melodia e pouco mais, e depois estávamos todos os dias a ensaiar e a construir aquilo como se fosse um castelo de lego”, recorda Faria. “Hoje, não temos condições para fazer isso. Ou seja, ia aparecer alguém com uma composição, alguém fazia o arranjo para os outros tocarem e, depois, alguém ia produzir. O resultado não ia ser relevante. Seria uma coisa meio arraçada do que nós não somos. E há outra coisa: nós não ouvimos todos a mesma música... na altura, ouvíamos. Estas músicas são um ponto de encontro de todos nós, mas uma música nova não sei se seria. Sinceramente, nunca pusemos isso em cima da mesa.” 

 

7 comentários:

  1. Ninguém cala o Vasco o "Cara de Velha"

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  2. Essa praga comuna trovante ainda não foi extinta?Porquê?
    Essa merda enjoava por todo o lado

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    1. Melhor as pessoas nem sairem à rua.

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    2. Começem já a utilizar as máscaras.

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  3. Os trovante passam a ser "OS ABORTOS"

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  4. Esses comunas não estavam hibernados? W

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  5. Quem gasta dinheiro para ver esses miseráveis? O melhor era continuar onde estavam: calados!

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