segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

«O Patriota Funchalense» primeiro jornal a ser publicado na Madeira

 

Lourenço Freitas, diretor do Museu da Imprensa publicou o livro «Imprensa periódica madeirense e os jornais da autonomia».Nessa obra fala do fundador do 1º jornal madeirense o "Patriota Funchalense" dr. Nicolau Caetano Bettencourt Pitta:



«Neste período, e mais concretamente depois do vintismo, a Madeira vai entrar na história da imprensa periódica portuguesa, na medida em que aqui surgiu o primeiro jornal insular da nossa história, a 2 de Julho de 1821.
Intitulava-se "O Patriota Funchalense", saia às quartas-feiras e sábados, redigido pelo médico madeirense Nicolau Caetano Bettencourt Pitta, formado em Inglaterra, pela universidade de Edimburgo, partidário das ideias liberais e acérrimo defensor da Liberdade de imprensa. "O Patriota Funchalense" era impresso na tipografia «O Patriota», por Alexandre Grevásio Ferreira, que viera do continente com o material tipográfico necessário para a realização dessa empreitada e publicou-se até 16 de Agosto de 1823.
 Em consequência da restauração do regime absolutista, Nicolau Caetano  Bettencourt Pitta foi preso e condenado em 50.000 réis e 4 anos de desterro para os Açôres, para Angra do Heroísmo.»
Em 2 de Julho de 1821 nasceu o primeiro jornal madeirense.
O seu Fundador e editor, foi o médico Nicolau Caetano Bettencourt Pita acabou preso pelo regime absolutista em 1823.O jornal que era bi-semanal cessou a sua publicação em 16 de Agosto de 1823 depois de ter publicado 214 números.

O comendador e historiador madeirense dr. Rui Nepomuceno ao escrever sobre as lutas entre liberais e absolutistas na Madeira  faz referência à perseguição ao dr Nicolau Caetano grande autonomista e defensor das ideias liberais e da fundação da primeira imprensa periódica do arquipélago.


 O Historiador Madeirense Nelson Veríssimo também fala do "Patriota Funchalense" nos seguintes termos:...

'O Patriota Funchalense', importante veículo de expressão e de formação da opinião pública.No contexto das guerras napoleónicas, desembarcaram, por duas vezes, no Funchal, forças militares britânicas, a fim de tomarem a ilha da Madeira. A primeira ocupação ocorreu de Julho de 1801 a Janeiro seguinte. A segunda iniciou-se a 24 de Dezembro de 1807 e terminou no princípio de Outubro de 1814. Nos primeiros três meses da segunda ocupação, a Madeira ficou sob o domínio britânico. Jorge III, rei da Grã-Bretanha e da Irlanda, era então soberano dos madeirenses e a bandeira britânica achava-se içada em todas as fortalezas.A aluvião de 9 Outubro de 1803 foi uma grande calamidade para a cidade. Para além de mais de duas centenas de mortos, numerosos edifícios arruinados, incalculáveis bens levados pelas torrentes, pontes e ruas destruídas provocaram grandes problemas aos funchalenses. Na sequência desta catástrofe, procedeu-se ao encanamento das três ribeiras do Funchal, obra fundamental para a cidade, há muito pretendida, mas executada pela determinação do Brigadeiro Reynaldo Oudinot, enviado para a ilha, por Decreto de 17 de Dezembro de 1803, com a missão de dirigir os trabalhos de recuperação do tecido urbano e de prevenir as habituais inundações.Em 1820, triunfou a Revolução Liberal em Portugal. Os funchalenses saíram à rua, para manifestar a sua adesão ao liberalismo, somente a 28 de Janeiro do ano seguinte.A liberdade proporcionou a publicação do primeiro jornal madeirense, 'O Patriota Funchalense', importante veículo de expressão e de formação da opinião pública, entre 1821 e 1823. A imprensa revelou-se essencial para o desenvolvimento de uma consciência madeirense que, ao longo do séc. XIX, contestou fortemente o Poder Central, pouco motivado para o progresso do arquipélago e quase sempre surdo às principais reivindicações insulares. A Pátria era, frequentemente, alcunhada de 'madrasta'. O insistente empenho, na resolução dos principais problemas dos ilhéus, originará o movimento autonomista.
 (diário)
fonte
da autoria de Rui Carita [ed.ALRAM]


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